1.10.10

O sorriso de Ana Paula



Mais uma estréia nacional no Odeon, mas dessa vez já espiritualmente preparado para o caos do tapete vermelho. A presença de atores mais conhecidos e, principalmente, de Ana Paula Arósio tornou tudo mais confuso e mais demorado ainda. A presença da atriz explicava a grande quantidade de fotógrafos no local. Afinal, é muito fácil tirar fotos boas de Ana Paula; não requer grande talento do fotógrafo ou qualidade do equipamento. E sempre haverá quem compre fotos dela.

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Como Esquecer, o filme de que todos se esqueceram porque só falavam de Ana Paula, é um filme sobre relacionamentos que não lembra algo feito por Domingos Oliveira. E esse provavelmente é o maior mérito do filme de Malu de Martino: fugir da visão bossanoviana das relações amorosas que domina o cinema brasileiro da última década.

O longa tem peso, dor, sofrimento. As risadas existem, mas num processo de cicatrização, não no clima de "rindo da própria tragédia". Não há fórmula mágica, sacanagem ou suruba; é tempo, aprendizado e vontade de continuar tentando. Como Esquecer provavelmente não será um clássico do cinema nacional, mas cumpre o que promete e vale o preço do ingresso.

E, mesmo tendo feito praticamente um "aham, Ana Paula, senta lá" involuntário após a sessão, preciso ressaltar o quanto a diretora (qualquer diretor, diga-se) tem sorte em ter o rosto de Ana Paula em seu filme. Mesmo que não seja lá uma grande atriz, esse sorriso (agora começando a ter fantásticas marcas de envelhecimento!) é capaz de arrebatar qualquer sala de cinema do mundo.

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