29.9.05

Não é fone de ouvido, é headphone!

Depois dos lendários Batman Feira da Fruta e O Destino de Miguel, chega agora outro filminho com dublagens engraçadas. Batizado como "Star Wars Feira da Fruta", o pequeno vídeo faz graça com os primeiros minutos do filme de 77. Não está no mesmo nível dos anteriores, mas tem algumas frases memoráveis.
Para baixar o vídeo (ATENÇÃO: NSFW), clique aqui.
Peguei do Castrezana.

Provando o gosto do chá


Não tem muito o que dizer a respeito de O Gosto do Chá que ela já não tenha dito.
Só quero acrescentar que é um daqueles filmes que mostra que um bom filme não precisa ter necessariamente um fio condutor; ele te ganha pela colagem de momentos isolados, mais do que pela história de cada personagem. É um filme que pode te deixar com lágrimas nos olhos e logo depois te fazer explodir numa gargalhada. Deve entrar no circuito do Estação em breve. Ah, e foi dirigido pelo diretor da parte em anime de Kill Bill.

28.9.05

Cadernos de viagem - A Ida

Pensei muito em escrever ou não sobre a viagem. Poucas coisas são mais chatas que aquele amigo que te chama pra mostrar os 1500 slides de uma viagem de 10 dias. Além disso, a experiência da viagem é única, pessoal e intransferível, então por que contar? Por que uma história (real ou fictícia) é contada, afinal de contas? Entre as infinitas respostas, dois pontos parecem ser comuns na maioria das justificativas: interesse e aprendizado.

Conclui que contar um pouco da viagem, talvez de forma ligeiramente impessoal, pode ser de alguma valia pra quem desejar fazer aventura parecida. Além disso, há passagens claramente atraentes (cujo interesse espero conseguir transpor para o texto). Então essa é a minha tentativa de contar sobre uma pequena aventura por terras desconhecidas durante ¾ de lua. Espero que gostem.


Nunca achei interessante a idéia de acampar. Por isso mesmo, jamais tive uma daquelas mochilas enormes usadas por praticantes desse tipo peculiar de masoquismo. A primeira surpresa ao experimentar uma dessas foi justamente a leveza da coisa, o que faz todo o sentido, se pararmos pra pensar. Mesmo depois de cheia, a mochila ainda era um peso suportável e podia ser levada nas costas sem maiores problemas. Ajudava nisso o conteúdo, volumoso e leve, sendo a maior parte de roupas de frio, pois recebemos a informação de que o verão europeu é mais frio que a nossa concepção de inverno. Um grave erro, que mais adiante nos custaria muito.

A documentação foi outro problema. Se burocracia fosse esporte olímpico, era medalha garantida (mesmo com a apuração das notas dos juízes só terminando às vésperas da Olimpíada seguinte). Deve existir alguma lei que diz que os documentos só são emitidos quando a pessoa já voltou tantas vezes no mesmo lugar que o segurança já a cumprimenta pelo nome como se fossem amigos de infância. Programe-se para ter nas mãos tudo de que precisa três meses antes de realmente precisar, assim o último documento indispensável deve ficar pronto horas antes de partir.

No dia da viagem, acordar cedo, uma carona interminável até o aeroporto ("são vocês ou somos nós que estamos viajando?"), despedidas desnecessariamente demoradas, vistoria de documentos ("tem certeza de que você é você?"), pessoas com dificuldade pra entender que um detector de METAIS apita quando você passa carregando metais, um saguão lotado de gente espremida perto do terminal de embarque como se quisessem pegar um bom lugar no avião (sendo que o lugar é previamente escolhido e vem escrito na passagem) e, enfim, o avião.

Dentro da nave, cadeiras apertadas da classe "turística" (que antes era "econômica", o que fazia mais sentido), passageiros que já guardaram as bagagens passeando pela aeronave enquanto outros ainda estão embarcando, homens de 50 sem a mínima discrição procurando moças de 18 com quem possam conversar (ou pelo menos "esbarrar por acaso") durante o vôo. Depois que todas as velhinhas com malas pesadas demais e todos os bebês de incrível capacidade pulmonar entraram, veio o calor.
O avião parado na pista, sob o sol, todo desligado.
O casaco irônico na mão, gotas pingando do rosto.
Depois de 15 minutos de sauna forçada, algum sinal de que estávamos em um veículo.
Saímos do chão ainda levando o calor carioca conosco.