17.11.05

Vá embora! Nerd trabalhando!

Sei que não atualizo isso aqui com muita freqüência, então poderia sumir e ninguém saberia, mas pra ninguém ficar vindo aqui à toa (acreditem, existem malucos que fazem isso!), tô avisando que estou ocupado com a monografia e, salvo alguma emergência, só volto depois do dia 8, no mínimo.

Me desejem sorte.

Superidiotice

"Superman Returns, dirigido por Bryan Singer será lançado em 30 de junho de 2006 nos Estados Unidos. Por aqui, estréia quinze dias depois, em 14 de julho."

O trecho acima foi retirado do Omelete. Não sei se essa data já foi divulgada faz tempo, mas só vi hoje. E achei uma droga. Não pela espera em si, mas pela decisão idiota da Warner de só lançar o filme por aqui 15 dias depois. Talvez tenham pensado em aproveitar o auge das férias escolares, o que também é idiota, já que o filme tem fortes chances de ser líder de bilheteria por várias semanas.
Mas o pior mesmo vai ser agüentar os camelôs vendendo DVD pirata do filme 15 dias antes do filme. E como é um grande blockbuster, todos eles terão o DVD e todos ficarão gritando "olha o superméin!" sem parar durante 15 dias. Duas semanas. Que encheção de saco! Obrigado, Warner.

E antes que alguém pergunte, não, não vou comprar o DVD pirata ou baixar o filme e sim, vou ver no cinema, de preferência sabendo o mínimo possível sobre o filme, como foi em Batman Begins.

6.11.05

Cadernos de Viagem - Sol, suor e ladeiras

Pensei em encerrar essa série antes mesmo de chegar a falar de alguma cidade. Talvez porque a primeira delas tenha sido a pior. Bem ou mal, o avião e os aeroportos foram divertidos. Lisboa, na maior parte do tempo, significava uma das três coisas do subtítulo acima. Às vezes as três. Mas continuo escrevendo na esperança de que seja instrutivo para futuros viajantes.

Primeira coisa que notei assim que pisei em solo português: a Europa não é fria no verão. Pelo menos não o lado ibérico. Pode parecer óbvio afirmar isso, mas recebi informações antes de viajar que diziam "não leve roupas de calor pois NUNCA faz calor na Europa". Não acredite nisso. O verão ibérico equivale ao verão do litoral brasileiro. O calor de Lisboa é sufocante. Por causa do sábio conselho que recebi, passei alguns dias de calor na capital portuguesa.

Outro fato notável logo na chegada é um certo problema relacionado aos transportes. Não que eles sejam ruins. Pelo contrário, a rede de autocarro (ônibus), elétrico (bonde), metro (metrô), trem e barco é bem coerente e cobre praticamente todos os cantos da cidade. O problema é que os bilhetes de ônibus são picotados por maquininhas para validar a passagem. E tanto nos ônibus quanto no metrô, você continua com o bilhete (inútil) depois de utilizado. Isso gera dois tipos de lixo: os picotes no chão dos ônibus e os bilhetes jogados em qualquer canto próximo a estações de metrô e pontos de ônibus. É uma sujeira muito menor do que a vista por aqui, mas fica bastante evidente numa cidade tão limpa. O que me leva a perguntar porque ainda não implantaram um sistema mais moderno. Por que insistir no método lusitano (em qualquer sentido)?

Ainda assim, estamos na Europa. E isso quer dizer "modos europeus". Para alguém acostumado a ver o sinal vermelho ser ignorado, é inacreditável testemunhar motoristas vindo em alta velocidade (porque o asfalto não tem buraco) e diminuindo no sinal amarelo, mesmo sem nenhum guarda por perto. E, mais incrível ainda, nas ruas com faixa de pedestres e sem semáforo, basta chegar perto da beira da calçada para que os carros parem. E alguém acha que o motorista fica com raiva de ter que esperar a pessoa atravessar? Ou ainda, que eles fazem aquele olhar complacente de "estou te deixando atravessar porque sou bonzinho"? Nada disso. Eles param porque devem parar e pronto. Um pensamento estranhamente coerente. De ruim no trânsito, só os semáforos lusitanos (ô chiste irresistível!), nada intuitivos, deixando quem não está acostumado com eles totalmente perdido.

