24.9.06

A ajuda que atrapalha

Um dos poucos políticos que admiro é o deputado Fernando Gabeira, não por seu passado de militância e sua defesa da legalização das drogas, como acredito que aconteça com a maioria dos eleitores gabeirenses, mas por seu combate à corrupção (mais precisamente, aos corruptos) e sua defesa do uso dos recursos ambientais de forma racional e sensata (ou, no dialeto marqueteiro, "sustentável").

A censura direta e aberta ao ex-presidente da câmara foi um dos únicos momentos da última legislação em que me senti realmente representado por um representante. Quando todos os demais parlamentares pareciam entorpecidos, Gabeira incorporou a indignação que a classe política e a população em geral deveriam demonstrar com maior freqüência.

Por tudo isso, é ainda mais estranho ver uma revista como a Veja fazer uma reportagem de capa elogiando o deputado/candidato. É o tipo de "apoio" que não parece muito vantajoso do ponto de vista ético. Dizer que é apoiado pela Veja parece algo tão desejável ao Gabeira quanto o Lula dizer que recebe o apoio do ex-presidente Collor. Ou seja, por mais que a revista semanal possa ser uma força geradora de votos, dificilmente ter a imagem atrelada a um veículo tão tendencioso pode ser visto como algo positivo a alguém com convicções morais tão firmes.

Por melhor que seja o histórico do político, fica sempre a impressão de que alguém elogiado por esse tipo de publicação não pode ser alguém digno de voto. A solução é uma afirmação com uma observação obrigatória: voto no Gabeira, apesar da Veja.

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