23.8.04

Na internet, tudo é relativo

Super Size Marvel

16.8.04

Lost in translation

Traz o cobertor?
Tá aqui.
Esse é o lençol.
É, mas também pode ser chamado de cobertor.
Não, cobertor é isso aí do seu lado.
Essa é a manta.
Só conheço isso como cobertor ou coberta.
Mas é manta, acredite.
Tá, sei... Então vai me dizer que você tem outro nome pro edredom também.
Isso aí? É colcha.
Ah, fala sério! Colcha pra mim é um colchão pequeno.
Agora você tá inventando.
É, tô sim... mas até que faz sentido.

Já sabia que relacionamentos não vêm com manual de instruções. Nesse momento senti a falta de um dicionário também.

13.8.04

Uma data sinistra

Sexta-feira 13. Agosto. Dia do canhoto.
Seguem algumas sugestões para comemorar essa data tão especial:
- Levantem com o pé esquerdo (livre interpretação);
- Façam o sinal pro ônibus com a mão canhota;
- Pais, batam nos seus filhos só com a mão esquerda;
- Ofereçam a mão canhestra quando for cumprimentar as pessoas;
- Peçam pras pessoas autografarem os canhotos dos cheques;
- Quando alguém perguntar, indiquem as direções ao contrário, trocando direita por esquerda e vice-versa;
- Substituam todos os adjetivos por "sinistro" (sinônimo de canhoto), até porque sabemos que "sinistro" pode significar qualquer coisa.

8.8.04

Olhos tortos através dos espelhos

Muita gente não percebe que sou estrábico. Não absurdamente vesgo, mas quando cansado ou com sono, o desvio dos olhos pode ser percebido facilmente. Quando era criança, fui durante um tempo no oftalmologista para fazer exercícios que resolvessem o problema. Os olhos estavam sendo treinados para ficar alinhados.
De uns tempos (mais recentes) pra cá, tenho a impressão de que o tal treinamento tinha data de validade. Durante longas leituras, seja em papel ou no computador, começa a ficar difícil concentrar a visão em um único ponto e o esforço para buscar um ponto focal causa uma incômoda dor-de-cabeça.
Forçando mais um pouco, a partir daí, chego a um estágio interessante. Por não conseguir mais focalizar um ponto específico, começo a obter imagens e sensações de luz de forma difusa. Com uma TV ligada, as mensagens textuais se perdem, mas também somem as imagens que carregam as mensagens; a televisão passa a ser apenas uma fonte de luz inconstante que ilumina partes do ambiente à sua volta. Em suma, deixo de decodificar os símbolos que construímos e passo a descodificar todos esses textos e imagens. É uma pequena "trapaça" que ajuda a ver como alguém não-imerso na cultura (possivelmente) perceberia o nosso mundo de poluição sensorial.
O melhor de tudo é, claro, sentir o alívio de retornar dessa "viagem". Não só pelo fim da dor dentro do crânio, mas também por voltar a interpretar o mundo através dos códigos (necessidade vital para quem tenta traduzir a vida em textos e imagens, mesmo sabendo ser impossível). E, por que não, interpretar a própria trapaça. Aí podemos confirmar o que Carroll já sabia: na ausência de interpretação, um espelho é uma janela.

Homenagem ao dia dos pais

- Vamos lá, filhão! Acorda aí! Sei que tá cedo, mas é a sua grande chance.
- Ah, deixa pr'outro dia... Tô com sono... São quatro da manhã...
- Eu sei, eu sei... Mas você precisa levantar agora se quiser chegar lá na peneira às seis. Vamos lá, é a sua grande chance. E você quer ser um jogador de futebol, não quer?
- Quero sim, quero sim. Vambora!

Em todo o mundo, a maioria dos jogadores de terceira divisão precisa conciliar o futebol com outro emprego para se sustentar.

- Pô, filhão, não foi dessa vez, né?
- É...
- Tudo bem, meu filho, fica triste não! É só treinar mais e cê vai conseguir.
- Será, pai?
- Claro, garoto! Eu não sou teu pai? Escuta o que eu tô te dizendo. Vamos fazer o seguinte: cê larga aquela escola que mal te ensina a ler e começa a treinar no horário das aulas também. Aí ninguém te segura, meu garoto!
- Poxa, pai, você é o melhor pai do mundo!

No Brasil, a porcentagem de jogadores de futebol que recebem valores acima de R$ 2 mil é inferior a 1%.

6.8.04

Eleições 2004

Alguém além de mim acha que a Jandira Feghali parece o Roberto Carlos?
Não sei se é o cabelo, os trejeitos ou o fato de usar roupas brancas, mas sempre que ela aparece na televisão, fico com a impressão de que ela vai começar a responder a pergunta do repórter com um "pô, bicho". Não me surpreenderia se ela começasse a jogar rosas pro eleitorado. Mas, pra dizer a verdade, ainda prefiro o Erasmo.