A coisa mais incômoda de Lisboa são as ladeiras. Você sabia que a cidade é cheia delas? Pois é, viajei sem saber disso. E pelo visto, o nosso guia de ruas também não sabia. O mapa do guia indicava que uma rua terminava em outra, mas não indicava a ALTURA das ruas. Ao chegar no ponto indicado, a rua em que estávamos terminava no alto de uma ladeira e podíamos ver a rua em que queríamos entrar bem na nossa frente... lá embaixo. Ou seja, o mapa 2D não era suficiente pra uma cidade onde os caminhos devem ser pensados em 3D. Falta um eixo nesse plano. E isso fez com que nos perdêssemos várias vezes, tanto de dia quanto de noite. Alguns podem dizer que se perder é divertido, mas é difícil pensar assim quando errar um caminho significa subir e descer o dobro de ladeiras.

A geografia peculiar da cidade acabou popularizando um carrinho que não tem nada de mais, mas é ótimo pra subir ladeiras. E ainda ocupa pouco espaço. No resto da Europa ele também pode ser visto, mas existem tantos desses carrinhos em Lisboa que não é difícil ver dois ou três em seqüência, como vocês podem ver aqui.

E tome ladeira pra tudo quanto é lado. Pra chegar no miradouro (mirante) mais bacana da cidade, é uma trilha só de subida. O resultado é que antes de tirar as fotos, todo mundo dá uma descansada de cinco minutos pra recuperar o fôlego. E depois de cada passeio, ainda tínhamos que subir a ladeira onde ficava o hotel, que não é longa, mas é muito íngreme e parecia ainda pior com o cansaço do fim do dia.

O hotel em si não era lá essas coisas. A relação custo-benefício não foi das mais vantajosas (ainda mais considerando que Lisboa foi a cidade mais barata da viagem) e a dona do estabelecimento tinha boa vontade, mas era meio lusitana (desculpem, não resisti!) e sempre esquecia de nos avisar alguma coisa. Em geral, o povo português é bastante educado, mas bem objetivo. Muito diferente da detestável "cordialidade interessada" do brasileiro.

A língua é uma das coisas mais fascinantes. É estranho ver que falamos o mesmo idioma e línguas completamente diferentes ao mesmo tempo. O ritmo, o vocabulário, é tudo diferente. Mesmo assim, depois de umas quatro horas na cidade, começamos a falar como os lisboanos. É inevitável.

Às vezes as diferenças na fala geram confusão. Termino de pedir meu lanche na McDonalds (é, lá é feminino), o atendente aponta com a mão aberta para a pessoa atrás de mim e diz em voz alta "faz favor!". Entendo aquilo como "faça o favor de sair da frente que tem gente esperando!" e me desloco pro lado. Mas no mesmo segundo o cliente apontado começou a fazer seu pedido. Aí compreendi que a expressão queria dizer algo como "o próximo, por favor!". Confirmei mais tarde ao ver que os caixas de supermercado também usam a mesma expressão pra chamar o próximo da fila.

Falando em lanche, a comida tem lá as suas diferenças e não é só nos temperos. Logo de cara, um dos motivos de estranhamento foi que os salgados que geralmente levam presunto lá são feitos com fiambre. Hein? É, fi-am-bre. Até pensei que fosse presunto com outro nome, mas fiambre é "um presunto mais insosso", segundo a garçonete lisboeta que fez a gentileza de explicar a comida pros brasileiros ignorantes. Fiquei achando que era uma carne que só se achava por lá, pois nunca tinha ouvido falar disso, mas já vi que também vendem fiambre nos mercados daqui, só não é muito popular. Questão de gosto.

