16.4.04

Humor de jornalista

A nota abaixo foi publicada na coluna Eureca do jornal O Globo do dia 12 de abril. A jornalista Ana Lucia Azevedo usou uma informação científica banal e transformou numa nota muito engraçada, lembrando o jornalismo de antigamente. Reconheço que algumas piadas ficaram meio óbvias, mas os jornalistas não são famosos por seu bom humor.

Macaco Tião, famoso no Paraíso

CELEBRIDADE: Enquanto muita gente se mata por 15 minutos de celebridade, Tião, o macaco mais famoso do Brasil, chama atenção até depois de morto. Ele morreu em 1996, foi enviado ao Centro de Primatologia da Feema, na floresta de Paraíso, em Guapimirim, onde teve o esqueleto preparado para a exposição. E lá, em Paraíso, é astro, agora a serviço da ciência. Visitantes pedem para tirar fotos ao seu lado, sem ligar para o fato de ele não estar exatamente em forma.


Quem lembra do Tião, sabe que sua ida para o Paraíso depois de morto é, no mínimo, irônica.

O preço de sua escolha

Uma das coisas que o povo que curte quadrinhos mais detesta é o alto preço dos gibis. Se antes somente as edições luxuosas e voltadas para o público adulto tinham preços exorbitantes, hoje qualquer gibi mensal acaba sendo um peso no orçamento. Isso traz conseqüências negativas para toda a cadeia produtiva dos quadrinhos, dos leitores às editoras. É a velha história do tiro no próprio pé.
Esse assunto rende uma boa discussão que se aprofunda até a questão da finalidade dos quadrinhos, mas não é disso que quero falar agora. Serei um pouco mais egoísta e verei a ótica exclusiva do comprador regular. Ele se interessa por uma revista que vê na banca ou na loja especializada, mas acha o preço muito caro. O que ele faz? Em São Paulo, ele espera o próximo Fest Comix, onde gibis são vendidos em preços muito abaixo dos preços de capa e pode-se comprar um gibi da Liga da Justiça Internacional (da Abril) por R$ 1,00.
Por aqui, a solução seria procurar a revista em sebos ou nas lojas especializadas. Aqui entra a pergunta: existem sebos de gibi no Rio? Não conheço nenhum. Aliás, conhecia algo que poderia ser considerado um sebo. Durante um ano, entre 2002 e 2003, comprei revistas em uma pequena barraca armada no meio de uma rua movimentada. O "tio das revistas", como o apelidei (não sei o nome dele até hoje!), vendia LPs, livros e gibis a preços muito baixos, provavelmente porque custou muito pouco ou nada adquirir esses objetos de pessoas que queriam se livrar de "velharias". Esse velho senhor vendia gibis segundo a seguinte cotação: "formatinho" por R$ 0,50 e formatos maiores por R$ 1,00. Isso fazia com que um Superalmanaque Marvel (que tinha umas 260 páginas) saísse por cinqüenta centavos, pois era em formatinho. Só não comprei porque já tinha.
É claro que havia desvantagens nesse tipo de compra. Muitas revistas tinham páginas (principalmente capas) rasgadas, rabiscos em algumas folhas, além de muita poeira (péssimo para alérgicos), mas tudo isso era compensado pelo preço, extremamente convidativo. Certa vez, comprei onze revistas em formatinho e o velhinho ainda "arredondou" pra R$ 5,00. Pela expressão dele, o negócio foi ainda mais vantajoso pra ele que pra mim.
Negócio vantajoso mesmo fazem as lojas especializadas. Aqui no Rio, por exemplo, só conheço quatro, sendo que três delas praticam o mesmo "sistema de vendas". É engraçado como os preços são cotados nessas lojas. Uma revista mensal antiga, mesmo que tenha a tiragem dez vezes maior que uma revista atual, é vendida por um valor dez vezes maior. Ou seja, as revistas não são cotadas pela sua raridade ou qualidade, mas sim pelo fator "o fã quer completar a coleção, por isso vamos vender caro". E o fã e colecionador compra sem pensar duas vezes, reciclando o esquema. É a mais simples lei de mercado. As conseqüências mais diretas dessa prática são os preços inflacionados e a elitização do mercado. A longo prazo isso gera a estagnação do crescimento, a retração no comércio e a falência das lojas. Não vou sentir falta.
A opção (solução?) para essa situação são as trocas de revistas entre os próprios leitores, o boicote às lojas que cobram preços irreais e a pesquisa apurada antes de sair abrindo a carteira. Prefira um "tio das revistas" que uma "loja exclusiva".
Ah, nas últimas vezes em que passei pelo lugar onde o velhinho ficava, ele não estava mais lá. Espero que ele esteja bem e vendendo seus discos e livros para outra freguesia.

Comentários: modo de usar

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Quanto mais as coisas mudam...

Como alguns já puderam perceber, fiz algumas alterações no Ex-quase-futuro. Basicamente, as mudanças foram a instalação de um sistema de comentários e a inserção de imagens em alguns posts. Nesse processo, descobri uma coisa interessante: existem pessoas masoquistas que realmente lêem essa porcaria que escrevo. Se este que vos escreve não fosse autor, nem visitaria isso aqui. Resumindo, vocês, leitores, são loucos!

Um dos leitores do blog, em foto gentilmente cedida pela Bia.

O mais estranho é perceber que algumas pessoas se preocupam com a qualidade de algo que já nasceu condenado e oferecem ajuda e sugestões para a melhora deste depósito de bobagens. Nos últimos meses, conheci muitos sites e blogs que aliavam simplicidade, objetividade e qualidade, feitos por pessoas com quem me identifiquei em maior ou menor grau. Essas pessoas e suas obras me inspiraram a fazer essas alterações (que considero melhorias), na tentativa de construir um veículo mais eficaz para essas idéias tolas.
Gostaria de agradecer a todos os que incentivaram de alguma forma essa busca por uma melhor interação com os leitores, mas especialmente a Castrezana, Bia e Alessandro, pessoas que, mesmo sem me conhecer pessoalmente, aturaram a minha falta de conhecimento no assunto e tiveram a paciência de me ensinar a mexer "nessa tal de" internet.
Tenho que agradecer também à pessoa que fez e faz mais por mim do que posso desejar. Obrigado por fazer tudo valer a pena!
Insanos leitores, já fiz a minha parte para tornar esses textos de péssimo gosto um pouco mais palatáveis. Agora façam a parte de vocês e leiam!