29.12.05

It's payback time

No fim do ano passado fiz uma lista de resoluções para 2005. É hora do acerto de contas (jogo rápido antes de viajar).

1. Fazer a monografia de conclusão de curso.
Feito. Aos trancos e barrancos, aos 46 do segundo tempo, mas feito. E que morra no inferno, maldita monografia.

2. Aproveitar melhor o tempo.
O fato de estar escrevendo o post correndo já prova que ainda não consigo administrar meu tempo.

3 e 4. Arranjar um trabalho que dê prazer e/ou grana.
Ainda não rolou, (in)felizmente. Não gosto do trabalho e ele não gosta de mim. E fica combinado assim.

5. Ler mais, ler melhor.
Li muito, mas com o objetivo de ter material de base para a monografia. Quando uma boa leitura vira trabalho, acaba ficando sem graça.

6. Amar mais as pessoas que amo. Ignorar quem? Sei lá, esqueci.
Acho que consegui a primeira parte. As pessoas de quem gosto sabem que gosto e o quanto gosto delas. Difícil é ignorar quem está errado, mesmo sendo amigos.

7. Escrever mais, sendo ou não publicado.
Mesmo se colocar a monografia na conta, escrevi pouco esse ano. Tô enferrujado. Esperem textos pra janeiro.

8. Escrever mais para esta lixeira de tempo.
Pouco lixo aqui em 2005. Espero um 2006 mais produtivo.

9. Ter mais contatos e menos amigos.
Essa passou longe.

10. Controlar melhor os gastos.
Gastei pouco, mas nas mesmas coisas de sempre. Triste...

11. Farejar as oportunidades.
Esse talvez tenha sido o maior acerto. O "sentido de aranha" está em dia.

12. Ganhar a Mega-Sena acumulada.
Ainda não, mas tem uma acumulada que sai dia 31. Se o blog sumir, vocês já sabem o porquê.

13. Ser menos supersticioso.
Depois de dizer que acredito que vou ganhar na Mega-Sena? Tsc...

É isso, tô partindo. Tentarei pensar em resoluções para 2006 ainda esse ano e publico semana que vem. Para os que ficam, Feliz Ano Novo.

27.12.05

Rir pra não chorar


A imagem acima é uma singela mensagem de Natal fazendo graça com um dos acontecimentos mais ridículos e covardes deste ano.
Nada como o humor pra expor o quão inacreditáveis são certas desculpas.

26.12.05

Sonhos natalinos

Um golias abobalhado, que tenta ajudar e acaba destruindo.
Uma mesa de pôquer eterna, onde as apostas são tempo de vida.
Efeitos colaterais da perigosa comida do Natal.

17.11.05

Vá embora! Nerd trabalhando!

Sei que não atualizo isso aqui com muita freqüência, então poderia sumir e ninguém saberia, mas pra ninguém ficar vindo aqui à toa (acreditem, existem malucos que fazem isso!), tô avisando que estou ocupado com a monografia e, salvo alguma emergência, só volto depois do dia 8, no mínimo.

Me desejem sorte.

Superidiotice

"Superman Returns, dirigido por Bryan Singer será lançado em 30 de junho de 2006 nos Estados Unidos. Por aqui, estréia quinze dias depois, em 14 de julho."

O trecho acima foi retirado do Omelete. Não sei se essa data já foi divulgada faz tempo, mas só vi hoje. E achei uma droga. Não pela espera em si, mas pela decisão idiota da Warner de só lançar o filme por aqui 15 dias depois. Talvez tenham pensado em aproveitar o auge das férias escolares, o que também é idiota, já que o filme tem fortes chances de ser líder de bilheteria por várias semanas.
Mas o pior mesmo vai ser agüentar os camelôs vendendo DVD pirata do filme 15 dias antes do filme. E como é um grande blockbuster, todos eles terão o DVD e todos ficarão gritando "olha o superméin!" sem parar durante 15 dias. Duas semanas. Que encheção de saco! Obrigado, Warner.

E antes que alguém pergunte, não, não vou comprar o DVD pirata ou baixar o filme e sim, vou ver no cinema, de preferência sabendo o mínimo possível sobre o filme, como foi em Batman Begins.

6.11.05

Cadernos de Viagem - Sol, suor e ladeiras

Pensei em encerrar essa série antes mesmo de chegar a falar de alguma cidade. Talvez porque a primeira delas tenha sido a pior. Bem ou mal, o avião e os aeroportos foram divertidos. Lisboa, na maior parte do tempo, significava uma das três coisas do subtítulo acima. Às vezes as três. Mas continuo escrevendo na esperança de que seja instrutivo para futuros viajantes.

Primeira coisa que notei assim que pisei em solo português: a Europa não é fria no verão. Pelo menos não o lado ibérico. Pode parecer óbvio afirmar isso, mas recebi informações antes de viajar que diziam "não leve roupas de calor pois NUNCA faz calor na Europa". Não acredite nisso. O verão ibérico equivale ao verão do litoral brasileiro. O calor de Lisboa é sufocante. Por causa do sábio conselho que recebi, passei alguns dias de calor na capital portuguesa.

Outro fato notável logo na chegada é um certo problema relacionado aos transportes. Não que eles sejam ruins. Pelo contrário, a rede de autocarro (ônibus), elétrico (bonde), metro (metrô), trem e barco é bem coerente e cobre praticamente todos os cantos da cidade. O problema é que os bilhetes de ônibus são picotados por maquininhas para validar a passagem. E tanto nos ônibus quanto no metrô, você continua com o bilhete (inútil) depois de utilizado. Isso gera dois tipos de lixo: os picotes no chão dos ônibus e os bilhetes jogados em qualquer canto próximo a estações de metrô e pontos de ônibus. É uma sujeira muito menor do que a vista por aqui, mas fica bastante evidente numa cidade tão limpa. O que me leva a perguntar porque ainda não implantaram um sistema mais moderno. Por que insistir no método lusitano (em qualquer sentido)?

Ainda assim, estamos na Europa. E isso quer dizer "modos europeus". Para alguém acostumado a ver o sinal vermelho ser ignorado, é inacreditável testemunhar motoristas vindo em alta velocidade (porque o asfalto não tem buraco) e diminuindo no sinal amarelo, mesmo sem nenhum guarda por perto. E, mais incrível ainda, nas ruas com faixa de pedestres e sem semáforo, basta chegar perto da beira da calçada para que os carros parem. E alguém acha que o motorista fica com raiva de ter que esperar a pessoa atravessar? Ou ainda, que eles fazem aquele olhar complacente de "estou te deixando atravessar porque sou bonzinho"? Nada disso. Eles param porque devem parar e pronto. Um pensamento estranhamente coerente. De ruim no trânsito, só os semáforos lusitanos (ô chiste irresistível!), nada intuitivos, deixando quem não está acostumado com eles totalmente perdido.

A coisa mais incômoda de Lisboa são as ladeiras. Você sabia que a cidade é cheia delas? Pois é, viajei sem saber disso. E pelo visto, o nosso guia de ruas também não sabia. O mapa do guia indicava que uma rua terminava em outra, mas não indicava a ALTURA das ruas. Ao chegar no ponto indicado, a rua em que estávamos terminava no alto de uma ladeira e podíamos ver a rua em que queríamos entrar bem na nossa frente... lá embaixo. Ou seja, o mapa 2D não era suficiente pra uma cidade onde os caminhos devem ser pensados em 3D. Falta um eixo nesse plano. E isso fez com que nos perdêssemos várias vezes, tanto de dia quanto de noite. Alguns podem dizer que se perder é divertido, mas é difícil pensar assim quando errar um caminho significa subir e descer o dobro de ladeiras.

A geografia peculiar da cidade acabou popularizando um carrinho que não tem nada de mais, mas é ótimo pra subir ladeiras. E ainda ocupa pouco espaço. No resto da Europa ele também pode ser visto, mas existem tantos desses carrinhos em Lisboa que não é difícil ver dois ou três em seqüência, como vocês podem ver aqui.

E tome ladeira pra tudo quanto é lado. Pra chegar no miradouro (mirante) mais bacana da cidade, é uma trilha só de subida. O resultado é que antes de tirar as fotos, todo mundo dá uma descansada de cinco minutos pra recuperar o fôlego. E depois de cada passeio, ainda tínhamos que subir a ladeira onde ficava o hotel, que não é longa, mas é muito íngreme e parecia ainda pior com o cansaço do fim do dia.

O hotel em si não era lá essas coisas. A relação custo-benefício não foi das mais vantajosas (ainda mais considerando que Lisboa foi a cidade mais barata da viagem) e a dona do estabelecimento tinha boa vontade, mas era meio lusitana (desculpem, não resisti!) e sempre esquecia de nos avisar alguma coisa. Em geral, o povo português é bastante educado, mas bem objetivo. Muito diferente da detestável "cordialidade interessada" do brasileiro.

A língua é uma das coisas mais fascinantes. É estranho ver que falamos o mesmo idioma e línguas completamente diferentes ao mesmo tempo. O ritmo, o vocabulário, é tudo diferente. Mesmo assim, depois de umas quatro horas na cidade, começamos a falar como os lisboanos. É inevitável.

Às vezes as diferenças na fala geram confusão. Termino de pedir meu lanche na McDonalds (é, lá é feminino), o atendente aponta com a mão aberta para a pessoa atrás de mim e diz em voz alta "faz favor!". Entendo aquilo como "faça o favor de sair da frente que tem gente esperando!" e me desloco pro lado. Mas no mesmo segundo o cliente apontado começou a fazer seu pedido. Aí compreendi que a expressão queria dizer algo como "o próximo, por favor!". Confirmei mais tarde ao ver que os caixas de supermercado também usam a mesma expressão pra chamar o próximo da fila.

