24.9.08

Ah, esses marqueteiros...



A nova campanha institucional dO Globo é marqueteiramente brilhante; não pelo que declara, mas pelo que omite. O mote é mostrar que o veículo transmite informação por todos os meios possíveis atualmente. E "possíveis", entenda-se, é sinônimo de "comercializáveis".

Pra demonstrar essa "ânsia de comunicação", a campanha sugere certas condições inexistentes de transmissão de informação. Fico imaginando como seria a campanha sem a omissão das intenções comerciais:

Informação.
Se existe escrita, nós escrevemos e vendemos.
Se existe online, nós atualizamos e exibimos numa página visualmente poluída por anúncios publicitários.
Se existisse líquida, nós engarrafaríamos e venderíamos.
Se existisse em árvore, nós colheríamos e distribuiríamos com adesivos dos nossos patrocinadores.


Ser uma empresa com fins lucrativos cuja matéria-prima é a informação não é um problema. Vivemos numa sociedade capitalista, onde tudo (inclusive a revolta e a indignação contra o próprio sistema) pode ser comercializado. O que é moralmente errado é tentar ocultar isso atrás de uma máscara altruísta e não-comercial, como a série de anúncios sugere.

Malditos marqueteiros!

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