19.4.09

Duvidando da dúvida

A essa altura, todo mundo já viu o vídeo da britânica Susan Boyle. Talento incontestável à parte, a história do patinho feio/underdog é midiática demais e perfeita demais para ser verdade.

Tão inegável quanto a habilidade vocal de Boyle é a montagem (tanto da apresentação original quanto da edição para a TV) que a produção do programa fez para produzir o efeito "cinismo e descrença se transformando em surpresa e admiração". Uma análise mais elaborada dessa construção artificial pode ser vista aqui (em inglês).

E não há nada de errado nessa montagem. O objetivo da produção do programa é atrair atenção para o show, e a repercussão desse episódio prova que os produtores fizeram por merecer o seu salário.

O grande problema é que a lição embutida nessa história (e expressa verbalmente por uma jurada do programa) é que nós (espectadores/consumidores/homens de massa em geral) já estamos acostumados a achar que já vimos de tudo e julgar tudo cinicamente. O episódio de Susan Boyle mostraria, então, que é preciso estar disposto a receber acontecimentos midiáticos com mais ingenuidade e inocência para evitar julgamentos injustos.

Não sei se o problema é só comigo, mas tenho a impressão de que o "fenômeno Susan Boyle" alerta exatamente para o contrário. Minha primeira reação foi exatamente de cinismo em relação à construção dramática baseada na dicotomia "ojeriza/admiração". Não por acaso, a resposta é similar em relação a um viral publicitário, porque acredito que o show foi construído para afetar o público exatamente desse modo (e foi muito bem-sucedido nisso).

Utilizando um "viral-humano", que não pode ser simplesmente descartado como mera manipulação (por se tratar de um ser humano real, com desejos, necessidades e talento real), o episódio tenta apelar para o sentimento de solidariedade para afrouxar nossas defesas contra esse tipo de ficção disfarçada. O episódio soa como um apelo desesperado para que voltemos a ver tudo com a passividade do efeito-janela, com menos cinismo e ceticismo, e assim facilitemos o trabalho dos que querem nos oferecer ficções cuidadosamente planejadas para parecer histórias reais espontâneas.

O cinismo e o ceticismo, únicas vacinas conhecidas contra a manipulação (midiática ou não), podem acabar nos tirando a capacidade de nos emocionar com a bela história de Susan Boyle, mas nos garantem a capacidade de duvidar, fundamental para o exercício vital do senso crítico.

5.4.09

Tapetão é coisa nossa!

Uma matéria sobre F-1 foi colocada dentro da lista de notícias sobre Campeonato Carioca do Globo Online:



Erro grosseiro, porém compreensível. Provavelmente algum estagiário pensou que uma matéria que fala em tapetão só pode ser algo relacionado ao nosso futebol.