31.12.04

Ex-quase-futuras-resoluções

Listas de resolução são uma das tradições mais toscas do fim de ano, principalmente porque o autor da lista costuma esquecer ou ignorar as próprias resoluções. Quando chega dezembro, só resta à pobre alma reescrever a mesma lista do ano anterior, como um verdadeiro sísifo. Por isso, é muito interessante ver uma lista que não foi esquecida e, mais ainda, passou por uma conferência de todos os itens, como fez o Yeoman, do Blogzine. Inspirado pelas resoluções/revoluções dele, resolvi fazer a minha própria lista para encerrar o ano já com metas firmadas para 2005 (como se já não soubesse que tudo vai mudar no meio do caminho). Talvez daqui a doze meses apareça aqui uma prestação de contas sobre minhas resoluções (isso se essa porcaria de blog ainda existir até lá).

1. Fazer a monografia de conclusão de curso.
Preciso arranjar tempo e forças para concluir essa maldita monografia. Preciso ter em mente que não tenho nenhum anel energético verde, então a minha força de vontade não fará o texto se escrever sozinho.

2. Aproveitar melhor o tempo.
Tá faltando tempo no meu dia. Será que alguém tem algum sobrando? Quem sabe dormindo menos. Ouvi dizer que tem gente que fica muito bem dormindo 3 horas por dia...

3. Arranjar um trabalho que dê prazer.
Essa deve ser a mais fácil, pois já existe algo mais ou menos encaminhado. Em breve, novidades sobre o Cultura Interativa.

4. Arranjar um trabalho que dê grana.
Não precisa ser o mesmo que o anterior (e provavelmente não será). Mas se desse pra conciliar as duas coisas, melhor.

5. Ler mais, ler melhor.
Li bastante coisa esse ano, mas quero conhecer mais os clássicos (universais e da minha área de interesse). Também seria bom ler no meu próprio canto, pra variar. Tem livros que li inteiros em meios de transporte, mas que nunca foram abertos em casa.

6. Amar mais as pessoas que amo. Ignorar quem? Sei lá, esqueci.
Amar, cuidar e proteger quem merece. O resto pode continuar sua marcha rumo ao nada.

7. Escrever mais, sendo ou não publicado.
Alguns textos PRECISAM ser escritos. O fato de ninguém ler não invalida a sua existência.

8. Escrever mais para esta lixeira de tempo.
Não importa pra quantos veículos e pessoas se escreva, tem coisa que não cabe em lugar nenhum. O lugar dessa tralha é aqui.

9. Ter mais contatos e menos amigos.
Parece estranho, mas é isso mesmo. Preciso ampliar a minúscula rede de conhecidos, além de acionar os contatos inativos. A segunda parte é porque fiz tantos amigos nesse ano que deixei antigos e caros amigos um pouco de lado. Devo me concentrar em quem realmente importa, sejam antigos ou recentes. O resto will turn around, como dizia um amigo meu.

10. Controlar melhor os gastos.
Mais saúde e cultura, menos pão e circo.

11. Farejar as oportunidades.
Existe a hora ter cautela e existe a hora de correr o risco. Preciso acertar o relógio...

12. Ganhar a Mega-Sena acumulada.
Precisa explicar por quê?

13. Ser menos supersticioso.
Ih, olha o 13 aí...

Por fim, quero deixar como lembrete a mim mesmo e a todos os que visitarem esta porcaria um poema com o qual cruzei neste ano que termina e que serve como hiper-resolução. A primeira vez que o vi, ele estava em uma antiga história do Flash e falava sobre o sentido de responsabilidade em Barry Allen. O poema se chama "If" e o autor é Rudyard Kipling, o mesmo de The Jungle Book. O interessante é que um trecho de If é citado pelo alucinado personagem de Dennis Hopper em Apocalypse Now ao falar sobre o Coronel Kurtz. Por aí já se pode ver que não é qualquer bobagem. Leiam o poema (em inglês) na íntegra abaixo e descubram se estão à altura.

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!


Rudyard Kipling

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