29.4.05

Auto-ajuda para intelectuais

"Tudo que recebemos vem dos outros. Ser é pertencer a alguém." - Jean-Paul Sartre (mas poderia ser Ana Maria Braga)

Depois perguntam por que não concordo com a "linha de pensamento" do meu quase xará...

26.4.05

De volta ao planeta dos macacos

Nesse período meio afastado da internet, vi e li coisas muito interessantes por aí. Ressalto que "interessantes" não quer dizer "boas", como os caros leitores poderão perceber mais adiante.

Antes de tudo, um comentário meio atrasado. Um telejornal qualquer mostrava as pessoas eufóricas, batendo palmas e gritando para a tal chaminé do conclave que escolheria o novo papa. Na hora, o pensamento que passou pela cabeça foi que aquilo seria o equivalente a Papai Noel pra adultos ingênuos. "Sacadinha" previsível, já que o Tutty Vasques fez uma piada usando a mesma comparação.

A situação econõmica do país tá complicada. Mesmo os lugares que vendem até a mãe em suaves prestações a perder de vista não estão mais conseguindo embutir os juros sem ficar no prejuízo. Assim, os juros são inevitáveis, mas como dizer isso? Nessas horas, a cara-de-pau dos marketeiros é a solução. Num comercial recente, o mala das Casas Bahia anunciou "tudo em 12 vezes quase sem juros" (grifo meu). Ou seja, "nós dissemos que tem juros; se você só ouviu a parte onde se dizia 'sem juros', é problema seu". Mais eufemístico, impossível.

Um comunicado a todos os leitores que enviam e-mails. Tá, ninguém faz isso. Mas os nove leitores habituais (são nove mesmo, acreditem ou não!) já podem mandar suas longas missivas para o novo-ex-quase-mail. Todos os e-mails serão lidos, exceto os "enlarge your penis", "trabalhe em casa", "get cheaper viagra" e "biblioteca jurídica em CD".

Uma pergunta final pros gibizeiros das antigas: alguém sabe que fim levou a Contraterra?

17.4.05

Frases que valeram o preço da Wizard #19

Grant Morrison (sobre Superman All-Star, escrita por ele) - "Esse vai ser o maior título do Super-Homem de todos os tempos, e os fãs de quadrinhos vão cair de joelhos e agradecer aos deuses por poderem viver pra ver isso... na minha humilde opinião."

Scott McCloud (uma das principais vozes na vanguarda dos webcomics) - "Eu costumo brincar que descobri o emprego perfeito pra mim. Mas ele não existe, porque a indústria na qual ele está inserido ainda não existe. Então, em vez de largar tudo e ir embora, resolvi lutar para criar essa indústria e poder ter meu emprego."

Michael Chiklis, O Coisa (ao ser peguntado sobre como conseguiu o papel que disse ter nascido pra fazer) - "Ao conhecer Avi Arad em um evento cerca de dois anos atrás, eu olhei bem nos olhos dele e disse: 'É um prazer conhecê-lo, senhor. Ben Grimm."

Jeph Loeb (sobre o estilo de escrita de Brian Bendis) - "Você quer fazer um crossover entre Batman e Demolidor? Não quero ler 48 páginas com dois caras sentados numa caverna conversando."

Brian Bendis (sobre a reforma nos títulos de Thor, Vingadores, Capitão América e Homem de Ferro) - "Seis meses atrás, numa reunião na Marvel, nós dissemos: 'Esses títulos estão uma merda; o que vamos fazer pra consertá-los? O que é legal no Homem de Ferro? Por que publicamos a revista dele?'. Tivemos esse tipo de discussão. Daí fomos até Warren (Ellis) e dissemos: 'Muito bem, está a fim de fazer um gibi sobre um cara e seu brinquedinho?'. E ele respondeu: 'Caralho! Lógico!'."

