3.10.05

Cadernos de viagem - Ainda indo

No avião, um desconforto surpreendente. Meu pensamento equivocado era de que a classe "turística" de um vôo internacional teria melhores acomodações. Mas as cadeiras eram apertadas, talvez mais que das companhias nacionais. É claro que pode ser só impressão, já que minha viagem aérea anterior havia sido 25 quilos atrás.

Outro incômodo eram os próprios passageiros, gritadores, espaçosos e desastrados, uma combinação capaz de causar desastres. "Brasileiros", vocês podem pensar, como pensei. E estava errado. Em parte. Obviamente os brasileños são barulhentos e "amigáveis", mas pessoas mal-educadas não escolhem nacionalidade, então também fui atingido por cotovelos espanhóis e... italianos. E foi somente o primeiro de vários contatos - todos desagradáveis - que tive com os moradores da bota durante a viagem.

Depois de acomodado (na medida do possível), fui conferir o guia de programação. O vôo teria dois filmes, algo até então inédito pra mim. O primeiro era um filme americano chamado "Fever Pitch", o título original do livro "Febre de Bola" do Nick Hornby. "Claro, lembro que li que já adaptaram esse filme." Esperava um filme sobre futebol com atores ingleses. Estranhamente vi na tela o nome de Drew Barrymore e um estádio de beisebol. "ah, então deve ter sido só coincidência de nome." E como se respondesse, aparece na tela um "based on a novel by" e o já citado autor inglês. Ah, então é uma segunda adaptação, dessa vez "americanizada", do livro do Hornby. Ok, já haviam feito isso com o Alta Fidelidade, descaracterizando a trama ao mudar o cenário de Londres para Chicago. Mas ainda assim não poderia ser nada recente, pois já teria passado nos cinemas brasileiros. Só ao voltar descobri que era mesmo um filme recente e que não havia nem estreado por aqui.

Acabei vendo o filme. Aqui saiu com algum nome de sessão da tarde, tipo "O jogo do amor" ou coisa assim. Tem a Drew e o Jimmy Fallon, que não é brilhante, mas faz a sua parte. E é uma comédia romântica bem conduzida, tendo os seus bons momentos. Recomendo pra quem não tiver nada pra fazer ou nenhum lugar pra ir, como era o caso. O segundo filme era uma comédia espanhola que não vi por motivo de sono maior. Só sei que também era recente, pois está passando no Festival do Rio agora.

Finalmente chegamos... na Espanha! Esqueci completamente, mas o primeiro lugar em que pisaria fora do Brasil não seria Lisboa, mas Madri, para fazer a escala. E o contato com essa terra estrangeira não poderia ser melhor. Uma cidade plana a perder de vista, que das vastas janelas do aeroporto parecia um horizonte infinito. Pra completar, estávamos lá nas primeiras horas da manhã, vendo o céu arroxeado clarear até que de trás das colinas saísse um sol de desenho animado trazendo as primeiras luzes do dia.

Depois de alguns contratempos com passageiros que ainda não entendiam qual seria a misteriosa função do detector de metais, estávamos no sucatão que nos levaria a Portugal. Apesar do embarque tranqüilo (poucos passageiros), a aparência do avião e os estranhos sons que ele fazia eram preocupantes, mesmo que o vôo fosse curto. Mas não foi dessa vez que entrei nas estatísticas de acidentes aéreos e chegamos sem problemas em solo português.

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