15.4.08

Verde azedo



A edição #515 de Época trouxe em sua capa a chamada "Compre verde – Como suas compras domésticas podem ajudar a salvar a Terra". Conforme é dito no editorial, essa foi a terceira vez em que a publicação lançou uma "edição verde", dessa vez com uma mudança do logotipo vermelho para o verde "para deixar clara a extensão do nosso compromisso". Meigo.

A matéria de capa é realmente muito informativa, mas a mensagem principal é completamente equivocada. Não salvaremos o planeta consumindo apenas melhor. Temos que consumir menos.

Em vez de simplesmente trocar o produto que polui mais por um que polui menos, é melhor abrir mão de um produto supérfluo e deixar de consumir recursos naturais. Já vi um Globo Ecologia dizendo que o consumidor deve procurar comprar roupas de marcas que usem tecidos e tintas cuja produção seja menos agressiva ao meio ambiente. Por que não dizer "antes de comprar uma roupa, seja ela mais ou menos poluente, procure algo parecido em seu armário que possa evitar a compra"?

Uma atitude responsável seria dizer "Se possível, não compre. Se for comprar, compre verde". Mas a moderação do consumo só é útil para o planeta, não para os interesses nacionais (afinal, todos querem o crescimento econômico). Também não seria uma bandeira vista com bons olhos pelas diversas empresas que compraram espaço publicitário na revista para veicular anúncios "verdes", geralmente pregando a "sustentabilidade" (palavrinha da moda que é apenas a boa e velha "responsabilidade ambiental" maquiada como novidade pelos marqueteiros).



Como a tirinha acima exemplifica bem, a indústria verde usa o sentimento de culpa ecológica do cidadão/consumidor comum para vender mais. A responsabilidade ambiental é obrigação de qualquer empresa decente, não uma qualidade especial de empresas altruístas. Mas hoje em dia é tratada como a ética na política: algo que deveria ser pré-requisito, mas que é anunciado como diferencial.

14.4.08

Teste de navegadores de leigo para leigos

Sempre que os sites especializados fazem comparações entre os diversos programas de navegação na internet (conhecidos como browsers), sempre são valorizados fatores como desempenho e segurança, o que faz sentido, claro.

Entretanto, para o usuário básico e responsável (aquele que navega com atenção e não sai clicando em qualquer lugar), o elemento mais importante é a (ausência da) aporrinhação ao navegar. Isso pode ser notado na compatibilidade da página com o navegador (e infelizmente muitos webmasters continuam no esquema "melhor visualizado no Internet Explorer") e na aparência amigável, o tal user-friendly.

Pois bem. Aproveitando o novo computador, resolvi reavaliar as opções de navegador disponíveis. Além do IE e do Firefox, instalei o Opera e o Safari, todos para Windows, nas versões estáveis mais recentes (ou seja, nada de versões beta).

A principal surpresa foi a diferença de visual do Safari. É sem dúvida diferente do padrão criado pelo IE e seguido pelos outros. Até esta porcaria de blog parece mais sofisticado visto pelo navegador da Apple.

Mas numa página simples e idiota como esta, não há muito o que mudar entre um e outro navegador. Os desafios são as páginas com diversos elementos, links, anúncios e o maldito javascript. Um bom exemplo é a página do webmail do Yahoo.


Internet Explorer


Com o IE, é aquilo que já se esperava: a página funciona bem, mas os anúncios e imagens inúteis aparecem em toda a sua glória. Poluição visual pura. Já no Firefox, com o uso das extensões Adblock Plus (bloqueio de anúncios) e NoScript (bloqueio de javascript), o resultado é o que considero a navegação-padrão. Reparem no aproveitamento de espaço e no visual enxuto (é o único dos quatro que não precisou exibir barra de rolagem vertical).


Firefox


Opera e Safari possuem problemas similares. Em ambos, aparece um estranho espaço branco acima do que deveria ser o início da página. Culpa dos programadores do Yahoo que fizeram seu webmail pensando apenas nos usuários do IE. Além disso, ambos possuem apenas a opção de liberar ou bloquear todos os scripts de uma página. Não dá pra bloquear e liberar conforme a vontade do usuário, como no Firefox.


Safari


O Opera ainda permite o bloqueio individual de imagens, o que diminui a poluição visual. Mas ainda tem o inconveniente de ter que ver o incômodo antes de se livrar dele.


Opera


A conclusão é que nessa rede desenhada para os padrões de um único navegador (ruim), boas opções, como o interessante Safari, deixam de ser viáveis. O trio Firefox+Adblock+NoScript se confirma como a melhor experiência para quem quer uma navegação funcional e prática que não seja visualmente ofensiva.

Firefox