27.1.06

Gotham City Contra o Crime

Sei que a maioria dos leitores habituais (ou seja, quem passa aqui mais de uma vez por ano) já conhece o Melhores do Mundo e sabe que eventualmente colaboro com eles, fazendo revisão de texto e um ou outro review de quadrinhos.

Para os desavisados, seguem aí os dois últimos textos que fiz pro MDM (sob minha identidade nada secreta): DC Especial #5 e DC Especial #8, ambos encadernados da ótima série Gotham Central. Como o texto foi feito pra um site (teoricamente) noticioso, não pro Ex-quase-futuro, uma certa mudança de tom é perceptível.

Quem quiser opinar, fique à vontade.

26.1.06

Superman is a dick

Você conhece vários sites sobre capas e cenas engraçadas de HQs, certo? Eles mostram algumas cenas fora de contexto ou capas antigas que se tornam hilárias quando vistas em retrospecto.

Agora conheça Superdickery.com (conheci via Omedi), um site que reúne cenas famosas como esta e esta, mas que tem como mote a frase "Superman is a dick" (numa tradução livre, "Super-Homem é um escroto"), devido ao espantoso número de capas que apresentam o Homem de Aço sendo maldoso, cruel ou simplesmente... escroto. Sempre com um sorrisinho no rosto, é claro.

Vale a pena perder horas navegando e rindo com as inúmeras ilustrações do site e os ótimos comentários do autor. Entre as galerias temáticas, além da tradicional "Superman is a dick", há também uma específica sobre os hábitos sadomasoquistas da Mulher-Maravilha, propagandas exageradamente exageradas e a clássica "Seduction of the Innocent", mostrando que no fim das contas Wertham estava certo.

Separei algumas das melhores imagens pra vocês. Divirtam-se!

Super-Homem negando água aos sedentos
"Eu jamais casaria com alguém tão idiota!"
Escroto desde a primeira aparição
E ele faz isso rindo. RINDO!
Vai dizer que você não faria isso também?
Negando água aos sedentos (de novo!)
Batman também é escroto
Jor-El também é escroto
A capa mais ridícula do mundo
Mulher-Maravilha e suas preferências peculiares
Tia May, arauto de Galactus
Nem pergunte!
A bat-metralhadora
Uma contradição conceitual
Perspectiva, o que é isso?
Tem gosto pra tudo
As provas são irrefutáveis
Além do nome ambíguo da revista, o título de uma das histórias é "The KY fingers of fear"
Quem criou o nome desses personagens tinha sérios distúrbios psicológicos
O que Peter faz no quarto?
BWA-HA-HAHA-HAHA

20.1.06

Planetary in Rio



Antes de tudo, você já leu Planetary?
A série é escrita por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday e tem a famosa periodicidade "sai quando der", o que significa 24 edições de 1999 pra cá. Resumidamente, a série é uma ficção científica que mostra uma equipe encarregada de descobrir, vigiar e proteger os mistérios do mundo. Basicamente, eles são um Anti-Arquivo-X, mas trabalhando em escala (adivinhe só!) planetária.

Planetary é o que se pode chamar de "caldo cultural", misturando ficção científica clássica, pulps, comics, cinema, teorias físicas e metafísicas e personagens cheios de atitude cool com um passado obscuro. Entretanto, não é uma série pop como outras que você tem lido. Você não vai ver os personagens citando filmes ou seriados da moda, ou falando de pessoas famosas da atualidade. As referências da série (e acredite, são muitas) estão mais profundamente inseridas, vindo à tona principalmente na segunda ou terceira leitura. Sim, porque cada edição de Planetary pede pra ser lida várias vezes, de preferência com pausas para reflexão entre elas. Pior (melhor) ainda, as edições seguintes afetam a leitura das anteriores retroativamente. Assim, cada vez que sai uma nova edição, lá vai o leitor ler toda a série de novo.

E a nova edição em questão é a número 24. Uma versão em português já está disponível no Rapadura Açucarada, feita por Eudes e Shadowboss e com minha humilde tradução, mas você também pode baixá-la aqui (abre um pop-up chato de anúncio quando começa o download, mas é só fechar). Entretanto, méritos da tradução à parte, recomendo (pra quem souber, claro) a leitura em inglês, pois o Ellis é ótimo na escolha das palavras e muitos dos sentidos se perdem na mudança de idioma.

