31.7.10

Tô velho demais pra essa merda

Perguntaram qual era meu arroba.

Demorei 2,8 segundos pra entender que estavam falando do tal microblog/rede social virtual/egotrip coletiva.

Expliquei que não tenho > que tenho, mas não uso [1] > que tenho outro que uso, mas é coletivo, do site pro qual escrevo, então que não é só meu [2]. Da próxima vez direi só que não tenho.

Já tenho sérios problemas para administrar o tempo. Imagina se tivesse que ficar acompanhando os hábitos alimentares e a tentativa fracassada de humorismo de dúzias de pessoas. Não, obrigado. Lamento aos amigos e aliados que embarcaram nessa, mas vocês têm lugar reservado no meu Buzz. Só acompanho (pelo Reader) os que realmente valem a pena [3].

Nunca pensei que chegaria o dia em que seria um sujeito old school por ter um "web log". Mas é isso mesmo. O mundo é dos jovens, com suas modernidades e aparelhinhos eletrônicos que não entendo.

Enviado do meu iPad.

A quem interessar:
1 - Contas que criei somente para impedir que fossem usadas indevidamente e aproveito para trocar mensagens com quem trocou e-mail por mensagem direta - Nerd Reverso e Ex-quase-futuro. Pra quem quiser a sensação zen de seguir um perfil vazio.
2 - Conta do Melhores do Mundo. Identifico minhas mensagens com "[NR]".
3 - Tanto quanto um site de LOLcats: Shit my dad Says; sua conseqüência nerd, Shit my Darth Says; God Damn Batman.

30.7.10

20.7.10

Assincronicidade

Quando estamos em um determinado estado mental, sofrendo ou jubilando a vida, ponderando possibilidades, mapeando vias antes de encarar a encruzilhada, é comum vermos ressonância de nossos pensamentos em quase tudo com o que temos contato: clima, números, horóscopo, mas principalmente obras culturais. É a tal sincronicidade.

Mas e quando ocorre o contrário? Ou melhor, quando não há ligação alguma, nem mesmo de negação ou inversão semântica? Todos estão no clima de um tolo Dia do Amigo, mas as amizades continuam inercialmente as mesmas, não há algo a celebrar, conquistar ou lamentar.

A música que resolveu grudar hoje na cabeça (graças a esse post do MdM - e cuidado que gruda mesmo!) depois de um atraso explicável pelas novas referências ao joguinho nos posts e podcasts mais recentes, mas cuja letra não reflete qualquer situação problemática ou desejo atual; a canção martela a mente insistentemente apenas por sua estrutura em looping.

A leitura do aguardado último volume de Scott Pilgrim, acompanhando suas complicações afetivas pós-adolescentes visualmente anabolizadas pela estética dos mangás e videogames com o mesmo grau de identificação e empatia que histórias de detetive ou exploração do espaço mereceriam.

A ausência de envolvimento com esses elementos poderia ser angustiante pra quem busca um sentido, uma revelação em tudo à sua volta. Mas, surpreendentemente, experimentar essa assincronicidade tem sido divertido, talvez mais do que deveria, quase um guilty pleasure.

Talvez cada pessoa seja mesmo o centro em torno do qual o universo gira, mas é bom saber que é possível sair dessa posição para dar um passeio e até assistir às rotações e translações por outro ângulo sem se preocupar com as trajetórias.