14.10.06

Terrorismo eleitoral

Durante a campanha presidencial de 2002, o PT marqueteiro (remember "Lulinha Paz e Amor") lançou a frase de efeito "a esperança venceu o medo". Com uma idéia simples, a frase explanava o engodo emocional usado por muitos partidos e candidatos de situação, ao tentar conseguir votos provocando/alimentando o medo de mudança no eleitor.

O modo mais fácil era dizer que a candidatura do novo, do desconhecido, era um risco, que o candidato-alvo, se eleito, rasgaria a Constituição e que o céu cairia sobre nossas cabeças. A natureza humana e o medo instintivo do desconhecido faziam o resto.

"A esperança venceu o medo" é ótima, pois não serviu apenas para ajudar um candidato ou partido, mas também ajudou a desconstruir ideologicamente esse tipo de bravata apelativa e manipuladora. Dali por diante, imaginei, ninguém mais iria praticar esse tipo de terrorismo eleitoral.

2006. A nova frase de efeito é "não troco o certo pelo duvidoso". O PT, agora na situação, mostra que não aprendeu (ou esqueceu deliberadamente) a lição dada por si mesmo anos antes e retoma, com gana jihadiana, o terrorismo eleitoral. O novo/desconhecido volta a ser uma ameaça. O governo atual pode não ser grande coisa, mas a alternativa é aparentemente catastrófica, segundo a propaganda petista. O candidato da oposição vai tomar o dinheiro dos pobres, vai privatizar até a pia da cozinha do congresso, vai vender o país e ainda embrulhar pra presente. Tudo isso é possível porque ele é o outro, o inédito, portanto capaz das maiores atrocidades.

Causa revolta não apenas esse vale-tudo capaz de inverter a ideologia eleitoral de um partido simplesmente pela busca da manutenção do poder (do qual a propaganda é apenas uma das facetas), mas também a própria esquizofrenia do discurso. Se em dado momento, Alckmin é vendido como o perigo indecifrável, em outros é vantajoso para o PT ligar o candidato ao governo exercido por seu partido no passado. Somente às medidas ruins desse governo, diga-se de passagem, pois as boas medidas foram apropriadas pelo atual governo, como se dele fossem e só nele tivessem sido exercidas. Apontar a contradição desse discurso, entretanto, automaticamente transforma qualquer pessoa na "elite conspiratória/golpista" que, segundo os xiitas eleitorais, são cães infiéis que merecem ir pro inferno.

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