Essa revista é especial por vários motivos. O mais importante, essa é a primeira edição que apresenta ao leitor mais respostas que perguntas. Exato, a única em 24 edições a ter mais revelações do que novos mistérios, o que não deixa de ser surpreendente quando pensamos em Planetary. O motivo da natureza diferente da história e outra razão por ela ser especial é que essa é uma edição de virada, uma última oportunidade de pegar fôlego antes do pega pra capar do arco final (a série deve acabar na edição 26 ou 27).

Por último, a história se passa inteiramente no Rio de Janeiro, onde fica o escritório brasileiro do Planetary, ou melhor da "organização planetário". E (vejam que surpresa!) a cidade não parece a Floresta Amazônica. Pelo contrário, parece que houve um bom trabalho de pesquisa de imagens por parte do ótimo Cassaday e o Rio de Planetary é mais realista que muitos Rios retratados por brasileiros. Mesmo o prédio fictício da organização, em formato de bala e extremamente fálico, parece maravilhosamente apropriado à cidade.

Aliás, é interessante ver a evolução da arte de John Cassaday desde as primeiras edições de Planetary. Como a arte foi puxando mais pro realismo sem perder o estilo (coisa que me desagrada no estilo foto-realístico do Brian Hitch em Supremos, por exemplo; o cara era muito melhor em Authority!). Sabe aquela arte que deixa todos babando em Astonishing X-Men? Pois aqui ele desenha a mesma arte sensacional, mas com um roteiro à altura. A começar pela capa, sempre uma obra de arte, dessa vez replicando um dos Guias Planetary, justificada não somente pela natureza reveladora da edição, como também porque a maior parte da ação se passa em uma das bibliotecas de Elijah Snow, que contém muitos guias similares.

Sobre a história em si, ela trata basicamente de pôr as cartas na mesa. Snow se reúne com seus dois operativos numa conversa em que todas as teorias que ele desenvolveu nas ultimas edições são enfim verbalizadas, não sem um certo receio, o que provoca cenas hilárias do Snow saindo da conversa através de comentários que beiram o absurdo. Graças a isso, a história que poderia ser pesada, acaba alternando momentos de grandes revelações, piadinhas e a boa e velha atitude cool, que ainda está lá, porém misturada com uma certa dose de vendetta, como nesta cena. Entre as revelações, as verdadeiras intenções por trás do exílio de Jacob Greene e a tortura de William Leather, o que Snow descobriu na psicodélica viagem na casa da Melanctha e a natureza da rivalidade entre o Planetary e os Quatro, com direito ao Snow fazendo pouco da famosa frase de efeito da série. A ação tarda mas aparece, menos que o normal, e é claro que sobra pros brasileiros, coitados. No último quadrinho, um sorriso enigmático deixa tudo ainda mais incerto (não há nada que deixe um leitor mais ansioso pela próxima edição do que terminar a história com um sorriso enigmático).

Por fim, a guerra é declarada, agora é ver quem vai sobrar de pé (se é que vai sobrar alguém). E justamente quando muitas das peças se encaixaram, foi revelado que o quebra-cabeças era maior do que imaginávamos, com o surgimento de novos mistérios ainda mais intrigantes, o que me leva a perguntar: como o Ellis vai resolver isso tudo de forma coerente em duas ou três edições?

Não sei a resposta, mas essa é justamente a graça de Planetary.

12.1.06

Resoluções automáticas

Para quem quer fazer uma lista de resoluções, mas não consegue pensar em nada, recebi um link para "The Amazing New Year's Resolution Generator!" que pode servir pra você.

Com as opções de escolha entre começar ou parar uma atividade, as resoluções geradas vão das mais tradicionais às mais inusitadas. Segue abaixo uma lista com algumas das resoluções estranhas que vi por lá (sintam-se à vontade pra usar caso sirvam).

Vou começar a culpar os outros a partir de agora.
Vou parar de ligar para minha mãe todo dia.
Vou começar a usar cueca a partir de agora.
Vou parar de levitar a partir de agora.
Vou começar a fazer caretas para estranhos novamente.
Vou parar de beber tequila todo dia.
Vou começar a beijar estranhos agora mesmo.
Vou parar de cair na porrada com meu gato todo dia.
Vou começar a usar sabão novamente.
Vou parar de falar com os mortos a partir de agora.