Ao contrário do que pode parecer pelo que escrevi acima, não tivemos uma convivência intensa com os alfacinhas. Na verdade, a população nativa da faixa 15-40 anos parecia ter fugido da cidade. Provavelmente foram curtir o verão no litoral, e com razão. Junte a isso o fato de que boa parte da cidade estava em obras e o resultado é que Lisboa parecia uma cidade fantasma enquanto estivemos lá. As pessoas jovens que vimos eram todos turistas, geralmente escandinavos ou italianos. <parênteses>Os italianos são um tipo de "argentinos europeus". Ou, como todo argentino pensa que é europeu, os italianos são os argentinos que deram certo. Interprete a última frase como quiser.</parênteses> Isso porque Portugal é o Paraguai da Europa (esse texto é um festival de péssimas analogias), pois tem as mesmas coisas que nos outros países, só que mais barato. Portanto, é o destino de mochileiros europeus sem noção. Com a cidade invadida por turistas e sem lisboenses à vista (principalmente de noite), acabamos virando "guias não-oficiais" pra algumas pessoas, pelo simples fato de conseguirmos entender as placas em português. É uma sensação estranha quando alguém que provavelmente é mais letrado que você fica profundamente grato por você ter lido uma frase simples escrita num ponto de ônibus.

Nos museus, não há do que reclamar. Impressiona como eles são mais preparados para receber visitantes que os daqui. E isso é um padrão que se repete por todos os museus europeus que visitamos. Um muito bacana que visitamos foi o Calouste Gulbenkian, pertencente à fundação de mesmo nome. Pelo que li, o Gulbenkian era um tipo de Roberto Marinho do Bem, e sua fundação promove diversas iniciativas ligadas à educação. No museu estão as obras que eram da coleção particular do ricaço, passando por diversos tipos e épocas de arte. Um dos destaques é esse famoso quadro do Manet. O interessante de visitar uma coleção particular, mesmo uma extensa como a do Gulbenkian, é que é possível perceber que há um certo critério para a escolha das obras (teoricamente são aquelas que o velhinho endinheirado mais apreciava), ao contrário de museus dedicados ao trabalho de um único artista ou de museus nacionais, onde encontramos algumas obras ótimas e outras de menor qualidade.

A impressão final que tive de Lisboa foi de um genuíno reconhecimento ao povo português por ter construído uma cidade tão civilizada num espaço geográfico tão ruim. Mas esse detalhe me fez entender um pouco porque essa gente gostava tanto das chamadas Grandes Navegações. Basicamente, qualquer um que vivesse numa cidade dessas tende a pular no primeiro barco rumo ao desconhecido.

1.11.05

Reencontros

Um dia estranho. E corrido. Estranho porque corrido, talvez. E correndo de um lado pro outro, reencontrei pessoas do passado. Algumas a uma década de distância, outras do outro dia mesmo. Algumas me viram, outras não, uma com certeza fingiu não ver. Uns falaram comigo, falei com outros, mas nem todos (afinal, era o dia da correria).

Engraçado que alguém tenha sido tão próximo e agora a proximidade parece tão distante, algo de outra vida, a vida de outra pessoa, uma que você viu num filme, quem sabe.

Enquanto outros surgem das névoas poluídas da memória, a incógnita como nome ("Era com R? Ou com M?"), alguém que não é um amigo e não é um estranho, alguém simplesmente legal. Daí vem a lembrança da (única) risada que já dividiram e todo aquele desejo de "legaltevercomovocêtátásumidotudodebompravocê" pra alguém que você mal conhece é resumido numa exclamação que escapa antes que se perceba "CARA!". E só.

Adeus, vidas tangenciais. E até amanhã.

Eles SOOOOMEM

Desde moleque, adoro ilusões de ótica. Elas são uma das evidências de que ciências (a Física, no caso) podem ser divertidas. Roubei essa aqui do Castrezana. Pra quem não entende inglês, a parada é a seguinte: se você olhar fixamente pra cruzinha preta no meio dos pontos rosados, os pontos desaparecem. Simples assim.
Você tá lá e eles de repente... SOMEM.
Bacana, não?
Agora experimenta olhar pra cruzinha até os pontos sumirem e depois, sem mudar o foco da visão, dar uma piscada forte. Eles VOLTAM.
Ok, é idiota. Mas é bacana assim mesmo.