Falando em lanche, a comida tem lá as suas diferenças e não é só nos temperos. Logo de cara, um dos motivos de estranhamento foi que os salgados que geralmente levam presunto lá são feitos com fiambre. Hein? É, fi-am-bre. Até pensei que fosse presunto com outro nome, mas fiambre é "um presunto mais insosso", segundo a garçonete lisboeta que fez a gentileza de explicar a comida pros brasileiros ignorantes. Fiquei achando que era uma carne que só se achava por lá, pois nunca tinha ouvido falar disso, mas já vi que também vendem fiambre nos mercados daqui, só não é muito popular. Questão de gosto.

Ao contrário do que pode parecer pelo que escrevi acima, não tivemos uma convivência intensa com os alfacinhas. Na verdade, a população nativa da faixa 15-40 anos parecia ter fugido da cidade. Provavelmente foram curtir o verão no litoral, e com razão. Junte a isso o fato de que boa parte da cidade estava em obras e o resultado é que Lisboa parecia uma cidade fantasma enquanto estivemos lá. As pessoas jovens que vimos eram todos turistas, geralmente escandinavos ou italianos. <parênteses>Os italianos são um tipo de "argentinos europeus". Ou, como todo argentino pensa que é europeu, os italianos são os argentinos que deram certo. Interprete a última frase como quiser.</parênteses> Isso porque Portugal é o Paraguai da Europa (esse texto é um festival de péssimas analogias), pois tem as mesmas coisas que nos outros países, só que mais barato. Portanto, é o destino de mochileiros europeus sem noção. Com a cidade invadida por turistas e sem lisboenses à vista (principalmente de noite), acabamos virando "guias não-oficiais" pra algumas pessoas, pelo simples fato de conseguirmos entender as placas em português. É uma sensação estranha quando alguém que provavelmente é mais letrado que você fica profundamente grato por você ter lido uma frase simples escrita num ponto de ônibus.

Nos museus, não há do que reclamar. Impressiona como eles são mais preparados para receber visitantes que os daqui. E isso é um padrão que se repete por todos os museus europeus que visitamos. Um muito bacana que visitamos foi o Calouste Gulbenkian, pertencente à fundação de mesmo nome. Pelo que li, o Gulbenkian era um tipo de Roberto Marinho do Bem, e sua fundação promove diversas iniciativas ligadas à educação. No museu estão as obras que eram da coleção particular do ricaço, passando por diversos tipos e épocas de arte. Um dos destaques é esse famoso quadro do Manet. O interessante de visitar uma coleção particular, mesmo uma extensa como a do Gulbenkian, é que é possível perceber que há um certo critério para a escolha das obras (teoricamente são aquelas que o velhinho endinheirado mais apreciava), ao contrário de museus dedicados ao trabalho de um único artista ou de museus nacionais, onde encontramos algumas obras ótimas e outras de menor qualidade.

A impressão final que tive de Lisboa foi de um genuíno reconhecimento ao povo português por ter construído uma cidade tão civilizada num espaço geográfico tão ruim. Mas esse detalhe me fez entender um pouco porque essa gente gostava tanto das chamadas Grandes Navegações. Basicamente, qualquer um que vivesse numa cidade dessas tende a pular no primeiro barco rumo ao desconhecido.

1.11.05

Reencontros

Um dia estranho. E corrido. Estranho porque corrido, talvez. E correndo de um lado pro outro, reencontrei pessoas do passado. Algumas a uma década de distância, outras do outro dia mesmo. Algumas me viram, outras não, uma com certeza fingiu não ver. Uns falaram comigo, falei com outros, mas nem todos (afinal, era o dia da correria).

Engraçado que alguém tenha sido tão próximo e agora a proximidade parece tão distante, algo de outra vida, a vida de outra pessoa, uma que você viu num filme, quem sabe.

Enquanto outros surgem das névoas poluídas da memória, a incógnita como nome ("Era com R? Ou com M?"), alguém que não é um amigo e não é um estranho, alguém simplesmente legal. Daí vem a lembrança da (única) risada que já dividiram e todo aquele desejo de "legaltevercomovocêtátásumidotudodebompravocê" pra alguém que você mal conhece é resumido numa exclamação que escapa antes que se perceba "CARA!". E só.

Adeus, vidas tangenciais. E até amanhã.

Eles SOOOOMEM

Desde moleque, adoro ilusões de ótica. Elas são uma das evidências de que ciências (a Física, no caso) podem ser divertidas. Roubei essa aqui do Castrezana. Pra quem não entende inglês, a parada é a seguinte: se você olhar fixamente pra cruzinha preta no meio dos pontos rosados, os pontos desaparecem. Simples assim.
Você tá lá e eles de repente... SOMEM.
Bacana, não?
Agora experimenta olhar pra cruzinha até os pontos sumirem e depois, sem mudar o foco da visão, dar uma piscada forte. Eles VOLTAM.
Ok, é idiota. Mas é bacana assim mesmo.

25.10.05

Frase do dia

"O roteiro de David Hayter é muito próximo de como eu imagino alguém fazendo um filme de Watchmen. Não que eu queira vê-lo. Minha história é uma história em quadrinhos. Não um filme, nem um romance. Foi criada de uma maneira específica e desenhada para ser lida de uma certa forma: numa poltrona confortável, ao lado de uma lareira, com um copo de café quente. Pessoalmente, acho que é perfeita para uma noite de sábado." - Alan Moore

9.10.05

F-1 ou 1-F

Na madrugada de sábado, o clima propiciou uma situação muito interessante na classificação para o grid de largada da Fórmula-1. Como esperado, as equipes menores fizeram tempos ruins, enquanto que as equipes médias fizeram tempos um pouco melhores. Porém, antes dos grandes entrarem, caiu um toró em Suzuka que fez entrar água nos planos das equipes de ponta.

Com isso, o grid passou a apresentar uma situação incomum: equipes médias na frente, equipes de ponta logo atrás. As duas possibilidades de corrida passaram a depender da previsão do tempo, a mesma que acertadamente disse que choveria nos últimos minutos do treino de classificação: se chovesse, teríamos uma corrida propensa a acidentes e lances espetacularmente perigosos, algo interessante para o público, porém não muito esportivo; no caso de céu claro (o palpite dos bons meteorologistas japoneses), seria uma corrida de recuperação para os grandes, com muitas ultrapassagens e disputas por posições.

Domingo de sol (lá, pois aqui ainda era madrugada), a corrida ocorre como esperado ou até melhor. Grandes ultrapassagens, acidentes sem feridos, o trabalho nos boxes ajudando a ganhar posições, tudo o que uma corrida automobilística tem de mais empolgante. Um grande prêmio muito interessante, tanto pra quem vê quanto pros competidores. Com direito a uma fantástica ultrapassagem na penúltima volta que valeu o primeiro lugar. Entre as corridas que vi esse ano (metade do campeonato, acho), essa foi sem dúvida a melhor. O que faz pensar...

Será que não seria interessante se os carros de ponta saíssem sempre de trás? Como em alguns videogames em que não há um treino de classificação e a ordem do grid na corrida seguinte é simplesmente a ordem invertida de chegada do GP anterior? Sei que um dos grandes atrativos da F1 ao longo dos anos foram os treinos de classificação, onde podíamos acompanhar o máximo desempenho do conjunto piloto+carro numa pista vazia. Ayrton Senna era um especialista nesse tipo de desafio, sempre procurando a volta perfeita. Nos últimos anos, entretanto, as limitações da categoria (sejam financeiras, sejam as do regulamento) tornaram a classificação um evento burocrático, sonolento até. Não seria o momento de trocar um treino chato e uma corrida pouco empolgante por um único espetáculo disputado e imprevisível, onde os bons pilotos teriam constantemente a chance de provar que são realmente bons? O público certamente agradeceria.

4.10.05

Veja que palhaçada!

Como a maioria já deve saber, a revista Veja publicou uma "matéria" sobre o referendo que teremos em breve apoiando o não. Coloquei as aspas porque o tal texto pode ser chamado de várias coisas, menos de matéria jornalística. Uma matéria pressupõe expor os fatos, de preferência analisando as causas e conseqüências desses fatos de forma mais completa possível, para deixar que o leitor forme a sua própria opinião sobre o assunto.

A Veja não só deturpou completamente a ética jornalística, como fez isso de forma muito perigosa. Talvez na ânsia de mostrar que ainda tem influência e peso nas decisões do país, a revista abraçou um dos lados do referendo e atacou o outro impiedosamente. Não há discussão racional que resista a um bombardeio sofismático em larga escala. O resultado disso, pelo menos pra quem souber fazer uma leitura crítica, é um texto sem credibilidade. Pior, mesmo os poucos argumentos coerentes no texto se perdem diante das distorções e manipulações dos fatos.

Não pensem que estou defendendo o sim. Estou apenas dizendo que uma matéria equilibrada mostraria os principais prós e contras de se votar sim ou não. Se a maioria da população entender que o não é melhor para o país que o sim, então que assim seja. Mas é a vontade do povo que deve decidir isso, não o conselho editorial de uma revista semanal.

Peço que não confundam minha crítica à revista com uma crítica a todos os que defendem o seu lado. Desde que claramente identificados, os grupos a favor de sim e não podem e devem tentar vender o seu peixe (inclusive em horário político na TV). Naturalmente, ambos apresentam elementos racionais, apelativos e fantasiosos em seus argumentos.

