26.7.09

A todos

Uma das coisas mais legais do Gmail é o Labs. Pela definição da própria Google, "o Gmail Labs é uma área de teste para recursos experimentais que ainda não estão prontos para serem lançados. Eles podem mudar, falhar ou desaparecer a qualquer momento". E eles levaram isso a sério quando simplesmente sumiram com um dos recursos mais úteis do Labs, o Reply-to-all.

Pensei em fazer um longo texto sobre o quanto foi idiota a forma como desativaram o Reply-to-all, mas este texto já fala exatamente o que penso sobre a questão e de forma bem mais sucinta do que seria feita aqui.

Para não ficar na mera indicação de link alheio, seguem algumas sugestões de uso entre as ferramentas do Labs ainda existentes.

Visualizações do YouTube/Picasa/Flickr no e-mail:
Se alguém envia um link para o YouTube ou para um álbum online de fotos, você pode ver direto no corpo do mail. Ótima ferramenta de prévia, ajudando a decidir o que realmente merece gastar seu tempo em uma nova aba.

Imagens no bate-papo:
Além de tornar o contato do Gchat menos frio, dar uma "cara" a quem está enviando a mensagem ajuda a identificar rapidamente quem está enviando a mensagem e a evitar mal-entendidos. Muito útil pra quem costuma usar o Gchat com várias pessoas na mesma conversa.

Formatos de data personalizados:
Para quem quer manter a visualização de data e hora da forma como prefere, em vez das configurações "de fábrica". Útil para quem usa o Gmail em outros idiomas.

Ícone de autenticação para remetentes verificados:
Para quem usa PayPal e eBay, é uma garantia a mais de segurança.

Enviar e arquivar:
Naqueles casos em que você deseja responder uma mensagem e não vê-la novamente na sua caixa de entrada, esse botão permite que você envie a resposta e logo depois arquive a conversa. Em dupla com a "falecida" Reply-to-all, é um dos melhores extras do Gmail.
Não entendo como a Tarefas (que só é útil se você tiver conexão móvel 24 horas por dia) pôde virar recurso normal do Gmail e este recurso realmente útil continua apenas no Labs.

Cancelar envio:
Outra ferramenta que deveria ser opção normal do Gmail desde que nasceu. Minha única queixa é que o tempo para cancelar o envio (hoje se pode escolher entre 5 ou 10 segundos) poderia ser maior; 30 segundos de reflexão poderiam evitar muitas mensagens desnecessárias.

Ajustes de título:
Puxa a contagem de e-mails não-lidos para o início da barra de título. Muito útil para quem trabalha com o navegador minimizado e/ou com muitas abas abertas ao mesmo tempo.

Sugerir mais destinatários:
Se você costuma enviar mails para Fulano, Sicrano e Beltrano, no dia em que você fizer um mail para Fulano e Beltrano, o Gmail vai sugerir pra você que coloque Sicrano também.
É útil para quem envia mensagens para um mesmo grupo não-organizado de pessoas, ajudando até a perceber a necessidade de um novo grupo de contatos. Por exemplo, por causa dessa ferramenta, decidi criar um grupo de contatos pro qual enviar notícias interessantes sobre tecnologia.

Autocompletar pesquisa:
Faz o campo de busca do Gmail funcionar de forma similar à Awesome Bar do Firefox.

Inserção de imagens:
Permite inserir imagens no corpo da mensagem. Até uso pouco, mas deveria ser uma opção padrão de qualquer cliente de e-mail.

O Gmail Labs tem várias outras opções interessantes. Recomendo que cada um pesquise e descubra as que podem ser úteis para o seu uso do e-mail.

Uma pequena atualização: o Reply-to-all está de volta, e desde que escrevi este post apareceram muitas novidades no Labs. Então reforço a recomendação: se você já acha o Gmail bacana, experimente os recursos do Labs.

5.7.09

Taiwan, o país do futuro

Enquanto no Brasil o consumidor é feito de idiota, num país desenvolvido como Taiwan(!) a coisa é bem diferente. Lá, a Dell colocou por engano uma promoção irreal em seu site e, como manda a lei, teve que pagar pelo erro.

Em comunicado, a Dell pediu desculpas pelo incoveniente causado pelo erro no preço e disse que vai oferecer descontos razoáveis para os pedidos de compra recebidos com o valor errado.

E não fez mais do que sua obrigação!

Já aqui, o otário do consumidor que vá reclamar para o bispo.

