31.12.04

Ex-quase-futuras-resoluções

Listas de resolução são uma das tradições mais toscas do fim de ano, principalmente porque o autor da lista costuma esquecer ou ignorar as próprias resoluções. Quando chega dezembro, só resta à pobre alma reescrever a mesma lista do ano anterior, como um verdadeiro sísifo. Por isso, é muito interessante ver uma lista que não foi esquecida e, mais ainda, passou por uma conferência de todos os itens, como fez o Yeoman, do Blogzine. Inspirado pelas resoluções/revoluções dele, resolvi fazer a minha própria lista para encerrar o ano já com metas firmadas para 2005 (como se já não soubesse que tudo vai mudar no meio do caminho). Talvez daqui a doze meses apareça aqui uma prestação de contas sobre minhas resoluções (isso se essa porcaria de blog ainda existir até lá).

1. Fazer a monografia de conclusão de curso.
Preciso arranjar tempo e forças para concluir essa maldita monografia. Preciso ter em mente que não tenho nenhum anel energético verde, então a minha força de vontade não fará o texto se escrever sozinho.

2. Aproveitar melhor o tempo.
Tá faltando tempo no meu dia. Será que alguém tem algum sobrando? Quem sabe dormindo menos. Ouvi dizer que tem gente que fica muito bem dormindo 3 horas por dia...

3. Arranjar um trabalho que dê prazer.
Essa deve ser a mais fácil, pois já existe algo mais ou menos encaminhado. Em breve, novidades sobre o Cultura Interativa.

4. Arranjar um trabalho que dê grana.
Não precisa ser o mesmo que o anterior (e provavelmente não será). Mas se desse pra conciliar as duas coisas, melhor.

5. Ler mais, ler melhor.
Li bastante coisa esse ano, mas quero conhecer mais os clássicos (universais e da minha área de interesse). Também seria bom ler no meu próprio canto, pra variar. Tem livros que li inteiros em meios de transporte, mas que nunca foram abertos em casa.

6. Amar mais as pessoas que amo. Ignorar quem? Sei lá, esqueci.
Amar, cuidar e proteger quem merece. O resto pode continuar sua marcha rumo ao nada.

7. Escrever mais, sendo ou não publicado.
Alguns textos PRECISAM ser escritos. O fato de ninguém ler não invalida a sua existência.

8. Escrever mais para esta lixeira de tempo.
Não importa pra quantos veículos e pessoas se escreva, tem coisa que não cabe em lugar nenhum. O lugar dessa tralha é aqui.

9. Ter mais contatos e menos amigos.
Parece estranho, mas é isso mesmo. Preciso ampliar a minúscula rede de conhecidos, além de acionar os contatos inativos. A segunda parte é porque fiz tantos amigos nesse ano que deixei antigos e caros amigos um pouco de lado. Devo me concentrar em quem realmente importa, sejam antigos ou recentes. O resto will turn around, como dizia um amigo meu.

10. Controlar melhor os gastos.
Mais saúde e cultura, menos pão e circo.

11. Farejar as oportunidades.
Existe a hora ter cautela e existe a hora de correr o risco. Preciso acertar o relógio...

12. Ganhar a Mega-Sena acumulada.
Precisa explicar por quê?

13. Ser menos supersticioso.
Ih, olha o 13 aí...

Por fim, quero deixar como lembrete a mim mesmo e a todos os que visitarem esta porcaria um poema com o qual cruzei neste ano que termina e que serve como hiper-resolução. A primeira vez que o vi, ele estava em uma antiga história do Flash e falava sobre o sentido de responsabilidade em Barry Allen. O poema se chama "If" e o autor é Rudyard Kipling, o mesmo de The Jungle Book. O interessante é que um trecho de If é citado pelo alucinado personagem de Dennis Hopper em Apocalypse Now ao falar sobre o Coronel Kurtz. Por aí já se pode ver que não é qualquer bobagem. Leiam o poema (em inglês) na íntegra abaixo e descubram se estão à altura.