Os elementos racionais são aqueles comprovados e verificáveis, como fatos, números e estatísticas. Eles são a parte "chata" que garante alguma credibilidade aos argumentos. Elementos apelativos trabalham o lado emocional do leitor/espectador e podem ou não corresponder à verdade factual, pois costumam ser exagerados para chamar a atenção. Isso porque esses elementos utilizam os medos e desejos do público para tentar se firmar no seu inconsciente, como faz a publicidade.

Já os elementos fantasiosos consistem de mentira pura e simples. Lenda urbana, omissão, corrupção de fatos, argumentos sofismáticos. São desaconselháveis numa conversa civilizada, pois são facilmente reconhecíveis por pessoas sensatas, mas acabam sendo utilizados por aqueles que tentam conquistar seu leitor/espectador de qualquer forma ou simplesmente por mal-intencionados que querem garantir o voto dos incautos.

O meu conselho é: procure se informar. Ouça quem defende o sim e o não e procure separar os elementos que realmente são importantes. Desconfie de argumentos "numéricos" vagos que utilizem as expressões "a maioria/minoria", "a maior/menor parte", "quase todos/nenhum". Posso dizer que ambos os lados têm motivos justos, mas também têm grupos interessados financeiramente nas conseqüências do referendo. Não seja maniqueísta achando que o sim só tem adeptos bonzinhos e que só malvados querem o não, ou vice-versa.

Não deixe que ninguém decida por você.

Cara de um...


Mera coincidência? Ou será algo mais?

Tralalá, um estado de espírito

Boa parte do post anterior foi escrito sob a influência do que o Felipe chama de "estado tralalá". Basicamente, foi redigido por alguém bêbado de sono. O redator em estado tralalá acha tudo o que escreve muito engraçado e usa freqüentemente palavras que só existem na própria imaginação.

De qualquer forma, valeu como experiência. E aumenta a minha admiração pelos colegas bêbados (de álcool) que conseguem escrever textos minimamente coerentes. É um feito e tanto.

3.10.05

Cadernos de viagem - Ainda indo

No avião, um desconforto surpreendente. Meu pensamento equivocado era de que a classe "turística" de um vôo internacional teria melhores acomodações. Mas as cadeiras eram apertadas, talvez mais que das companhias nacionais. É claro que pode ser só impressão, já que minha viagem aérea anterior havia sido 25 quilos atrás.

Outro incômodo eram os próprios passageiros, gritadores, espaçosos e desastrados, uma combinação capaz de causar desastres. "Brasileiros", vocês podem pensar, como pensei. E estava errado. Em parte. Obviamente os brasileños são barulhentos e "amigáveis", mas pessoas mal-educadas não escolhem nacionalidade, então também fui atingido por cotovelos espanhóis e... italianos. E foi somente o primeiro de vários contatos - todos desagradáveis - que tive com os moradores da bota durante a viagem.

Depois de acomodado (na medida do possível), fui conferir o guia de programação. O vôo teria dois filmes, algo até então inédito pra mim. O primeiro era um filme americano chamado "Fever Pitch", o título original do livro "Febre de Bola" do Nick Hornby. "Claro, lembro que li que já adaptaram esse filme." Esperava um filme sobre futebol com atores ingleses. Estranhamente vi na tela o nome de Drew Barrymore e um estádio de beisebol. "ah, então deve ter sido só coincidência de nome." E como se respondesse, aparece na tela um "based on a novel by" e o já citado autor inglês. Ah, então é uma segunda adaptação, dessa vez "americanizada", do livro do Hornby. Ok, já haviam feito isso com o Alta Fidelidade, descaracterizando a trama ao mudar o cenário de Londres para Chicago. Mas ainda assim não poderia ser nada recente, pois já teria passado nos cinemas brasileiros. Só ao voltar descobri que era mesmo um filme recente e que não havia nem estreado por aqui.

Acabei vendo o filme. Aqui saiu com algum nome de sessão da tarde, tipo "O jogo do amor" ou coisa assim. Tem a Drew e o Jimmy Fallon, que não é brilhante, mas faz a sua parte. E é uma comédia romântica bem conduzida, tendo os seus bons momentos. Recomendo pra quem não tiver nada pra fazer ou nenhum lugar pra ir, como era o caso. O segundo filme era uma comédia espanhola que não vi por motivo de sono maior. Só sei que também era recente, pois está passando no Festival do Rio agora.

Finalmente chegamos... na Espanha! Esqueci completamente, mas o primeiro lugar em que pisaria fora do Brasil não seria Lisboa, mas Madri, para fazer a escala. E o contato com essa terra estrangeira não poderia ser melhor. Uma cidade plana a perder de vista, que das vastas janelas do aeroporto parecia um horizonte infinito. Pra completar, estávamos lá nas primeiras horas da manhã, vendo o céu arroxeado clarear até que de trás das colinas saísse um sol de desenho animado trazendo as primeiras luzes do dia.

Depois de alguns contratempos com passageiros que ainda não entendiam qual seria a misteriosa função do detector de metais, estávamos no sucatão que nos levaria a Portugal. Apesar do embarque tranqüilo (poucos passageiros), a aparência do avião e os estranhos sons que ele fazia eram preocupantes, mesmo que o vôo fosse curto. Mas não foi dessa vez que entrei nas estatísticas de acidentes aéreos e chegamos sem problemas em solo português.

29.9.05

Não é fone de ouvido, é headphone!

Depois dos lendários Batman Feira da Fruta e O Destino de Miguel, chega agora outro filminho com dublagens engraçadas. Batizado como "Star Wars Feira da Fruta", o pequeno vídeo faz graça com os primeiros minutos do filme de 77. Não está no mesmo nível dos anteriores, mas tem algumas frases memoráveis.
Para baixar o vídeo (ATENÇÃO: NSFW), clique aqui.
Peguei do Castrezana.

Provando o gosto do chá


Não tem muito o que dizer a respeito de O Gosto do Chá que ela já não tenha dito.
Só quero acrescentar que é um daqueles filmes que mostra que um bom filme não precisa ter necessariamente um fio condutor; ele te ganha pela colagem de momentos isolados, mais do que pela história de cada personagem. É um filme que pode te deixar com lágrimas nos olhos e logo depois te fazer explodir numa gargalhada. Deve entrar no circuito do Estação em breve. Ah, e foi dirigido pelo diretor da parte em anime de Kill Bill.

28.9.05

Cadernos de viagem - A Ida

Pensei muito em escrever ou não sobre a viagem. Poucas coisas são mais chatas que aquele amigo que te chama pra mostrar os 1500 slides de uma viagem de 10 dias. Além disso, a experiência da viagem é única, pessoal e intransferível, então por que contar? Por que uma história (real ou fictícia) é contada, afinal de contas? Entre as infinitas respostas, dois pontos parecem ser comuns na maioria das justificativas: interesse e aprendizado.

Conclui que contar um pouco da viagem, talvez de forma ligeiramente impessoal, pode ser de alguma valia pra quem desejar fazer aventura parecida. Além disso, há passagens claramente atraentes (cujo interesse espero conseguir transpor para o texto). Então essa é a minha tentativa de contar sobre uma pequena aventura por terras desconhecidas durante ¾ de lua. Espero que gostem.


Nunca achei interessante a idéia de acampar. Por isso mesmo, jamais tive uma daquelas mochilas enormes usadas por praticantes desse tipo peculiar de masoquismo. A primeira surpresa ao experimentar uma dessas foi justamente a leveza da coisa, o que faz todo o sentido, se pararmos pra pensar. Mesmo depois de cheia, a mochila ainda era um peso suportável e podia ser levada nas costas sem maiores problemas. Ajudava nisso o conteúdo, volumoso e leve, sendo a maior parte de roupas de frio, pois recebemos a informação de que o verão europeu é mais frio que a nossa concepção de inverno. Um grave erro, que mais adiante nos custaria muito.

A documentação foi outro problema. Se burocracia fosse esporte olímpico, era medalha garantida (mesmo com a apuração das notas dos juízes só terminando às vésperas da Olimpíada seguinte). Deve existir alguma lei que diz que os documentos só são emitidos quando a pessoa já voltou tantas vezes no mesmo lugar que o segurança já a cumprimenta pelo nome como se fossem amigos de infância. Programe-se para ter nas mãos tudo de que precisa três meses antes de realmente precisar, assim o último documento indispensável deve ficar pronto horas antes de partir.

No dia da viagem, acordar cedo, uma carona interminável até o aeroporto ("são vocês ou somos nós que estamos viajando?"), despedidas desnecessariamente demoradas, vistoria de documentos ("tem certeza de que você é você?"), pessoas com dificuldade pra entender que um detector de METAIS apita quando você passa carregando metais, um saguão lotado de gente espremida perto do terminal de embarque como se quisessem pegar um bom lugar no avião (sendo que o lugar é previamente escolhido e vem escrito na passagem) e, enfim, o avião.

Dentro da nave, cadeiras apertadas da classe "turística" (que antes era "econômica", o que fazia mais sentido), passageiros que já guardaram as bagagens passeando pela aeronave enquanto outros ainda estão embarcando, homens de 50 sem a mínima discrição procurando moças de 18 com quem possam conversar (ou pelo menos "esbarrar por acaso") durante o vôo. Depois que todas as velhinhas com malas pesadas demais e todos os bebês de incrível capacidade pulmonar entraram, veio o calor.
O avião parado na pista, sob o sol, todo desligado.
O casaco irônico na mão, gotas pingando do rosto.
Depois de 15 minutos de sauna forçada, algum sinal de que estávamos em um veículo.
Saímos do chão ainda levando o calor carioca conosco.