Pelo visto, não precisa nem ser o Canadá; qualquer Taiwan já tem uma justiça mais eficiente que a nossa.

14.6.09

Pré-história

Graças a um exímio trabalho de arqueologia, recuperei os textos do blog anterior, hospedado do Desembucha.com. Transfiro os textos pra cá, com suas datas originais, para fins de registro, mas faço as alterações que julgar necessárias. Se quiser ver a verdade nua e crua (e ingênua e boboca), sem cortes ou photoshop, é só olhar aqui.

O aspecto mais interessante dessa releitura distanciada é notar como escrevi textos no calor dos acontecimentos (o que dificilmente faria hoje), como era empolgado, ingênuo e, ao mesmo tempo, pretensioso.

Há que se admirar (mesmo que com uma boa dose de condescendência) a petulância da juventude ao declarar coisas como "Os weblogs são coisas onde alguns idiotas deixam coisas escritas pra outros idiotas lerem". Francamente, não discordo. Com sincera ingenuidade, praticamente defini não apenas os blogs, mas boa parte do conteúdo da internet. Troque "weblog" por "twitter", "orkut" ou "wikipédia" e a afirmação continua verdadeira.

Esse mamute congelado também é interessante por esclarecer alguns equívocos. O principal deles: o blog é posterior ao relacionamento, ao contrário do que sempre afirmei. Sabe como é, os anos vão passando, a pessoa vai envelhecendo e a memória dos eventos passados não é mais a mesma (mesmo que o passado tenha menos de uma década).

E pra quem acha que piorei com o passar do tempo, eis a prova em contrário: Anti-Social Men, uma pérola de misantropia que acredito não ter sido superada na encarnação atual do EQF. Aproveitem!

26.5.09

A fé do consumidor

A negociação entre vendedor e comprador é um contrato de confiança. O consumidor oferece dinheiro (ou coisa equivalente) e o lojista oferece o produto. Se a compra é feita através de meio fraudulento (dinheiro falso, cheque sem fundo), o consumidor está agindo de má-fé. Se o vendedor entrega um produto de baixa qualidade ou de valor abusivo, aí a má-fé é dele.

E em casos como o da Fnac Online? O Procon-SP diz que os clientes "agiram de má fé" (SIC) e que não há problema do site em cancelar as vendas em virtude de um erro no site. Será mesmo?

Que foi erro no site é óbvio, mas cancelar é ridículo! Se anunciou, tem que cumprir. Se o sistema deu erro, que a loja tome o prejuízo e compre/construa um sistema melhor. Senão as lojas vão usar "erro no sistema" como desculpa pra sempre prejudicar o consumidor, o elo mais fraco dessa transação.

Desculpe, senhora, sei que a etiqueta de preço apresenta um valor mais baixo, mas foi um erro de impressão, não era bem isso que queríamos dizer, o que vale é o valor que aparece aqui na máquina e que você só está vendo na hora de pagar.

Assim não há confiança que resista!

19.4.09

Duvidando da dúvida

A essa altura, todo mundo já viu o vídeo da britânica Susan Boyle. Talento incontestável à parte, a história do patinho feio/underdog é midiática demais e perfeita demais para ser verdade.

Tão inegável quanto a habilidade vocal de Boyle é a montagem (tanto da apresentação original quanto da edição para a TV) que a produção do programa fez para produzir o efeito "cinismo e descrença se transformando em surpresa e admiração". Uma análise mais elaborada dessa construção artificial pode ser vista aqui (em inglês).

E não há nada de errado nessa montagem. O objetivo da produção do programa é atrair atenção para o show, e a repercussão desse episódio prova que os produtores fizeram por merecer o seu salário.

O grande problema é que a lição embutida nessa história (e expressa verbalmente por uma jurada do programa) é que nós (espectadores/consumidores/homens de massa em geral) já estamos acostumados a achar que já vimos de tudo e julgar tudo cinicamente. O episódio de Susan Boyle mostraria, então, que é preciso estar disposto a receber acontecimentos midiáticos com mais ingenuidade e inocência para evitar julgamentos injustos.

Não sei se o problema é só comigo, mas tenho a impressão de que o "fenômeno Susan Boyle" alerta exatamente para o contrário. Minha primeira reação foi exatamente de cinismo em relação à construção dramática baseada na dicotomia "ojeriza/admiração". Não por acaso, a resposta é similar em relação a um viral publicitário, porque acredito que o show foi construído para afetar o público exatamente desse modo (e foi muito bem-sucedido nisso).

