22.4.06

Não se vê na Globo



No último post sobre comerciais, falei somente sobre maus exemplos, o que pode fazer alguns pensarem que detesto qualquer anúncio, o que não é verdade. Detesto os anúncios ruins.

Recentemente, descobri um vídeo, já antigo, que mostra que mesmo comerciais institucionais auto-referentes, que geralmente são um porre, podem ser interessantes. O filme mostra um homem no fim do expediente que, na pressa de chegar em casa, atravessa a cidade por cima dos telhados através de uma série de belos movimentos. No fim, descobrimos o motivo da pressa: ele queria chegar logo pra assistir à BBC One. Esse anúncio, "Rush Hour", foi veiculado em 2002. Nenhum dos canais brasileiros tem um anúncio auto-referente que preste, mesmo quatro anos depois.

Já os "belos movimentos" citados fazem parte de uma prática (esportiva?) conhecida como "Le Parkour" (ou "free-running"), que tem no ator de "Rush Hour", David Belle, um de seus maiores representantes. O parkour seria uma mistura de corrida, escalada, artes marciais, ginástica olímpica, acrobacia e balé, resultando numa corrida de obstáculos urbana em que grandes proezas físicas parecem suaves saltos no ar.

Os leitores de quadrinhos provavelmente já conhecem o parkour, ou pelo menos ouviram falar dele, já que uma das edições de Freqüência Global, de Warren Ellis, é centrada numa personagem que utiliza seu conhecimento de parkour pra atravessar a cidade a tempo de desarmar uma bomba. Aliás, só achei o comercial da BBC porque soube no documentário Jump London que Le Parkour estava sendo muito utilizado em anúncios por sua capacidade de exibir movimentos (teoricamente) sobre-humanos sem uso de efeitos especiais. Justamente o contrário da nossa publicidade escrava da computação gráfica.

21.4.06

Hinduístas de trem

Nada do que se vê (ou ouve) em um bom filme está lá por acaso. Então qual seria o motivo que levou Spike Lee a abrir O Plano Perfeito (clique aqui para ler a crítica) com uma música um tanto estranha, um dance meio indiano? Ainda não sei a resposta. Não vi qualquer ligação da canção com a trama ou com algum detalhe específico dentro dela.

Mais tarde, descobri que a música (cujo nome é Chaiyya Chaiyya) fazia parte de um sucesso do cinema de Bollywood. Acabei achando a abertura desse filme (Dil Se..), praticamente um videoclipe da música. Apesar da idéia interessante de rodar o clipe em cima de um trem em movimento, a interpretação dos atores/cantores (com destaque para o cantor com uma jaqueta enorme daquelas que o Jaspion usava) e a coreografia (uma mistura de dança do ventre com passinhos de boy band) tornam tudo involuntariamente engraçado. Hilário, até.

Se alguém quiser ver essa maravilha do humor é só clicar aqui. Engraçado mesmo é que Chaiyya Chaiyya tornou a trilha sonora de O Plano Perfeito um sucesso de vendas e parece estar despertando o interesse de parte do público dos EUA para o cinema indiano. Obra de um planejamento cuidadoso ou um inesperado sucesso aleatório?

16.4.06

De pêlo branquinho...

A Páscoa sempre traz consigo aquela velha e estranha figura mitológica do mamífero que distribui ovos. Mas o que será que o Coelho da Páscoa faz nos outros 364 dias do ano? Para saber a resposta, é só clicar aqui e assistir a esse vídeo revelador (que roubei do Castrezana). Recomendo que liguem o som (os efeitos sonoros são ótimos) e preparem-se pra dar umas boas risadas.

15.4.06

If I only had a brain

Não faz muito tempo, a TV exibiu um comercial da Fiat que parafraseava a clássica cena de treinamento em Rocky, com um carro no lugar do lutador. Uma idéia idiota que gerou um anúncio idiota.

Agora a Honda segue a mesma linha, num comercial que mostra um sujeito (provavelmente under influence) dirigindo por uma estrada de tijolos amarelos num mundo technicolor ao som de "Over the Rainbow".

Que os anúncios de automóveis vendem uma idéia e não um carro, estamos todos cansados de saber (mas não conformados, espero). Que os anúncios nacionais têm sido cada vez menos criativos e instigantes (preferindo ser catchy e apelativos), é uma triste realidade. Mas daí a querer vender carro através de (péssimas) citações a filmes famosos sem relação alguma com qualquer tipo de veículo, já é algo no mínimo constrangedor.
Deixem o Cinema em paz, por favor!