7.8.05

Bye Bye Brazil

Aos leitores assíduos (o que na prática é só o caro Norrin Kurama), aviso que o Ex-quase-futuro vai ficar uns tempos (ainda) mais parado que de costume.
Enquanto passeio pelo Velho Mundo, aproveitem pra se dedicar a leituras mais interessantes do que as porcarias escritas aqui.
Até setembro!

4.8.05

Humor fácil, piada pronta


POWER! UNLIMITED POWEEEEEEERRRRR!!!

Desculpem, não resisti.
Ah, a imagem acima está na capa de O Globo de hoje.

1.8.05

Da série "Frases surdas para ouvidos mudos"

- Sim?
- Sin City.
- Sin City?
- Sim.

Um pouco sobre imagens e textos

Quando falei sobre a importância da imagem nos quadrinhos no post abaixo, lembrei que muitos pensam nas histórias em quadrinhos apenas como imagens amparadas por textos.

É notável que tanto aqueles que desconhecem a mídia como os já iniciados dêem tanto peso assim à primeira metade da equação. Porque quadrinhos são imagem E texto. Não só uma soma, mas uma combinação de imagens e textos. A batida "o todo vale mais que a soma das partes" poderia até se aplicar aqui, mas nos quadrinhos fica difícil definir o que é cada parte, se é que realmente há "partes".

É claro que aqueles com maior bagagem de leitura já viram quadrinhos "sem texto". Na verdade, quadrinhos sem balão e recordatórios, mas a narrativa, mesmo através de imagens, já é o "texto" de uma história. O desenho sem esse texto seria apenas arte plástica, não arte narrativa.

Mais raro, mas também existente, é o quadrinho "sem imagem". Estes seriam os quadrinhos sem cenários, sem personagens, onde apenas textos ou sinais gráficos caminham pelas páginas. Mesmo aí, porém, temos "imagens", com o texto manuscrito sobre linhas horizontais representando um diário imaginário de um personagem, ou uma partitura que deve ser "lida" como canção ilustrando a cena (recurso bastante utilizado na excelente Estranhos no Paraíso, por exemplo). E não podemos esquecer que as próprias palavras são imagens impressas em papel e que mesmo o espaço entre elas significa algo na página de uma HQ.

Por isso não _____ em definições simples e absolutas ao falar de histórias em quadrinhos.


___________caia

"Deve ser montagem!"

O Ex-quase-futuro agora tem uma versão fotolog. Não, você não leu errado. O cara chato que prefere textos crus, sem imagens, criou um site-irmão onde a imagem é o principal. E essa iniciativa tem uma explicação bem razoável (não, não foi verba de campanha!).

Apesar de ser uma "pessoa de palavras", não de imagens, não é segredo que minha arte/mídia favorita são os quadrinhos. Assim, é óbvio que imagens são também um dos meus interesses. Entretanto, se a escrita flui com razoável facilidade, o mesmo não pode se dizer da produção de imagens. Desenho, pintura, nem colagem de macarrão sai direito. Não tenho mão pra isso mesmo, saca? A alternativa é a captação de imagens já existentes, donde chegamos na fotografia. Com uma máquina fotográfica, até um chimpanzé cego pode criar imagens. Se vão prestar ou não, aí já é outra história.

O Fotolog surgiu como veículo natural de publicação dessas imagens captadas, apesar da minha antipatia pelo site não ser segredo algum. A maioria dos flogs se limita a um colunismo social particular ou simples reforço de auto-estima. Iniciativas inteligentes como as do Felipe ou do Márcio ainda são minoria, infelizmente.

Assim como aqui no blog, não tenho pretensões artísticas ou profissionais com o flog. Por enquanto, serão publicados apenas testes com a câmera. Imagens cruas, testes de diferentes condições de luz, movimento e enquadramento. Enfim, uma tentativa de aprender empiricamente como a máquina digital "lê" a imagem de forma diferente das analógicas. Como se alguém acostumado com a caneta estivesse aprendendo a usar o teclado.

Como sempre, o feedback é desejável, principalmente dos mais familiarizados com os aparatos digitais. Mas a política continua a mesma: comentários inúteis ou gratuitamente ofensivos serão apagados.

Pra quem quiser visitar, o endereço tá aí do lado.

25.7.05

Os bons, os maus e os patéticos

A situação política atual, particularmente a situação envolvendo o presidente, trouxe à memória uma entrevista do John Byrne que saiu na antiga encarnação da Wizard. Ao ser perguntado sobre como via a Marvel e a DC naqueles dias, em que não mais escrevia/desenhava para nenhuma das duas, Byrne disse que a Marvel era "o Mal", enquanto a DC era "apenas patética". E finalizou: "sem dúvida eu prefiro ser patético a ser maléfico".

Com os fatos apresentados até agora, já se sabe que a corrupção chegou a proximidades alarmantes do presidente. As questões que todos vêm se perguntando são: Lula sabia ou não, permitia ou não, participava ou não?

Me parece que a resposta pra isso é parecida com a imagem que Byrne fez das majors americanas. Ou Lula assume que foi um pateta, que deixou de ver/saber/fazer coisas que, como presidente, ele deveria ter visto/sabido/feito; ou assume (para si mesmo, lógico) que agiu de má-fé, mentindo para o eleitorado que o elegeu, sendo omisso (no mínimo) e deixando que a corrupção corresse como correu.

Sendo patético, admite a incompetência, deixa o cargo, enfraquecido politicamente e fortalecido moralmente, e tenta analisar (na distância que favorece a análise) onde acertou, onde errou e onde poderia ter feito mais. Assim, ele poderia, algum dia, ter uma outra chance de consertar as coisas.

Sendo maléfico, utiliza o poder para tentar minimizar os danos, amputa dedos para não perder as mãos, cria bodes expiatórios e sai ileso, ainda mantendo (e reforçando) a imagem de "moralizador" do poder público. Segue para uma reeleição, preso por alianças que não pode desfazer, tendo que manter aqueles que "sabem demais" por perto, por via das dúvidas.

Não concordo com a opinião do Byrne sobre as editoras (acho que nem ele mesmo!), mas também prefiro ser patético.

Da arte de falar bem e não dizer nada (ou fingir que não disse)

Luis Fernando Verissimo, em coluna publicada n'O Globo de ontem, faz um belo texto utilizando temas já batidos (o problema do prazo/a atualidade do texto/o tempo no jornal), mas falando de algo completamente diferente. Mesmo sabendo que não tem o mesmo sabor/valor distante do veículo original, transcrevo a coluna aqui, pois acho que ela é atualizada em poucos dias. Aproveitem!


Hoje, terça

Estou escrevendo isto numa terça-feira. Vou fazer uma viagem, pequena, mas que me obriga a deixar esta matéria pronta. Como se sabe, não há nada que aterrorize mais um jornalista - salvo, em alguns casos, a gramática - do que escrever com antecedência sobre fatos que podem traí-lo, não acontecendo ou acontecendo ao contrário. Como aquele repórter americano designado para escrever sobre a chegada do "Titanic" a Nova York que preferiu deixar o texto que acompanharia as fotos do imponente navio atracando, com foguetes e banda de música, pronto, e ir passar um fim de semana com a namorada - do qual, é claro, nunca mais voltou. Uma história que eu acabei de inventar mas que ilustra bem nosso pavor. Entre o meu hoje (terça-feira) e o seu, leitor, há quase uma semana enfileirada em que, dada a situação brasileira, qualquer coisa pode ter acontecido, e provavelmente aconteceu. Inclusive o naufrágio do governo com poucos sobreviventes. Você não pode deixar de comentar a situação e ao mesmo tempo não sabe como ela será amanhã, o que dirá daqui a cinco ou seis dias. Estamos vivendo (nós que temos que ser pertinentes, e escrever antes) o pesadelo do curto prazo. Ah, escrever com tempo, sobre filósofos ou jardins, para grossas revistas mensais...

Eu poderia recorrer à minha bola de cristal mas ela está com defeito: só mostra o passado. Olho-a e vejo as manifestações contra o Collor que acabaram com o seu impixamento. Sempre achei que o Collor caiu pela empáfia. Não derrubaram um presidente, derrubaram uma pose. Não sei que paralelos podem ser feitos - ou que paralelos surgiram depois da terça-feira em que escrevo - entre Lula e Collor, mas não imagino manifestações com o mesmo tom contra Lula, cuja imagem pública hoje (terça-feira) é mais de desamparo do que qualquer outra atitude. Não dá para ver na minha bola de cristal, mesmo sacudindo-a, quando foi que o clima de então exigiu o desenlace radical da renúncia e o país entrou na lógica do inevitável. Não sei se estamos nesta lógica agora. Outras cenas na bola de cristal têm a ver com a corrupção de então e com os escândalos nunca investigados do passado mais recente, para efeitos de comparação com hoje, mas elas se tornaram irrelevantes diante do clima de derrocada final. A bola de cristal não me ajuda em nada. É o que dá, cristal nacional.

Enfim, consegui escrever uma crônica sem risco. Serve tanto para o "Titanic" chegar ou não chegar.

Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio

O espírito do homem de bem acaba por chegar a seus limites, o que se expressa em dezenas de formas, até mesmo evitando esses assuntos, por uma questão de sobrevivência psicológica e emocional, pois, afinal, para muitos, já soçobraram os valores, as crenças e os padrões incorporados à sua formação, o que pode tornar a vida insuportável.

O trecho acima é da coluna do xará Ubaldo, publicada esse domingo n'O Globo.
Apesar de não concordar com alguns termos (o "homem de bem", por exemplo, parece um ser mitológico, podendo ser trocado por "homem comum" ou "cidadão médio"), o colunista diz com todas as palavras (pelo menos todas as necessárias) o que estamos pensando nesse momento delicado. O texto completo pode/deve ser lido clicando aqui (precisa ser cadastrado pra ler).

