15.4.08

Verde azedo



A edição #515 de Época trouxe em sua capa a chamada "Compre verde – Como suas compras domésticas podem ajudar a salvar a Terra". Conforme é dito no editorial, essa foi a terceira vez em que a publicação lançou uma "edição verde", dessa vez com uma mudança do logotipo vermelho para o verde "para deixar clara a extensão do nosso compromisso". Meigo.

A matéria de capa é realmente muito informativa, mas a mensagem principal é completamente equivocada. Não salvaremos o planeta consumindo apenas melhor. Temos que consumir menos.

Em vez de simplesmente trocar o produto que polui mais por um que polui menos, é melhor abrir mão de um produto supérfluo e deixar de consumir recursos naturais. Já vi um Globo Ecologia dizendo que o consumidor deve procurar comprar roupas de marcas que usem tecidos e tintas cuja produção seja menos agressiva ao meio ambiente. Por que não dizer "antes de comprar uma roupa, seja ela mais ou menos poluente, procure algo parecido em seu armário que possa evitar a compra"?

Uma atitude responsável seria dizer "Se possível, não compre. Se for comprar, compre verde". Mas a moderação do consumo só é útil para o planeta, não para os interesses nacionais (afinal, todos querem o crescimento econômico). Também não seria uma bandeira vista com bons olhos pelas diversas empresas que compraram espaço publicitário na revista para veicular anúncios "verdes", geralmente pregando a "sustentabilidade" (palavrinha da moda que é apenas a boa e velha "responsabilidade ambiental" maquiada como novidade pelos marqueteiros).



Como a tirinha acima exemplifica bem, a indústria verde usa o sentimento de culpa ecológica do cidadão/consumidor comum para vender mais. A responsabilidade ambiental é obrigação de qualquer empresa decente, não uma qualidade especial de empresas altruístas. Mas hoje em dia é tratada como a ética na política: algo que deveria ser pré-requisito, mas que é anunciado como diferencial.

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