31.3.05

Sonho e controle

Por um motivo qualquer, derrubo o controle remoto da TV. É uma daquelas cenas em você vê o que está acontecendo, mas sabe que não vai dar tempo de evitar. O pequeno objeto cai no chão, mas não quebra, o que parece inacreditável. A única conseqüência é o compartimento de pilhas meio aberto. Coloco a tampa de volta e o controle remoto no lugar onde sempre fica e volto ao que fazia antes.

Outro momento. TV ligada, uma rápida zapeada, mas o canal não muda. Pressão maior no botão. A mudança ocorre, com dificuldade. O motivo? Ah, deve ser por causa da queda do controle remoto. Mas nada caiu. De onde veio essa memória de queda? De um sonho?! Se foi um sonho, por que o defeito no controle? Parece que coisas estranhas acontecem depois de ler as 75 edições de Sandman em 3 dias.

Ah, esse Daniel é mesmo um piadista.

29.3.05

Da série "Coisas que aprendi vendo TV"

Todos nós, amantes do sexo feminino, enfrentamos uma certa dificuldade nos dias de hoje pra encontrar uma fêmea que reúna um número mínimo de qualidades. Raríssimo então é encontrar uma mulher que seja bela sem ser vulgar e inteligente sem ser maçante. Uma mulher com quem você possa passar horas discutindo o uso da Luz Síncroton, mas que faça você esquecer seu próprio nome com apenas um sorriso. Sejam novinhas ou maduras, são mulheres bonitas e inteligentes como as Gilmore Girls, da série de mesmo nome. "Mas como um Zé Mané como eu vai conseguir uma companheira assim?", você pode se perguntar. Calma, José Manuel, a resposta está aqui. Acompanhando atentamente a série, reuni e transcrevo abaixo algumas dicas básicas para você aprender...

Como conquistar uma Gilmore Girl

Seja mais rápido nas piadas; Isso vale tanto pras que você conta quanto pras que você ouve. Gilmore Girls são notórias pela rapidez de seus diálogos e de suas associações de idéias. Por isso não se espante se ela fizer uma piadinha que envolva Joyce, Perdidos no Espaço e uma banda obscura da Finlândia.

Sirva café pra ela; Café é vital para uma Gilmore Girl. Servindo café pra ela, você será uma parte essencial de cada dia da vida dela. Intelectuais e motoqueiros vêm e vão; mas o café está sempre lá nos bons e nos maus momentos.

Leia os livros que ela recomendou, mas não conte; Como uma Gilmore Girl lê muito, ela certamente vai te indicar livros. Lots of books. Escolha o que mais te interessar, mas não deixe ela saber que você leu. No momento adequado de uma conversa qualquer, diga sem alarde algo que só quem leu aquele livro poderia saber. Ela vai concluir por si mesma (e com razão) que acrescentou algo na sua vida e vai ficar feliz por isso.

Não faça amizade com os pais dela; É empiricamente comprovado pela série: quem se dá bem com os sogros, perde a cônjuge. Fácil de explicar, já que geralmente a Gilmore Girl tem relações estremecidas com os pais, pois no passado não quis ser a "princesinha" da casa.

Seja teimoso quando necessário; Se uma mulher inteligente quisesse um ser que obedecesse todas as vontades dela, ela teria um cão. Pessoas inteligentes gostam de ser desafiadas. Entretanto, a Gilmore Girl sempre acaba ganhando qualquer discussão, pois os argumentos dela são tão bons quanto os seus, mas você se perde apreciando o jeito como ela fica linda quando está com raiva.

Não tente comer a mãe/filha dela; Essa dica parece idiota, e é. Mas tem muito idiota pelo mundo, então esse conselho pode ser útil. Se acontecer como na série e a sua Gilmore girl tiver uma mãe inteirona ou uma filha interessante, tire quaisquer segundas ou terceiras intenções de sua mente. Primeiro porque elas não são burras e vão perceber. Segundo que esse negócio de se envolver com mãe e filha é coisa de novela da Globo, comprovando que é mesmo uma idéia idiota.