6.7.05

Quem é Donna Troy?


Saiu no Fanboy uma matéria que explica a cronologia atual do Gavião Negro/Falcão da Noite/Hawkman. Tendo uma das cronologias mais castigadas pelas diversas reformulações ao longo dos anos (tão confusa quanto a da Moça-Maravilha ou até mais), o personagem só passou a fazer algum sentido ao ser reformulado por Geoff Johns. E por "fazer sentido" entenda-se reencarnações, alienígenas, fusões de mente e outras estripulias que se encaixam no conceito de "normalidade" do Universo DC. Mais fanboy, impossível.

2.7.05

Morcego não é um rato com asas

Que tipo de filme é Batman Begins? Um "filme de super-herói"? Uma adaptação de quadrinhos? Uma adaptação e só? Nos últimos anos, essas três definições têm sido tratadas erroneamente como sinônimos e, pior ainda, como gênero.

Um "filme de super-herói" é um filme em que o tipo conhecido como "mocinho" ou "herói" apresenta habilidades visivelmente sobre-humanas ou sobrenaturais. Essas habilidades o diferenciam do herói comum, que conta com capacidades humanas acentuadas, num tipo de licença poética típica do cinema. O "filme de super-herói" NÃO é um gênero, ou mesmo um subgênero. Apesar desse tipo de personagem ser mais apropriado a filmes de aventura, nada impede que exista um super-herói em uma comédia ou drama.

"Adaptação de quadrinhos" não significa que tem super-herói no filme e também não é um gênero. Esse caso é ainda mais óbvio, visto que os próprios quadrinhos são divididos em gêneros. Talvez a maior parte dos americanos ache que só existem os quadrinhos de super-herói (esses sim podendo ser considerados um subgênero com características reconhecíveis, pelo menos até os anos 80), mas aqui todos nós conhecemos pelo menos mais um gênero de quadrinho, o infantil. Claro que a força desse gênero contribuiu para o pensamento-padrão "gibi é coisa de criança", mas isso não vem ao caso. O que importa é que a adaptação de quadrinhos não precisa ser um filme de super-herói, e vice-versa.

Por último, quero desmentir a maior besteira que vem sendo re-repetida por aí. "Adaptação" NÃO é um gênero. Primeiro porque toda adaptação vem de outra mídia/arte que tem os seus próprios gêneros. Obviamente, as adaptações de uma tragédia grega e de um conto humorístico dificilmente pertenceriam ao mesmo gênero de filme. Segundo, as adaptações de quadrinhos estão na moda, mas o cinema já vive de adaptações (de romances, contos, peças, óperas, musicais) desde que nasceu. Os programas de TV e os quadrinhos só foram tardiamente descobertos, mas as adaptações (principalmente de livros) sempre foram grande parte das produções cinematográficas. Terceiro, as adaptações não possuem a obrigação de pertencer ao gênero da obra original. Nada impede que aventuras medievais sejam adaptadas como humor pastelão. Portanto, "adaptação" quer dizer que houve uma transposição de mídias e somente isso, não tendo relação alguma com o gênero do produto final.

O que se poderia dizer de Begins, então? Certamente é uma adaptação de quadrinhos, mas o herói que aparece ali não é "super", portanto foge da alcunha "filme de super-herói". E o gênero? Uma mistura de elementos de vários gêneros, como a maioria dos filmes atualmente. Basicamente é uma aventura e uma fantasia, com boas doses de ação e policial. Não por acaso, esses gêneros são a essência dos pulps de onde vieram as maiores influências para a criação do Batman. Portanto, o que o filme faz é trazer o personagem de volta às origens e faz isso muito bem.

O samba do morcego doido

Então vamos ver... Qui-Gon Jinn transforma o vilão do Shaft no Psicopata Americano. Este volta para os EUA e, com ajuda do motorista de Miss Daisy, consegue umas trapizongas que vão fazer os bandidos terem medo dele. Aí ele se apaixona pela namorada do Dawson, chama o Drácula pra ser seu aliado, tem um dos Safados como mordomo e luta contra um dos últimos londrinos a sobreviver ao Extermínio. No final, ele descobre que Ra's Al Ghul não era um Samurai, mas um jedi. É isso?


Batman Begins é melhor que os outros quatro filmes? Isso é fácil. O filme definitivo do Batman? Ainda não foi dessa vez. O melhor filme de super-herói? Ora, nem super ele é. Esses e outros apontamentos são motivados pela euforia dos fãs ou pelo simplismo dos críticos. Não quero fazer uma crítica, analisar a história, a interpretação ou os efeitos especiais. Qualquer infeliz que lê isso aqui já leu críticas em outros lugares. Só vou comentar os pontos acima.

É o melhor filme do Batman?
Sem dúvida. Melhor que isso, só se filmassem Cavaleiro das Trevas, já que Begins é basicamente a Ano Um. Isso porque entre as quatro grandes histórias do Batman, Asilo Arkham e A Piada Mortal são estruturalmente próprias dos quadrinhos e não teriam tanta graça em outra mídia. Não que os outros não aproveitem os recursos narrativos dos quadrinhos, mas os roteiros de Miller são cinematográficos por natureza, parecendo quase storyboards, o que já facilita a transposição para as telas.

Mas seria o filme ideal do Batman?
Não pra mim. Falta emoção, sobram truques fáceis de roteiro. Culpa do Goyer, talvez, já que o Nolan fez muito bem a sua parte. Quando vi Homem-Aranha pela segunda vez, entrei no cinema com o objetivo de observar os detalhes técnicos do filme. Não consegui, pois novamente fui envolvido pela trama. Já em Begins, na primeira exibição, que deveria ser emocional, acabei percebendo detalhes como a trilha sonora e a iluminação. O uniforme borrachudo, as pequenas lições de moral, a insistência numa frase de efeito que mais parecia frase de auto-ajuda, tudo isso desviou a atenção do filme, deixando ao final da projeção aquela sensação de "faltou alguma coisa". Quem sabe em Cavaleiro das Trevas as coisas melhorem...

O melhor do gênero "super-herói"?
É uma pergunta que não se aplica. Primeiro, porque "super-herói" não é gênero (mais sobre isso no próximo post). Segundo, porque, definitivamente, Begins não é um filme de super-herói. Ainda bem. Como muitos heróis de Hollywood, Batman vive em uma "realidade fantástica", não na fantasia. Seus feitos são "improvavelmente possíveis", não impossíveis. Grosso modo, o Batman é como o Robin Hood, os super-heróis são como o Legolas. É a diferença, nada sutil, entre o que é quase inacreditável e o que é francamente inacreditável. E foi ótimo que optassem por essa abordagem, não somente tornando Gotham uma cidade "quase real", mas também fazendo com que toda a parafernália utilizada pelo morcego seja algo que "poderia existir". A única furada dessa abordagem é a amplamente comentada máquina de microondas, cujo funcionamento absurdo é mais parecido com a "ciência das HQs", algo do qual o filme parecia fugir até então. Num filme de fantasia propriamente dito, passaria sem problemas. Em Begins acaba entalando na garganta num momento-chave da trama.

27.6.05

Aviso

A Ana Clara, razão do texto abaixo, morreu na manhã de hoje.
A todos os que doaram sangue e/ou divulgaram o meu pedido, muito obrigado.
Quem não doou sangue ainda pode doar, pois há sempre alguém precisando.
Agora é seguir adiante...

17.6.05

IMPORTANTE! PARE E LEIA!

Caros leitores, sei que esse blog alcança poucas pessoas, então prestem atenção. Este aviso serve para qualquer leitor que estiver no Rio de Janeiro.

Ana Clara é uma menina esperta, inteligente e levada, como toda criança deveria ser. Leitora de Witch e Harry Potter, Ana Clara pode ser considerada uma nerd em formação, além de ser uma das poucas crianças legais que conheço (e olha que não nutro grande simpatia por crianças).

Ontem recebi um e-mail da irmã dela, uma grande amiga, informando que essa pequena pessoa adorável está no hospital em estado grave. Os médicos já estão fazendo o possível por ela, mas nós ainda podemos ajudar através de doações de sangue. Logo abaixo está um trecho do e-mail que recebi, com as informações necessárias.

"Minha irmãzinha está internada no CTI desde a madrugada de domingo para segunda, e precisou receber muitas bolsas de sangue em transfusão. Nós meio que deixamos o estoque de onde essas bolsas foram retiradas em baixa, porque foram 6 concentrados de hemácias e 4 de plasma."

"Quem puder, por favor, doar sangue para cobrir o buraco que deixamos e pra ela (caso precise novamente, o que se Deus quiser não vai acontecer), pode doar no Hospital da Beneficência Portuguesa, na rua Sto. Amaro, 80. O horário é de 7h às 15h, e quem quiser pode fazer no nome dela: Ana Clara Marcello Zveiter Jorge. O tipo sanguíneo é A+, mas eles recebem de qualquer tipo."

Amigos, leitores, visitantes, agora é com vocês. Aos amigos cujos blogs recebem muitas visitas, peço que coloquem um link pra cá, mesmo que temporário. Aos demais, doem sangue, se puderem. Avisem a outros, se quiserem. Toda ajuda será bem-vinda.

A família da Ana Clara e eu agradecemos.

4.6.05

Frase do dia

"There are only 10 types of people in the world: Those who understand binary, and those who don't." - Estampa de camiseta da ThinkGeek, paraíso do consumo nerd.

1.6.05

A orquestra e o arremesso

Mais um pouco de Star Wars. Contém SPOILERS. Estejam avisados.

