7.10.10

Triplique seu PIB. Pergunte-me como

O ultrasupermegaprêmio da Megasena saiu pruma única aposta num municipiozinho do Rio Grande do Sul chamado Fontoura Xavier. Pensei logo que deve ser um lugar com 10 mil habitantes em que todo mundo sabe da vida de todo mundo e que o ganhador teria sua vida transformada num inferno (agora não lembro se o castigo de ficar eternamente cercado por gente pedindo o seu prêmio da Megasena era no quarto ou quinto círculo do Inferno de Dante).

Segundo a Wikipédia (que já incluiu a Megasena no verbete!), o premiado município tem 11,3 mil habitantes (passei perto!) e, curiosamente, um PIB de 62,2 milhões de reais. Ou seja, com a bolada de 119 milhões da loteria, a riqueza da cidade simplesmente triplicou em 2010! Já tô imaginando a Prefeitura pedindo ao recém-milionário um dinheiro emprestado pra "fazer umas obras aí". O sujeito será praticamente o Eike Batista do rincão gaúcho!

1.10.10

O sorriso de Ana Paula



Mais uma estréia nacional no Odeon, mas dessa vez já espiritualmente preparado para o caos do tapete vermelho. A presença de atores mais conhecidos e, principalmente, de Ana Paula Arósio tornou tudo mais confuso e mais demorado ainda. A presença da atriz explicava a grande quantidade de fotógrafos no local. Afinal, é muito fácil tirar fotos boas de Ana Paula; não requer grande talento do fotógrafo ou qualidade do equipamento. E sempre haverá quem compre fotos dela.

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Como Esquecer, o filme de que todos se esqueceram porque só falavam de Ana Paula, é um filme sobre relacionamentos que não lembra algo feito por Domingos Oliveira. E esse provavelmente é o maior mérito do filme de Malu de Martino: fugir da visão bossanoviana das relações amorosas que domina o cinema brasileiro da última década.

O longa tem peso, dor, sofrimento. As risadas existem, mas num processo de cicatrização, não no clima de "rindo da própria tragédia". Não há fórmula mágica, sacanagem ou suruba; é tempo, aprendizado e vontade de continuar tentando. Como Esquecer provavelmente não será um clássico do cinema nacional, mas cumpre o que promete e vale o preço do ingresso.

E, mesmo tendo feito praticamente um "aham, Ana Paula, senta lá" involuntário após a sessão, preciso ressaltar o quanto a diretora (qualquer diretor, diga-se) tem sorte em ter o rosto de Ana Paula em seu filme. Mesmo que não seja lá uma grande atriz, esse sorriso (agora começando a ter fantásticas marcas de envelhecimento!) é capaz de arrebatar qualquer sala de cinema do mundo.