27.3.05

Frase do dia (especial de Páscoa)

"Why are you wearing that stupid man suit?" - Frank, em Donnie Darko

17.3.05

Frases surdas para ouvidos mudos

O Destino de Miguel tem tudo para se tornar o novo Feira da Fruta.

16.3.05

As aventuras nada fantásticas de Lola

Não sei se por acaso ou afinidade, com o passar dos anos conheci muitas meninas/mulheres "desmioladas". Incluam nessa definição as distraídas, as lerdinhas, as disléxicas e as que são burrinhas mesmo, coitadas. Todas elas, é claro, possuem uma história interessante. Pra protegar o nome de cada uma e pra juntar todas em uma só, surgiu essa personagem chamada Lola. Ela pode ser imaginária, mas suas histórias são bem reais.

História de hoje: "O problema do transporte público"

Lola e seus amigos esperavam pelo ônibus que os levaria a uma festa. Ao ver um ônibus que se aproximava, Zequinha (os amigos de Lola têm os nomes das piadinhas que a gente ouvia na escola) inicia o diálogo.
Zequinha: - Será que esse ônibus serve?
Lola: - Não serve, não! Esse vai pra Praça "Xis-Vê"!
Uma amiga corrige: - É "Praça Quinze", Lola!
Lola: - Foi mal, gente! É que tava escrito em mosaico!
Amigos em coro: - PQP, Lola!

E chega de Lola por hoje.
Em breve ou nunca mais, uma nova aventura.

15.3.05

Frase do dia

Um velho chinês certa vez disse: "Um psicólogo é alguém que cobra por algo que um amigo faria de graça".

12.3.05

Visitas não, leitores sim: esse é o mantra

Parece que alguns ainda não perceberam, mas tô pouco me lixando pra visitas. Não que você que está lendo essas mal-traçadas linhas não seja bem-vindo. Pelo contrário, o lance aqui é puxar uma cadeira e bater um papo, seja pra concordar ou pra achar tudo uma grande besteira. Mas visitas são apenas números girando num contador.

Leitores são aqueles que voltam, aqueles que percebem uma pequena mudança (não necessariamente pra melhor) no teor do blog, aqueles que conseguem apontar quando um texto contradiz outro mais antigo. Leitores são os que voltam porque exercitam o sadismo ao destruir cada argumento do texto; porque apreciam os escritos, mesmo não concordando; porque têm o prazer masoquista de ler um texto que adoram detestar.

Por isso, insisto para que o caro leitor pare de vir todo dia, pois este não é um diário. Utilize um leitor de RSS/Atom (o Firefox tem um "de fábrica", mas recomendo o Sage) e seja avisado quando surgir algo de podre neste reino não-dinamarquês.

O Ex-quase-futuro, como o nome já mostra, não é nada específico. Pode ter reflexões sobre a vida (que pretensão!), chistes jocosos, poemas de pé quebrado, avaliações de livros/filmes/gibis (qualquer um é crítico hoje em dia!) ou textos herméticos e/ou incompreensíveis. O único critério é "não caber em outro lugar". Não por acaso, na descrição aqui ao lado este veículo é comparado a uma lixeira atemporal.

Acredito que a função de um texto é ser lido. Por muitos, por poucos, por um, não importa. Por isso esses textos estão aqui, não em um bloquinho. Acrescente aí os recursos da internet, como a exibição de links para um determinado assunto ou a utilização de imagens e taí o motivo para a gênese desta aberração.

O grande barato dos leitores é que eles existem. Se comunicar ou não, é opção deles. Feedback é um desejo, não uma necessidade. E nessa modalidade, prefiro o e-mail. Assim, o leitor pode fazer um longo texto abordando prós e contras, acertos e erros de toda a porcaria escrita aqui.