Jeph Loeb - "Como fãs, todos temos a mesma dúvida: quando o Ultiverso vai encontrar o Universo Marvel? Sabemos que vai acontecer. Vocês podem se sentar aí e dizer 'não vai', mas vai, sim. E sabem disso."
Mark Millar - "Eu pensava assim até perceber que a Marvel estava vendendo a mesma coisa duas vezes. É brilhante. Eles nunca vão deixar isso acontecer enquanto puderem lucrar com as revistas dos Supremos e dos Vingadores concomitantemente."

Este post não foi patrocinado pela Panini Comics.

16.4.05

Pensamentos imbecis que passam pela cabeça ao se locomover por baixo da terra (e o título é grande mesmo, tem até parênteses)

- Essas traduções de filmes ficam piores a cada sexta-feira. Daqui a pouco, vai acabar aparecendo numa legenda qualquer a expressão "os quatro jóqueis do Apocalipse".

- Se um amigo rouba aqui de casa o fantástico crossover "Badrock e Wolverine", devo deixar de falar com ele por ter me roubado ou por ele ter um tremendo mau gosto?

- Fico espantado com essa discussão em torno do argentino que chamou o Grafite de negrito. Será que falariam tanto se um jogador inglês tivesse chamado o cara de bold?

13.4.05

Frase do dia (com comentário)

"Poucos anos atrás o típico publicitário bem sucedido era dono de um vasto ego cheio de certezas. Hoje, tem um vasto ego cheio de dúvidas." - Marcos Sá Correa, no site NoMínimo

É bom saber que certas coisas não mudam.

1.4.05

Quando a ambigüidade vence a ironia

Um oficial da PM em entrevista a um telejornal esportivo: "No dia do jogo, nós daremos tratamento especial aos cambistas".
Interprete como quiser.

JP ou anti-JP?

"A Bilbioteca [sic] Nacional [francesa] oranizou [sic] uma grande exposição para comemorar o centenário de nascimento de Jean-Paul Sartre. É uma exposição de fotos, edições antigas e manuscritos. Até aí, nada demais. Só uma observação, quanto a expor fotos do filósofo: Sartre era feíssimo. Vesgo, com pouco mais de um metros [sic] e meio de altura, barrigudinho, cabelos ralos (que lhe provocaram uma crise existencial quando começaram a cair, antes dos quarenta anos), ele estava longe de qualquer padrão estético dominante. Para piorar, os biógrafos do filósofo, e mesmo Simone de Beauvoir, informam que Sartre não era chegado num banho. No entanto, em relação às mulheres, era um sedutor irresistível. E tinha um talento monumental para administrar vários casos, ligações, romances e paqueras simultâneos."

O texto acima (com erros que espero serem de revisão) é de Mario Sergio Conti, para o site NoMínimo.

Devo ser um tipo de Anti-Sartre. Quase todos os nossos atributos são opostos, exceto o fato de sermos igualmente feios e termos ambos uma Simone a quem atormentar. Semelhanças compreensíveis, pois dizem que todo nêmesis é um reflexo do castigado.
O (pouco, admito) que conheço de sua obra é o suficiente para considerá-la a mais refinada masturbação filosófica. O resultado, bem conhecido, é ter justificado a existência dos existencialistas que curtem o prazer do cigarro, mas não a preocupação com o destino da guimba, pois já não é mais a "sua responsabilidade".
Talvez o "herói intelectual do século 20" (palavras de Paulo Roberto Pires no mesmo site) tenha tido suas idéias deturpadas, como já aconteceu anteriormente com Nietzsche e os nazistas, por exemplo. De qualquer forma, Sartre serve como justificativa filosófica aos portadores de SUVs e Civics que conduzem carros e vidas acima da lei, desrespeitando semáforos e normas com a mesma hipocrisia com que levam suas relações unilateralmente abertas.

Sorte que não fomos contemporâneos, pois isso poderia causar uma Crise dos Infinitos Existencialistas. Tuh-dum cshhh!