Utilizando um "viral-humano", que não pode ser simplesmente descartado como mera manipulação (por se tratar de um ser humano real, com desejos, necessidades e talento real), o episódio tenta apelar para o sentimento de solidariedade para afrouxar nossas defesas contra esse tipo de ficção disfarçada. O episódio soa como um apelo desesperado para que voltemos a ver tudo com a passividade do efeito-janela, com menos cinismo e ceticismo, e assim facilitemos o trabalho dos que querem nos oferecer ficções cuidadosamente planejadas para parecer histórias reais espontâneas.

O cinismo e o ceticismo, únicas vacinas conhecidas contra a manipulação (midiática ou não), podem acabar nos tirando a capacidade de nos emocionar com a bela história de Susan Boyle, mas nos garantem a capacidade de duvidar, fundamental para o exercício vital do senso crítico.

5.4.09

Tapetão é coisa nossa!

Uma matéria sobre F-1 foi colocada dentro da lista de notícias sobre Campeonato Carioca do Globo Online:



Erro grosseiro, porém compreensível. Provavelmente algum estagiário pensou que uma matéria que fala em tapetão só pode ser algo relacionado ao nosso futebol.

9.3.09

repete A história se

Tirinha do Laerte.



De 2002!

20.1.09

A responsabilidade venceu o medo

Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. […] each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

They [earlier generations] understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please.

And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.


Os trechos acima fazem parte do discurso de posse de Barack Obama. Se a esperança foi a palavra-chave da campanha à presidência, as palavras acima apontam a importância da responsabilidade, seja dos cidadãos americanos para com seu país, seja dos governantes para com o povo, seja das nações ricas para com o planeta.

O mais interessante da retórica desse discurso é que essas responsabilidades são levantadas sempre na primeira pessoa. Obama sempre se inclui nos destinatários dessa lista de deveres, uma atitude até simples, mas radicalmente diferente do hábito geral dos governantes de procurar bodes expiatórios a quem combater.

Os "inimigos" existem, é claro. Em sua imaginação coletiva, os Eua são os mocinhos do faroeste e precisam do vilão a ser combatido. Mas o confronto ficou em segundo (ou terceiro) plano, dando prioridade à reavaliação do modo de vida do próprio povo e a uma reconstrução da idéia de nação.

Muito se discutiu aqui sobre as possíveis desvantagens comerciais que um presidente democrata nos Eua traria para o Brasil. Não duvido que as tradicionais boas relações comerciais com governos republicanos continuassem favorecer a nossa economia. Só que, acreditem ou não, dinheiro não é tudo. Depois de oito anos de governo Bush, uma mudança de rumos (mesmo que mais simbólica do que real) era necessária e qualquer presidente democrata faria o mundo soltar um suspiro de alívio.

O fato desse democrata ser Obama é somente uma vantagem a mais, uma mudança cujo simbolismo é diferente para diversos públicos. Para os eleitores americanos, é uma história hollywoodiana sobre o sonho americano, um certificado vivo de que os Estados Unidos são capazes de renovar seu pensamento e aceitar o que é diferente (mesmo que isso ainda não seja verdade para a grande parcela da população distante dos grandes centros).

Para o resto do mundo, é uma situação inteiramente nova, uma ligação irônica e surpreendentemente apropriada entre dicotomias até então inconciliáveis, os Eua e o Quênia, o "estrangeiro" e a Presidência, países ricos e países pobres, a mistura de raças e o poder.

Para o próprio Obama, acho, essa conquista tem muito a ver com sua busca de um propósito, algo que ao longo da história humana provocou a glória e a tragédia de muitos homens e povos. Sua história pessoal revela a busca de uma identidade, de um lugar no mundo, de um objetivo que justificasse a sua existência. Acredito que a ascensão política até a presidência seja o resultado de uma jornada pessoal na qual ele se convenceu que se suas experiências o tornam a pessoa ideal a conduzir seu país nesse determinado momento de sua história.

Ao contrário de outros políticos que buscam os cargos de poder para alcançar algum objetivo pessoal específico e/ou para satisfazer determinados interesses, Obama parece enxergar na presidência dos Eua realmente a missão de ser o melhor governante que puder ser, o que veria como o verdadeiro propósito de sua vida. E poucas coisas são tão perigosas quanto um ser humano com um propósito.