Vader versão Lego regendo a Marcha Imperial. Pelos mesmos criadores de "Revenge of the Brick". Clique na figura para ver/baixar o filme em formato QuickTime. Roubado do Castrezana.




Apesar de todos os duelos do Episódio III, o melhor uso de um sabre de luz acontece em uma rápida cena de luta entre Yoda e os clones, na qual mais uma vez o verdinho mostra por que é o mais Mestre entre os Mestres. Na imagem abaixo, o momento em que o sabre atravessa o alvo.



E não se acostumem com as imagens no blog: elas só aparecerão por aqui eventualmente.

23.5.05

The Sith Sense

Aproveitando o clima de oba-oba em cima de Star Wars, surge agora um joguinho em que o Lorde Vader em pessoa usa seus poderes sith para ler a sua mente.
Baseado no já popular 20 Questions, o jogo utiliza 20 perguntas para adivinhar no que você está pensando. O mais bacana é a presença do Escolhido interagindo com (ou seria melhor dizer "ameaçando") o jogador, inclusive utilizando as falas da trilogia original. Antes de adivinhar minha escolha, ouvi o Vader tirando onda e dizendo "Your mind betrayed you! I can see what you're thinking!".



O jogo é oferecido pelo Burger King, inclusive o Rei do Hambúrguer aparece pra ajudar seu velho amigo Anakin soprando uma cola de vez em quando. É a prova de que fast-food é mesmo coisa do Lado Negro da Força.

20.5.05

Um wookie, um jedi e um sith entram num bar...

Contém SPOILERS! (use com moderação)

Imagina a cena. Darth Vader na frente de um grupo de pequenas criancinhas jedi.
Segue o diálogo.
(Guri de 6 anos fofinho e meio lento) — Tio, e agora, o que nós vamos fazer?
(Vader olha pro moleque, pega o sabre de luz e) UÓÓÓÓN
Corta para outra cena.

Se isso não é engraçado, não sei o que é. O estranho é que, exceto por mim e minha respectiva, ninguém riu. Pelo contrário, li por aí que a cena é considerada forte. Depois perguntam por que preferimos o Lado Negro...

14.5.05

Uma Nova Esperança

Caso interesse a alguém, estou no Skype. Ainda estou me familiarizando, mas o negócio parece promissor.
Pra quem não conhece, é basicamente um messenger voltado para os recursos de voz (um telefone na internet). Claro que ele também conta com as facilidades dos outros messengers, como mensagem de texto e envio de arquivos. Mas o barato da coisa é realmente poder falar com uma pessoa que está longe inteiramente "di grátis". E pra isso é necessário só um microfone, uma saída de áudio (caixinhas de som ou fones de ouvido), conexão com a internet e o Skype instalado.
Mais informaçãoes (em português) e o download do programinha é só clicar aqui.

WW + CSN = Lula?

"Decerto Getúlio Vargas não se aliou a Franklin D. Roosevelt por convicção democrática. (...) Foi graças à aliança com os EUA que a Companhia Siderúrgica Nacional pôde ser erguida em Volta Redonda. Foi graças à CSN que, onze anos após a guerra, Juscelino Kubitschek pôde implantar a indústria automobilística nacional, matriz de nosso (sub)desenvolvimento. E foi graças à indústria automobilística nacional que Luiz Inácio da Silva pôde tornar-se Lula. Direta ou indiretamente, portanto, o Brasil moderno (sic) nasce da Segunda Guerra."

Raciocínio interessante de Arthur Dapieve na sua coluna em O Globo. Uma certa lógica histórica até simplista, mas com associações incomuns. Depois que se pára pra pensar, até que faz sentido.
Certos textos nos apresentam novos fatos, trazem dados inéditos e despertam conclusões inesperadas. Mas nem por isso são surpreendentes. Parece claro que um tema desconhecido vai gerar um texto repleto de novidades. É quase uma obrigação. Quando isso não ocorre, o resultado costuma ser decepcionante.
Fico maravilhado com aquele texto que se restringe à minha pequena esfera de conhecimento e ainda assim expõe argumentos ainda inéditos pra mim. Frases que despertam a pergunta "por que não pensei nisso antes?". E é justamente aí que reside o mérito delas.

9.5.05

Metafísica do segredo

"Existem dois tipos de pessoas: as que guardam um segredo e as que não guardam."
Este texto poderia ter começado com a frase acima (na verdade começou, só que era só um exemplo, por isso as aspas), mas então seria um péssimo texto. Aliás, desconfie de qualquer texto que apresente uma frase no esquema "existem n tipos de pessoas", logo seguido da especificação de cada um desses tipos. É uma generalização absurda, que não pode ser aplicada na realidade. Dito isso, sigamos adiante.
Segredos são uma particularidade interessante do que chamamos "condição humana". A forma como as pessoas lidam com os segredos (próprios e alheios) varia de acordo com o entendimento que cada um tem de sua utilidade, motivando frases como a que abre o texto e títulos arrogantes como o que pode ser lido acima.
Muita gente mal sabe conceituar um segredo. Contam um fato pra algumas pessoas e não pra outras e acham que criaram um segredo. Isso poderia ser chamado no máximo de "informação privilegiada". Outros acham que segredo deve ser algo vergonhoso, por isso mantemos para nós mesmos. Sim, existem esqueletos no armário que permanecem secretos, mas o conceito do segredo é bem mais abrangente que isso.
O que acho engraçado mesmo é uma certa noção comum de que segredos devem ser compartilhados, de preferência com um único confidente. Há até uma frase famosa que diz que "não há segredos entre três pessoas". Concordo, mas acredito que dificilmente um segredo escutado/lido por uma única pessoa seja garantido eternamente. Bons segredos repousam em ouvidos de confiança. Ótimos segredos são aqueles que jamais foram compartilhados. Levados para o túmulo. Mesmo esses, entretanto, não são infalíveis. Um testamento, uma carta, um objeto, um curioso no lugar e na hora certos, são registros que podem desvendar um ótimo mistério.
E existem os segredos perfeitos. Perfeitos porque não podem ser desvendados. Perfeitos porque jamais deixarão de ser segredos. Ocultos entre momentos, escritos em eletricidade. Que nunca se tornaram sons ou letras, que não tiveram a chance de ser matéria. Pensamentos descartados, idéias esquecidas. Levados pelo tempo, que tudo devora.

Sucatão Marvel

Declaração de Adam Warren ao Newsarama sobre sua nova série na Marvel, Livewires:
"The covert research programs that the Livewires target for sabotage are all involved in the 'weaponizing' of various Marvel Uni-related technologies, from the cells of the original Human Torch to the development of more modern mecha like the Sentinels. Given that the Marvel Uni is jam-packed with mad suprageniuses, ultra-tech wackjob organizations, and alien technologies galore, the possibilities for 'tech abuse' are practically endless!"

Mais sobre a série no Black Zombie, de onde tirei o link da entrevista.

4.5.05

Nem Herbert George faria melhor

Já comentei aqui algumas vezes sobre o "poder" de invisibilidade, mas parece que debaixo da terra isso fica ainda mais evidente.
Primeiro uma garotinha que batia no meu joelho quase fez isso literalmente. A guria vinha correndo pela estação, seguida à distância pela descuidada mãe (uma guinada repentina pra esquerda [lei da Física: crianças são objetos móveis com trajetórias imprevisíveis] e ela caía nos trilhos), direto em minha direção. Desviei quando a menina chegou perto, achando que o pequeno projétil mirava a perna, mas a desgovernada criança continuou reta e serelepe como se nada houvera em seu caminho.
Minutos depois, um homem de sobretudo (aliás, não faz sentido algum usar sobretudo numa cidade cuja temperatura mais baixa fica em torno de 18°C), magro e alto (tão magro e tão alto que parecia aqueles desenhos animados em que uma criança sobe no ombro da outra e se "disfarçam" de adulto usando o sobretudo), lia uma revista qualquer enquanto caminhava, desviando das pessoas por reflexo, sem tirar os olhos da leitura. Só que o tal "reflexo" não funcionou quando o homem-poste esbarrou em alguém que não estava lá um segundo antes, segundo seus sentidos. O apressado pedido de desculpas que recebi passou despercebido diante do rosto atônito do friorento passageiro que seguiu andando e lendo.
E o homem-quase-invisível continuava lá, esperando o transporte e não ser mais importunado.

1.5.05

Você conhece a Ilha Encantada?

Pra quem curte histórias sobre adaptações, traduções, dublagens e particularidades da linguagem, esse texto do Pedro Doria é bem bacaninha.

A questão Gancho/Hook é meio complicada. Hook é um nome próprio (ele já era Hook antes de ter o "hook"). Como tal, não deveria ser traduzido, de acordo com o padrão atual. Mas é um nome com óbvias intenções associadas, quase um codinome, nuance que se perderia caso não fosse traduzido (a não ser que imaginemos um público de crianças bilíngües, o que não é o caso). Como esse "codinome" é mais importante para a trama do que saber o sobrenome do cara chamado James, então podemos afirmar sem dúvida que a melhor opção é "Gancho" (por sinal, uma palavra com ótima sonoridade). Taí um bom exemplo de que traduções e adaptações devem ser pensadas caso a caso.

Pra não ficar só no mau exemplo

"Eu estou sempre fazendo aquilo de que não sou capaz, numa tentativa de
assim aprender como fazê-lo." - Pablo Ruiz
Não é por acaso que o maluco era conhecido como Picasso...

29.4.05

Auto-ajuda para intelectuais

"Tudo que recebemos vem dos outros. Ser é pertencer a alguém." - Jean-Paul Sartre (mas poderia ser Ana Maria Braga)

Depois perguntam por que não concordo com a "linha de pensamento" do meu quase xará...

