18.9.06

A cara-de-pau dos publicitários

Depois de romper com a agência publicitária de Marcos Valério, o Banco do Brasil abriu nova licitação para contratar duas novas agências. A novidade é que um dos critérios de escolha é o preço do serviço (medida sensata que deve ser seguida por outras empresas públicas). Segundo O Globo de ontem, as agências publicitárias tiveram a ousadia de reclamar, dizendo, entre outras coisas, que "temem que o preço acabe se sobrepondo ao talento".

Esse raciocínio simplista (pra não dizer "idiota") não leva em consideração uma série de aspectos um tanto óbvios:

a) O principal, o dinheiro que o BB gasta em publicidade é público, ou seja, é meu, seu, nosso. Por isso, nada mais justo que controlar os gastos, evitando o que puder ser evitado. Agências que cobram preços absurdos por um trabalho que outras poderiam fazer cobrando menos certamente é algo que pode ser evitado;

b) As empresas públicas não são a maioria dos clientes publicitários, nem os principais. Empresas privadas podem reservar o percentual que bem entenderem de sua receita e fazer quantos contratos publicitários de cifras astronômicas quiserem. Ou seja, a decisão não afeta o mercado de anunciantes como um todo, só fecha a torneira do dinheiro público que escorria ralo publicitário abaixo;

c) Tudo é mais fácil pra quem tem mais dinheiro. É fácil fazer um anúncio cheio de gente famosa e efeitos especiais quando a agência está montada na grana. Difícil é fazer um bom anúncio com poucos recursos. Para o bom profissional, a limitação orçamentária passa a ser um desafio e um incentivo. O mau profissional vive do passado, lucrando em cima da própria fama.

Já esperava essa palhaçada dos publicitários e marqueteiros. Surpreendente mesmo é o fato de só agora as empresas públicas começarem a prestar atenção em como gastam o dinheiro da população.

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