27.12.04

Flogando e andando

Faz tempo que venho querendo falar sobre uma febre (no pior sentido) entre os internautas brasileiros: o fotolog. Aquilo que começou como uma versão fotográfica dos blogs acabou se tornando uma espécie de vitrine de pessoas para a maioria dos donos de flog. Não por acaso, o veículo é chamado de "egolog" por algumas pessoas.

Entretanto, esse "colunismo virtual" não é o único uso de um fotolog. Assim como um blog pode ser um jornal em tempo real, um espaço para um escritor divulgar seu trabalho ou um caderno onde meninas de 15 anos contam o que fizeram ao longo do dia, o flog é exatamente o que o flogger quiser que ele seja. Graças ao talento de pessoas que souberam utilizar o veículo com inteligência, existem muitos flogs que servem como portfólio de fotógrafos amadores, desenhistas, cartunistas ou pessoas que reúnem fotos sobre um determinado tema (vi certa vez um muito bacana sobre jardins em espaços urbanos). Pena que para cada um dos flogs realmente interessantes, existam centenas sobre "a festa em que estive ontem", "mulher gostosa", séries de TV ou imagens de algum anime qualquer capturadas na internet.

Mas o que acho curioso é a avalanche de brasileiros que possuem um ou mais flogs. Prova disso é que o serviço precursor da onda já criou um limite diário de entrada exclusivo para brasileiros e que novos serviços nacionais têm surgido aos montes. Curioso porque o fenômeno não ocorreu também com os blogs, tão gratuitos quanto. Talvez a explosão dos fotologs tupiniquins tenha como causa a nossa Sociedade da Imagem, em que a aparência é tão importante e uma imagem (bonita) vale mais do que mil palavras (sinceras). Ou talvez seja por estarmos no país do analfabetismo funcional, onde é perda de tempo se expressar através de palavras se é possível fazer isso de forma mais fácil e rápida tirando uma foto da própria cara/bunda e colocando na internet para receber os seus 100 comentários.

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