26.4.05

De volta ao planeta dos macacos

Nesse período meio afastado da internet, vi e li coisas muito interessantes por aí. Ressalto que "interessantes" não quer dizer "boas", como os caros leitores poderão perceber mais adiante.

Antes de tudo, um comentário meio atrasado. Um telejornal qualquer mostrava as pessoas eufóricas, batendo palmas e gritando para a tal chaminé do conclave que escolheria o novo papa. Na hora, o pensamento que passou pela cabeça foi que aquilo seria o equivalente a Papai Noel pra adultos ingênuos. "Sacadinha" previsível, já que o Tutty Vasques fez uma piada usando a mesma comparação.

A situação econõmica do país tá complicada. Mesmo os lugares que vendem até a mãe em suaves prestações a perder de vista não estão mais conseguindo embutir os juros sem ficar no prejuízo. Assim, os juros são inevitáveis, mas como dizer isso? Nessas horas, a cara-de-pau dos marketeiros é a solução. Num comercial recente, o mala das Casas Bahia anunciou "tudo em 12 vezes quase sem juros" (grifo meu). Ou seja, "nós dissemos que tem juros; se você só ouviu a parte onde se dizia 'sem juros', é problema seu". Mais eufemístico, impossível.

Um comunicado a todos os leitores que enviam e-mails. Tá, ninguém faz isso. Mas os nove leitores habituais (são nove mesmo, acreditem ou não!) já podem mandar suas longas missivas para o novo-ex-quase-mail. Todos os e-mails serão lidos, exceto os "enlarge your penis", "trabalhe em casa", "get cheaper viagra" e "biblioteca jurídica em CD".

Uma pergunta final pros gibizeiros das antigas: alguém sabe que fim levou a Contraterra?

17.4.05

Frases que valeram o preço da Wizard #19

Grant Morrison (sobre Superman All-Star, escrita por ele) - "Esse vai ser o maior título do Super-Homem de todos os tempos, e os fãs de quadrinhos vão cair de joelhos e agradecer aos deuses por poderem viver pra ver isso... na minha humilde opinião."

Scott McCloud (uma das principais vozes na vanguarda dos webcomics) - "Eu costumo brincar que descobri o emprego perfeito pra mim. Mas ele não existe, porque a indústria na qual ele está inserido ainda não existe. Então, em vez de largar tudo e ir embora, resolvi lutar para criar essa indústria e poder ter meu emprego."

Michael Chiklis, O Coisa (ao ser peguntado sobre como conseguiu o papel que disse ter nascido pra fazer) - "Ao conhecer Avi Arad em um evento cerca de dois anos atrás, eu olhei bem nos olhos dele e disse: 'É um prazer conhecê-lo, senhor. Ben Grimm."

Jeph Loeb (sobre o estilo de escrita de Brian Bendis) - "Você quer fazer um crossover entre Batman e Demolidor? Não quero ler 48 páginas com dois caras sentados numa caverna conversando."

Brian Bendis (sobre a reforma nos títulos de Thor, Vingadores, Capitão América e Homem de Ferro) - "Seis meses atrás, numa reunião na Marvel, nós dissemos: 'Esses títulos estão uma merda; o que vamos fazer pra consertá-los? O que é legal no Homem de Ferro? Por que publicamos a revista dele?'. Tivemos esse tipo de discussão. Daí fomos até Warren (Ellis) e dissemos: 'Muito bem, está a fim de fazer um gibi sobre um cara e seu brinquedinho?'. E ele respondeu: 'Caralho! Lógico!'."

Jeph Loeb - "Como fãs, todos temos a mesma dúvida: quando o Ultiverso vai encontrar o Universo Marvel? Sabemos que vai acontecer. Vocês podem se sentar aí e dizer 'não vai', mas vai, sim. E sabem disso."
Mark Millar - "Eu pensava assim até perceber que a Marvel estava vendendo a mesma coisa duas vezes. É brilhante. Eles nunca vão deixar isso acontecer enquanto puderem lucrar com as revistas dos Supremos e dos Vingadores concomitantemente."

Este post não foi patrocinado pela Panini Comics.

16.4.05

Pensamentos imbecis que passam pela cabeça ao se locomover por baixo da terra (e o título é grande mesmo, tem até parênteses)

- Essas traduções de filmes ficam piores a cada sexta-feira. Daqui a pouco, vai acabar aparecendo numa legenda qualquer a expressão "os quatro jóqueis do Apocalipse".

- Se um amigo rouba aqui de casa o fantástico crossover "Badrock e Wolverine", devo deixar de falar com ele por ter me roubado ou por ele ter um tremendo mau gosto?

- Fico espantado com essa discussão em torno do argentino que chamou o Grafite de negrito. Será que falariam tanto se um jogador inglês tivesse chamado o cara de bold?

13.4.05

Frase do dia (com comentário)

"Poucos anos atrás o típico publicitário bem sucedido era dono de um vasto ego cheio de certezas. Hoje, tem um vasto ego cheio de dúvidas." - Marcos Sá Correa, no site NoMínimo

É bom saber que certas coisas não mudam.

1.4.05

Quando a ambigüidade vence a ironia

Um oficial da PM em entrevista a um telejornal esportivo: "No dia do jogo, nós daremos tratamento especial aos cambistas".
Interprete como quiser.

JP ou anti-JP?

"A Bilbioteca [sic] Nacional [francesa] oranizou [sic] uma grande exposição para comemorar o centenário de nascimento de Jean-Paul Sartre. É uma exposição de fotos, edições antigas e manuscritos. Até aí, nada demais. Só uma observação, quanto a expor fotos do filósofo: Sartre era feíssimo. Vesgo, com pouco mais de um metros [sic] e meio de altura, barrigudinho, cabelos ralos (que lhe provocaram uma crise existencial quando começaram a cair, antes dos quarenta anos), ele estava longe de qualquer padrão estético dominante. Para piorar, os biógrafos do filósofo, e mesmo Simone de Beauvoir, informam que Sartre não era chegado num banho. No entanto, em relação às mulheres, era um sedutor irresistível. E tinha um talento monumental para administrar vários casos, ligações, romances e paqueras simultâneos."

O texto acima (com erros que espero serem de revisão) é de Mario Sergio Conti, para o site NoMínimo.

Devo ser um tipo de Anti-Sartre. Quase todos os nossos atributos são opostos, exceto o fato de sermos igualmente feios e termos ambos uma Simone a quem atormentar. Semelhanças compreensíveis, pois dizem que todo nêmesis é um reflexo do castigado.
O (pouco, admito) que conheço de sua obra é o suficiente para considerá-la a mais refinada masturbação filosófica. O resultado, bem conhecido, é ter justificado a existência dos existencialistas que curtem o prazer do cigarro, mas não a preocupação com o destino da guimba, pois já não é mais a "sua responsabilidade".
Talvez o "herói intelectual do século 20" (palavras de Paulo Roberto Pires no mesmo site) tenha tido suas idéias deturpadas, como já aconteceu anteriormente com Nietzsche e os nazistas, por exemplo. De qualquer forma, Sartre serve como justificativa filosófica aos portadores de SUVs e Civics que conduzem carros e vidas acima da lei, desrespeitando semáforos e normas com a mesma hipocrisia com que levam suas relações unilateralmente abertas.

Sorte que não fomos contemporâneos, pois isso poderia causar uma Crise dos Infinitos Existencialistas. Tuh-dum cshhh!

31.3.05

Sonho e controle

Por um motivo qualquer, derrubo o controle remoto da TV. É uma daquelas cenas em você vê o que está acontecendo, mas sabe que não vai dar tempo de evitar. O pequeno objeto cai no chão, mas não quebra, o que parece inacreditável. A única conseqüência é o compartimento de pilhas meio aberto. Coloco a tampa de volta e o controle remoto no lugar onde sempre fica e volto ao que fazia antes.

Outro momento. TV ligada, uma rápida zapeada, mas o canal não muda. Pressão maior no botão. A mudança ocorre, com dificuldade. O motivo? Ah, deve ser por causa da queda do controle remoto. Mas nada caiu. De onde veio essa memória de queda? De um sonho?! Se foi um sonho, por que o defeito no controle? Parece que coisas estranhas acontecem depois de ler as 75 edições de Sandman em 3 dias.

Ah, esse Daniel é mesmo um piadista.

29.3.05

Da série "Coisas que aprendi vendo TV"

Todos nós, amantes do sexo feminino, enfrentamos uma certa dificuldade nos dias de hoje pra encontrar uma fêmea que reúna um número mínimo de qualidades. Raríssimo então é encontrar uma mulher que seja bela sem ser vulgar e inteligente sem ser maçante. Uma mulher com quem você possa passar horas discutindo o uso da Luz Síncroton, mas que faça você esquecer seu próprio nome com apenas um sorriso. Sejam novinhas ou maduras, são mulheres bonitas e inteligentes como as Gilmore Girls, da série de mesmo nome. "Mas como um Zé Mané como eu vai conseguir uma companheira assim?", você pode se perguntar. Calma, José Manuel, a resposta está aqui. Acompanhando atentamente a série, reuni e transcrevo abaixo algumas dicas básicas para você aprender...

Como conquistar uma Gilmore Girl

Seja mais rápido nas piadas; Isso vale tanto pras que você conta quanto pras que você ouve. Gilmore Girls são notórias pela rapidez de seus diálogos e de suas associações de idéias. Por isso não se espante se ela fizer uma piadinha que envolva Joyce, Perdidos no Espaço e uma banda obscura da Finlândia.

