17.5.04

Super-Hermano

"Você conhece a história. Você conhece o mito. Agora conheça a juventude do rapaz que se transformaria em um símbolo para milhões de pessoas no mundo inteiro." Chamada de Smallville? Mais ou menos.
Estou falando de Diários de Motocicleta, um filme que conta um pouco da juventude de Ernesto Guevara, que mais tarde se tornaria o Che, uma espécie de Super-Homem de esquerda. Não que o jovem Ernesto tenha visão de calor ou coisa do tipo, mas há semelhanças entre "Diários" e Smallville.
Pra começar, os dois protagonistas são jovens que, ao crescer, se tornariam parte do imaginário coletivo do século XX. O fato de um deles ser real e o outro uma obra de ficção não importa. Apenas a fantasia criada em torno deles já é o suficiente para transformar ambos em mito. Isso sem mencionar a enorme venda de camisas dos dois...
Mostrar detalhes da juventude do homem antes que ele se tornasse uma lenda é um grande atrativo para os admiradores. A indústria do entretenimento sabe bem disso. Sherlock Holmes e Hércules, por exemplo, são personagens que já foram mostrados em sua juventude. Acredito que Walter Salles, corretamente, colocou em seu filme referências a acontecimentos futuros, parte do jogo de reconhecimento que tanto agrada aos espectadores. Assim como nas citações aos quadrinhos feitas em Smallville, Salles mostra em Ernesto certos traços de personalidade que no futuro seriam parte integrante do mito de Che Guevara. Algumas dessas referências podem até fugir ao conteúdo do diário real que serviu de base para o filme, mas tal licença é permitida, já que o filme também é uma obra de ficção. Longe de mostrar a realidade, apresenta apenas uma versão romanceada de uma história de vida que ganhou toques de lenda.
Ver o filme e gostar é parte do jogo. Aceitar a lenda como realidade é como acreditar que um homem pode voar.

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