26.10.06

dPod

Então você curte gadgets de custo astronômico e séries de animação impopulares? Você não é o único. Um maluco de um fórum sobre Daria (é, existe tal coisa) fez uma versão do famoso anúncio do iPod incluindo personagens do desenho. Confira abaixo os cartazes e o vídeo:




21.10.06

Uma imagem vale mais que mil palavras

(...se você for nerd o suficiente pra decodificá-la)

Thank you, Warren Ellis.

14.10.06

Terrorismo eleitoral

Durante a campanha presidencial de 2002, o PT marqueteiro (remember "Lulinha Paz e Amor") lançou a frase de efeito "a esperança venceu o medo". Com uma idéia simples, a frase explanava o engodo emocional usado por muitos partidos e candidatos de situação, ao tentar conseguir votos provocando/alimentando o medo de mudança no eleitor.

O modo mais fácil era dizer que a candidatura do novo, do desconhecido, era um risco, que o candidato-alvo, se eleito, rasgaria a Constituição e que o céu cairia sobre nossas cabeças. A natureza humana e o medo instintivo do desconhecido faziam o resto.

"A esperança venceu o medo" é ótima, pois não serviu apenas para ajudar um candidato ou partido, mas também ajudou a desconstruir ideologicamente esse tipo de bravata apelativa e manipuladora. Dali por diante, imaginei, ninguém mais iria praticar esse tipo de terrorismo eleitoral.

2006. A nova frase de efeito é "não troco o certo pelo duvidoso". O PT, agora na situação, mostra que não aprendeu (ou esqueceu deliberadamente) a lição dada por si mesmo anos antes e retoma, com gana jihadiana, o terrorismo eleitoral. O novo/desconhecido volta a ser uma ameaça. O governo atual pode não ser grande coisa, mas a alternativa é aparentemente catastrófica, segundo a propaganda petista. O candidato da oposição vai tomar o dinheiro dos pobres, vai privatizar até a pia da cozinha do congresso, vai vender o país e ainda embrulhar pra presente. Tudo isso é possível porque ele é o outro, o inédito, portanto capaz das maiores atrocidades.

Causa revolta não apenas esse vale-tudo capaz de inverter a ideologia eleitoral de um partido simplesmente pela busca da manutenção do poder (do qual a propaganda é apenas uma das facetas), mas também a própria esquizofrenia do discurso. Se em dado momento, Alckmin é vendido como o perigo indecifrável, em outros é vantajoso para o PT ligar o candidato ao governo exercido por seu partido no passado. Somente às medidas ruins desse governo, diga-se de passagem, pois as boas medidas foram apropriadas pelo atual governo, como se dele fossem e só nele tivessem sido exercidas. Apontar a contradição desse discurso, entretanto, automaticamente transforma qualquer pessoa na "elite conspiratória/golpista" que, segundo os xiitas eleitorais, são cães infiéis que merecem ir pro inferno.

13.10.06

Filho não é propriedade

Uma notícia publicada nO Globo de 6 de outubro tinha como título "Maus-tratos a netos levam a avó a denunciar a própria filha à polícia". O texto falava de uma senhora de 74 anos que denunciou a filha, uma médica de 43 anos, após saber do mais recente ato de violência praticado contra os dois netos, de 10 e 15 anos: um deles teve a mão queimada no fogão, o outro foi agredido com cabo de vassoura.

O repórter creditou a ação da avó (denunciar a filha) ao "amor pelos netos". Seria melhor se o agente causador fosse a noção de justiça. A atitude "inusitada" da notícia (uma mãe que entrega a filha pra polícia) só causa espanto no leitor por essa noção deturpada de que laços familiares estão acima da justiça e da lei, portanto, acima da própria idéia de sociedade.

Uma das lições mais óbvias da sociedade contemporânea é que os filhos devem ser criados para o mundo, não para seus próprios genitores. Pais são pessoas que devem se esforçar para criar um ser humano melhor que eles mesmos, não uma cópia de si, nem uma criatura capaz ter a vida sonhada por seu criador. Teoricamente, a diferença entre cada genitor está naquilo que cada um considera ser "um ser humano melhor". Pessoas diferentes educam outras pessoas diferentemente, nada mais natural.

O problema é que muitos pais pensam em filho como "uma pessoa só minha", um pensamento injusto e perigoso, que é compartilhado pelo senso comum. Isso daria aos genitores poderes fora de qualquer cartilha de direitos humanos ou convenção de genebra, tornando essas pessoas autoridades absolutas quanto ao destino de uma pessoa ainda incapaz de agir na sociedade por si mesma, podendo inclusive negar o direito à liberdade e à vida. Não é incomum ver, mesmo nos dias de hoje, mesmo nas cidades ditas cosmopolitas, a omissão geral das autoridades diante de situações de abuso infantil que são consideradas apenas "assuntos de família".

Da mesma forma, o senso comum espera que entre pais e filhos ocorra uma situação de sigilo e cumplicidade que ultrapassa qualquer noção de bom senso, ocultando abusos, infrações e crimes (até hediondos), numa situação de permissividade que beira o absurdo e que explica muitos casos de impunidade e "tragédias" recentes.

A família, entendida na relação nuclear de transmissão de conhecimentos, valores e experiências entre dois seres humanos, é a principal base de formação de qualquer ser humano. E só. Os laços de sigilo e fidelidade dogmáticos que envolvem a "instituição" Família trazem invariavelmente um grande prejuízo para o ser humano em formação e, conseqüentemente, para a sociedade como um todo. Somente cortando esse cordão umbilical invisível teremos relações mais equilibradas, sensatas, saudáveis e socialmente coerentes entre as gerações.

6.10.06

Jornalismo do arco-íris



A chamada acima parece piada, não? Coisa do Casseta & Planeta, talvez um boato do Cocadaboa? Mas o texto é real e está na capa do jornal O Globo de hoje.

O título é justificável pelo desejo de surpreender o leitor com o inusitado, o problema é que nesse caso a leitura desatenta cria uma situação no mínimo... suspeita.

Em outros tempos, chamariam isso de imprensa marrom. Pela natureza da notícia, está mais pra imprensa arco-íris. Depois chamam os jornalistas de safados e a classe fica ofendida. Somos uns safados mesmo!

2.10.06

Quanto mais as coisas mudam...

Os noticiários pós-eleição destacam a renovação de boa parte das cadeiras do congresso. Entretanto, velhos conhecidos, como Maluf e Collor, estão de volta, e os novatos incluem Clodovil e Frank Aguiar (Au!).

No Rio, a renovação da política mostra novas caras com velhos sobrenomes. A atividade política deixa de ser vocação e vira legado. Deixa de ser ocupação temporária e vira (cabide de) emprego.

Nas eleições majoritárias, meus candidatos levaram trozoba. Agora, no segundo turno, resta decidir pelo menos pior, um desgosto necessário. Ao menos nas votações proporcionais meus candidatos foram bem. Pena que estão em péssima companhia.

Pra quem quiser verificar a votação e os eleitos para cada cargo, com divisão de estado e município, uma boa opção é a página do Estadão. Dica do Castrezana.