Sirva café pra ela; Café é vital para uma Gilmore Girl. Servindo café pra ela, você será uma parte essencial de cada dia da vida dela. Intelectuais e motoqueiros vêm e vão; mas o café está sempre lá nos bons e nos maus momentos.

Leia os livros que ela recomendou, mas não conte; Como uma Gilmore Girl lê muito, ela certamente vai te indicar livros. Lots of books. Escolha o que mais te interessar, mas não deixe ela saber que você leu. No momento adequado de uma conversa qualquer, diga sem alarde algo que só quem leu aquele livro poderia saber. Ela vai concluir por si mesma (e com razão) que acrescentou algo na sua vida e vai ficar feliz por isso.

Não faça amizade com os pais dela; É empiricamente comprovado pela série: quem se dá bem com os sogros, perde a cônjuge. Fácil de explicar, já que geralmente a Gilmore Girl tem relações estremecidas com os pais, pois no passado não quis ser a "princesinha" da casa.

Seja teimoso quando necessário; Se uma mulher inteligente quisesse um ser que obedecesse todas as vontades dela, ela teria um cão. Pessoas inteligentes gostam de ser desafiadas. Entretanto, a Gilmore Girl sempre acaba ganhando qualquer discussão, pois os argumentos dela são tão bons quanto os seus, mas você se perde apreciando o jeito como ela fica linda quando está com raiva.

Não tente comer a mãe/filha dela; Essa dica parece idiota, e é. Mas tem muito idiota pelo mundo, então esse conselho pode ser útil. Se acontecer como na série e a sua Gilmore girl tiver uma mãe inteirona ou uma filha interessante, tire quaisquer segundas ou terceiras intenções de sua mente. Primeiro porque elas não são burras e vão perceber. Segundo que esse negócio de se envolver com mãe e filha é coisa de novela da Globo, comprovando que é mesmo uma idéia idiota.

27.3.05

Frase do dia (especial de Páscoa)

"Why are you wearing that stupid man suit?" - Frank, em Donnie Darko

17.3.05

Frases surdas para ouvidos mudos

O Destino de Miguel tem tudo para se tornar o novo Feira da Fruta.

16.3.05

As aventuras nada fantásticas de Lola

Não sei se por acaso ou afinidade, com o passar dos anos conheci muitas meninas/mulheres "desmioladas". Incluam nessa definição as distraídas, as lerdinhas, as disléxicas e as que são burrinhas mesmo, coitadas. Todas elas, é claro, possuem uma história interessante. Pra protegar o nome de cada uma e pra juntar todas em uma só, surgiu essa personagem chamada Lola. Ela pode ser imaginária, mas suas histórias são bem reais.

História de hoje: "O problema do transporte público"

Lola e seus amigos esperavam pelo ônibus que os levaria a uma festa. Ao ver um ônibus que se aproximava, Zequinha (os amigos de Lola têm os nomes das piadinhas que a gente ouvia na escola) inicia o diálogo.
Zequinha: - Será que esse ônibus serve?
Lola: - Não serve, não! Esse vai pra Praça "Xis-Vê"!
Uma amiga corrige: - É "Praça Quinze", Lola!
Lola: - Foi mal, gente! É que tava escrito em mosaico!
Amigos em coro: - PQP, Lola!

E chega de Lola por hoje.
Em breve ou nunca mais, uma nova aventura.

15.3.05

Frase do dia

Um velho chinês certa vez disse: "Um psicólogo é alguém que cobra por algo que um amigo faria de graça".

12.3.05

Visitas não, leitores sim: esse é o mantra

Parece que alguns ainda não perceberam, mas tô pouco me lixando pra visitas. Não que você que está lendo essas mal-traçadas linhas não seja bem-vindo. Pelo contrário, o lance aqui é puxar uma cadeira e bater um papo, seja pra concordar ou pra achar tudo uma grande besteira. Mas visitas são apenas números girando num contador.

Leitores são aqueles que voltam, aqueles que percebem uma pequena mudança (não necessariamente pra melhor) no teor do blog, aqueles que conseguem apontar quando um texto contradiz outro mais antigo. Leitores são os que voltam porque exercitam o sadismo ao destruir cada argumento do texto; porque apreciam os escritos, mesmo não concordando; porque têm o prazer masoquista de ler um texto que adoram detestar.

Por isso, insisto para que o caro leitor pare de vir todo dia, pois este não é um diário. Utilize um leitor de RSS/Atom (o Firefox tem um "de fábrica", mas recomendo o Sage) e seja avisado quando surgir algo de podre neste reino não-dinamarquês.

O Ex-quase-futuro, como o nome já mostra, não é nada específico. Pode ter reflexões sobre a vida (que pretensão!), chistes jocosos, poemas de pé quebrado, avaliações de livros/filmes/gibis (qualquer um é crítico hoje em dia!) ou textos herméticos e/ou incompreensíveis. O único critério é "não caber em outro lugar". Não por acaso, na descrição aqui ao lado este veículo é comparado a uma lixeira atemporal.

Acredito que a função de um texto é ser lido. Por muitos, por poucos, por um, não importa. Por isso esses textos estão aqui, não em um bloquinho. Acrescente aí os recursos da internet, como a exibição de links para um determinado assunto ou a utilização de imagens e taí o motivo para a gênese desta aberração.

O grande barato dos leitores é que eles existem. Se comunicar ou não, é opção deles. Feedback é um desejo, não uma necessidade. E nessa modalidade, prefiro o e-mail. Assim, o leitor pode fazer um longo texto abordando prós e contras, acertos e erros de toda a porcaria escrita aqui.

Comentários são uma solução para os preguiçosos. Surgiram por pedidos de leitores que queriam argumentar sobre o texto de forma mais curta e rápida. Mas foram colocados com uma série de limitações e podem sumir a qualquer instante.

Entretanto, seria ingenuidade achar que um blog é um ato altruísta de compartilhar ineditices com o mundo. Não há como negar que blog é sim uma ego trip, mas o tamanho dessa viagem varia de ego pra ego. Até onde sei, só embarca quem quer. E, no fim das contas, só o capitão afunda com o navio. Mulheres e crianças primeiro!

9.3.05

Ironia do dia

Voltar pra casa às 7 da manhã lendo Lolita em um ônibus cheio de colegiais.

8.3.05

Axxim não pode, axxim não dá

Sobre filmes em miguxês.
'Nuff said!

7.3.05

Uma xícara de verdade

Café é bom? É bom pra mim. Pode ou não ser bom pra você. Mas se achar ruim, que seja por suas próprias conclusões, não porque uma pesquisa científica declarou que café faz mal. Pois a ciência adora emitir postulados e vaticínios, mas, como sabemos, "la donna è mobile".
A verdade é como o café. (Será que é?) Boa pra uns, ruim pra outros. A verdade de uma situação pode ser diferente para cada um dos envolvidos. Uma questão de ponto de vista (ou seria de paladar?).
Por mais que os americanos gastem suas verdinhas tomando um café que eles acham delicioso, nós macaquitos pobrecitos tomamos em qualquer esquina o simples cafezinho de todas as manhãs, infinitamente mais saboroso do que aquilo que eles chamam de coffee.
Onde tem (café de) verdade aí? Temos verdades e cafés diferentes dos deles? Ou café é apenas café e não serve de analogia a coisa alguma?
Prefiro pensar que é melhor seguir com a verdade do que sem café. Enquanto isso continuarei preparando cafés e saboreando verdades. Ou seria o contrário?

5.3.05

Não

Não concorde com o que digo. Não aceite. Questionar. Pensar. É exatamente disso que se trata.

2.3.05

Produzindo agitações climáticas extensas em um recipiente com H2O

Não sou uma pessoa sociável. Não curto aglomerações. Fama e reconhecimento não me dizem nada. Dou muito valor aos meus livros, gibis e DVDs. Mas sei que isso não é tudo na vida.
E esse não é um daqueles textos que dizem "ande pela praia, veja os passarinhos, ame sua família". Pode ter certeza de que não é. Auto-ajuda não é pra mim ou pra quem me lê. Ninguém precisa ter amigos ou familiares que lhe dizem o quanto somos legais. Ou somos ou não somos. E sabemos disso.
Não vou dizer "feche o livro e vá viver a vida". Talvez se mais pessoas lessem livros, a vida se tornasse mais interessante, até um ponto em que as pessoas parassem de fugir para um livro. Sim, às vezes fugimos para os livros. Porque a vida parece maçante, porque o livro é mais emocionante. Mas sabemos que nenhuma sensação mediada substitui a sensação real. Isso faz a diferença.
As pessoas insistem em dizer que viver bem é "fazer algo ao lado de alguém". Discordo duplamente. Não é preciso "fazer algo", muito menos "com alguém", para viver bem. Viver é ser. Ser quem somos. Nada mais, nada menos. Qualquer coisa além disso é anúncio pra vender margarina. Para viver, não precisamos de drogas, bebidas, festas, família, amigos e (surpresa das surpresas!) também não precisamos de livros, gibis ou DVDs. Ter (ou usar) tudo isso não é viver. Ao contrário do que muitos pensam, a perda dessas coisas não é a perda da vida. Viver é ser, não ter. É pensar, não repetir. É agir, não assistir.
Então seja, pense, aja. Você começa sozinho e termina sozinho. Todo o resto são pedras e doces no caminho. Mas só você pode viver sua vida.

25.2.05

Frase kryptoniana do dia

"Dá pra contar nos dedos de uma mão o número de criaturas no universo conhecido que eu teria medo de enfrentar num combate corpo-a-corpo. J'onn J'onzz está no topo da lista. Ele é a criatura mais poderosa do planeta Terra." - Super-Homem, falando do Ajax.

4.1.05

O Mestre se foi


Imagem por Gabriel Bá.