25.12.04

O Natal que não se vê na TV

Poucas coisas são mais incoerentes que falar de paz e harmonia no Natal. Pelo contrário, a proximidade do fim do ano traz a idéia de um fim de ciclo, um momento para resolver pendências antes que comece tudo de novo. Com o alto teor etílico da indesejável reunião familiar, aparecem as situações mal-resolvidas com os parentes, gerando brigas e ressentimentos de parte a parte. Junte a isso o gasto com os presentes, as ruas e lojas entupidas de gente histérica e as comidas de inverno no calor amazônico e você terá a data do ano com o maior potencial para aborrecimentos.

Já tinha notado tudo isso faz tempo, mas nunca tive um dado objetivo que comprovasse a observação. Isso até que, natais atrás, um médico na família disse que o Natal era a data com o maior número de atendimentos em PS. "Pior que o Carnaval?", perguntei. Segundo ele, o plantão natalino era pior que todo o feriado do Carnaval. Isso, explicou, porque é quando os desafetos se encontram e, sob influência do álcool, acabam perdendo a cabeça. Assim, não é incomum ver um filho baleado pelo pai ou uma mãe esfaqueada pela filha. Palavra de quem atende no hospital de um dos lugares mais barra-pesada da metrópole onde mora.

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