11.1.06

Hugo para principiantes

Que o Laerte é o melhor autor de tirinhas do país não é novidade, tampouco que ele é versátil como político brasileiro. Ainda assim, o álbum Hugo Para Principiantes foi uma boa surpresa.

Assim como os "Piratas do Tietê", "Hugo" acabou abrangendo muito mais que sua proposta inicial (se não me engano, ele foi criado pro caderno de informática da Folha). Mas se o "piratas" virou um rótulo bem "universal", Hugo ainda é basicamente (mas não somente) "o mané com computador", sendo um personagem que tem tudo a ver com a internet e, conseqüentemente, com os internautas.

E se Overman e os Gatos são meus personagens favoritos do Laerte, o Hugo é o que mais diretamente faz graça da nossa relação mítico-religiosa com o computador (essa caixa mágica a qual nos apegamos sem motivo).
Separei abaixo três tirinhas que mereciam comentários.


Pessoas com índole violênta conhecem bem o poder de persuasão de um martelo.

Nunca imaginei que um coroa como o Laerte uma dia faria uma (boa) piada com o Pikachu. Surpreendemte!

Depois do último post, foi bom ler essa tirinha e ver que não sou o único que une de forma ridícula tramas pré-existentes.

10.1.06

Strong as Kieth can be

O Ministério da Saúde adverte: muito sol na cabeça pode causar sonhos bizarros.
Um estúpido homem-macaco encontra uma misteriosa rainha da selva e seu enorme guardião roxo.
Se fizessem um filme/longa animado sobre isso, seria sucesso garantido. Quem não pagaria pra ver algo assim?

9.1.06

Resoluções (atrasadas) para 2006

Droga, não ganhei na Mega-Sena! Portanto, o blog continua.
Segue a lista das coisas que provavelmente não conseguirei fazer em 2006.

1. Ganhar algum dinheiro.
Não importa como, desde que não seja ilegal. Pode ser trabalhando (ARGH!), mas não teria problema se fosse uma herança que um tio zilionário do futuro de outra dimensão deixou pra mim.

2. Aproveitar melhor o tempo.
Um repeteco mais que justificável. Se o dia tem 24 horas, tem alguém com mais, porque no meu tem cada vez menos. E, por favor, sem palhaçadas do tipo "reengenharia do tempo", que inventaram pra você bater ponto não só no trabalho, mas em casa também.

3. Desistir de enfiar juízo na cabeça das pessoas.
Ainda vou acabar levando um tiro por causa disso. Sério.

4. Ler os "clássicos".
Esqueça o "cânone ocidental", meus clássicos são bem pessoais. Já consegui algumas fontes interessantes tanto de literatura quanto de quadrinhos. Conforme for lendo durante o ano, vou recomendando a vocês.

5. Ver os "clássicos".
2005 foi um dos anos que estive mais "afastado" dos filmes, seja cinema, VHS ou DVD. Mesmo que ausência tenha sido por uma boa causa (ou pelo menos uma causa "necessária", já que não se pode dizer que a monografia é uma coisa boa), a lista de "sempre quis ver esse filme" só cresceu. Pra este ano, menos pipoca, mais mofo de VHS.

6. Escrever é preciso. Publicar não é preciso.
Estou mesmo enferrujado. Textos como este demoram a ser escritos e ainda passam por inúmeras revisões. Acho que é hora de tentar ser um pouco mais cru, menos elaborado. Largar um pouco o vício do editor de texto e do hipertexto.

7. Ser mais exigente com meus amigos.
Não sei se é a idade, mas tenho sido menos crítico em relação aos atos das pessoas à minha volta. Detesto ser complacente com os outros, pois não quero que sejam comigo.

8. Criar uma rotina de exercícios.
Três dificuldades aí. Exercício já não é uma palavra agradável. Rotina é algo que não consigo fazer dar certo. Implícito, há o tempo, sempre escasso. Mas a idade vai chegando e é melhor tentar que ficar parado.

9. Aprender algo novo.
Não importa que seja uma profissão, uma língua ou um jogo de cartas, desde que tenha alguma importância prática. Já passei da cota de cultura inútil e conhecimentos gerais.

10. Ganhar na Mega-Sena acumulada.
Porque a esperança é a penúltima que morre.