4.5.05

Nem Herbert George faria melhor

Já comentei aqui algumas vezes sobre o "poder" de invisibilidade, mas parece que debaixo da terra isso fica ainda mais evidente.
Primeiro uma garotinha que batia no meu joelho quase fez isso literalmente. A guria vinha correndo pela estação, seguida à distância pela descuidada mãe (uma guinada repentina pra esquerda [lei da Física: crianças são objetos móveis com trajetórias imprevisíveis] e ela caía nos trilhos), direto em minha direção. Desviei quando a menina chegou perto, achando que o pequeno projétil mirava a perna, mas a desgovernada criança continuou reta e serelepe como se nada houvera em seu caminho.
Minutos depois, um homem de sobretudo (aliás, não faz sentido algum usar sobretudo numa cidade cuja temperatura mais baixa fica em torno de 18°C), magro e alto (tão magro e tão alto que parecia aqueles desenhos animados em que uma criança sobe no ombro da outra e se "disfarçam" de adulto usando o sobretudo), lia uma revista qualquer enquanto caminhava, desviando das pessoas por reflexo, sem tirar os olhos da leitura. Só que o tal "reflexo" não funcionou quando o homem-poste esbarrou em alguém que não estava lá um segundo antes, segundo seus sentidos. O apressado pedido de desculpas que recebi passou despercebido diante do rosto atônito do friorento passageiro que seguiu andando e lendo.
E o homem-quase-invisível continuava lá, esperando o transporte e não ser mais importunado.

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