Comentários são uma solução para os preguiçosos. Surgiram por pedidos de leitores que queriam argumentar sobre o texto de forma mais curta e rápida. Mas foram colocados com uma série de limitações e podem sumir a qualquer instante.

Entretanto, seria ingenuidade achar que um blog é um ato altruísta de compartilhar ineditices com o mundo. Não há como negar que blog é sim uma ego trip, mas o tamanho dessa viagem varia de ego pra ego. Até onde sei, só embarca quem quer. E, no fim das contas, só o capitão afunda com o navio. Mulheres e crianças primeiro!

9.3.05

Ironia do dia

Voltar pra casa às 7 da manhã lendo Lolita em um ônibus cheio de colegiais.

8.3.05

Axxim não pode, axxim não dá

Sobre filmes em miguxês.
'Nuff said!

7.3.05

Uma xícara de verdade

Café é bom? É bom pra mim. Pode ou não ser bom pra você. Mas se achar ruim, que seja por suas próprias conclusões, não porque uma pesquisa científica declarou que café faz mal. Pois a ciência adora emitir postulados e vaticínios, mas, como sabemos, "la donna è mobile".
A verdade é como o café. (Será que é?) Boa pra uns, ruim pra outros. A verdade de uma situação pode ser diferente para cada um dos envolvidos. Uma questão de ponto de vista (ou seria de paladar?).
Por mais que os americanos gastem suas verdinhas tomando um café que eles acham delicioso, nós macaquitos pobrecitos tomamos em qualquer esquina o simples cafezinho de todas as manhãs, infinitamente mais saboroso do que aquilo que eles chamam de coffee.
Onde tem (café de) verdade aí? Temos verdades e cafés diferentes dos deles? Ou café é apenas café e não serve de analogia a coisa alguma?
Prefiro pensar que é melhor seguir com a verdade do que sem café. Enquanto isso continuarei preparando cafés e saboreando verdades. Ou seria o contrário?

5.3.05

Não

Não concorde com o que digo. Não aceite. Questionar. Pensar. É exatamente disso que se trata.

2.3.05

Produzindo agitações climáticas extensas em um recipiente com H2O

Não sou uma pessoa sociável. Não curto aglomerações. Fama e reconhecimento não me dizem nada. Dou muito valor aos meus livros, gibis e DVDs. Mas sei que isso não é tudo na vida.
E esse não é um daqueles textos que dizem "ande pela praia, veja os passarinhos, ame sua família". Pode ter certeza de que não é. Auto-ajuda não é pra mim ou pra quem me lê. Ninguém precisa ter amigos ou familiares que lhe dizem o quanto somos legais. Ou somos ou não somos. E sabemos disso.
Não vou dizer "feche o livro e vá viver a vida". Talvez se mais pessoas lessem livros, a vida se tornasse mais interessante, até um ponto em que as pessoas parassem de fugir para um livro. Sim, às vezes fugimos para os livros. Porque a vida parece maçante, porque o livro é mais emocionante. Mas sabemos que nenhuma sensação mediada substitui a sensação real. Isso faz a diferença.
As pessoas insistem em dizer que viver bem é "fazer algo ao lado de alguém". Discordo duplamente. Não é preciso "fazer algo", muito menos "com alguém", para viver bem. Viver é ser. Ser quem somos. Nada mais, nada menos. Qualquer coisa além disso é anúncio pra vender margarina. Para viver, não precisamos de drogas, bebidas, festas, família, amigos e (surpresa das surpresas!) também não precisamos de livros, gibis ou DVDs. Ter (ou usar) tudo isso não é viver. Ao contrário do que muitos pensam, a perda dessas coisas não é a perda da vida. Viver é ser, não ter. É pensar, não repetir. É agir, não assistir.
Então seja, pense, aja. Você começa sozinho e termina sozinho. Todo o resto são pedras e doces no caminho. Mas só você pode viver sua vida.