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!


Rudyard Kipling

29.12.04

Alimentando o feed

Quando falei do Sage, esqueci de mencionar que este humilde blog também utiliza um recurso para feed, mas não é o famoso RSS. É o Atom, que vem como opcional do Blogger. Fácil de ativar, o recurso gera um endereço do Ex-quase-futuro próprio para ser lido nesse tipo de visualização.

Na prática, ele avisa quando tem conteúdo novo aqui, pra você não ter que ficar voltando toda hora (como se alguém fizesse isso...). Muito útil aqui, onde atualizações são inconstantes como o humor do Gollum. E muito interessante para aqueles blogueiros e donos de sites que se preocupam em ter leitores, não visitas, pois o recurso permite ao freqüentador do blog/site receber uma prévia do que é o texto/matéria nova, conferindo somente se desejar.

Ganha o leitor, que não perde tanto tempo navegando; ganha o autor, cujos textos serão lidos por leitores interessados e fiéis. Com isso, a ditadura das page views tende a acabar, da mesma forma como os anúncios em pop-up vêm sumindo por conta da ação dos bloqueadores.

Sugiro que os colegas blogueiros, particularmente os que utilizam o Blogspot, ativem o recurso e façam os seu leitores mais felizes. Fiquem ligados, pois pode estar nascendo uma nova forma de se encarar a navegação na internet.

27.12.04

Flogando e andando

Faz tempo que venho querendo falar sobre uma febre (no pior sentido) entre os internautas brasileiros: o fotolog. Aquilo que começou como uma versão fotográfica dos blogs acabou se tornando uma espécie de vitrine de pessoas para a maioria dos donos de flog. Não por acaso, o veículo é chamado de "egolog" por algumas pessoas.

Entretanto, esse "colunismo virtual" não é o único uso de um fotolog. Assim como um blog pode ser um jornal em tempo real, um espaço para um escritor divulgar seu trabalho ou um caderno onde meninas de 15 anos contam o que fizeram ao longo do dia, o flog é exatamente o que o flogger quiser que ele seja. Graças ao talento de pessoas que souberam utilizar o veículo com inteligência, existem muitos flogs que servem como portfólio de fotógrafos amadores, desenhistas, cartunistas ou pessoas que reúnem fotos sobre um determinado tema (vi certa vez um muito bacana sobre jardins em espaços urbanos). Pena que para cada um dos flogs realmente interessantes, existam centenas sobre "a festa em que estive ontem", "mulher gostosa", séries de TV ou imagens de algum anime qualquer capturadas na internet.

Mas o que acho curioso é a avalanche de brasileiros que possuem um ou mais flogs. Prova disso é que o serviço precursor da onda já criou um limite diário de entrada exclusivo para brasileiros e que novos serviços nacionais têm surgido aos montes. Curioso porque o fenômeno não ocorreu também com os blogs, tão gratuitos quanto. Talvez a explosão dos fotologs tupiniquins tenha como causa a nossa Sociedade da Imagem, em que a aparência é tão importante e uma imagem (bonita) vale mais do que mil palavras (sinceras). Ou talvez seja por estarmos no país do analfabetismo funcional, onde é perda de tempo se expressar através de palavras se é possível fazer isso de forma mais fácil e rápida tirando uma foto da própria cara/bunda e colocando na internet para receber os seus 100 comentários.

25.12.04

O Natal que não se vê na TV

Poucas coisas são mais incoerentes que falar de paz e harmonia no Natal. Pelo contrário, a proximidade do fim do ano traz a idéia de um fim de ciclo, um momento para resolver pendências antes que comece tudo de novo. Com o alto teor etílico da indesejável reunião familiar, aparecem as situações mal-resolvidas com os parentes, gerando brigas e ressentimentos de parte a parte. Junte a isso o gasto com os presentes, as ruas e lojas entupidas de gente histérica e as comidas de inverno no calor amazônico e você terá a data do ano com o maior potencial para aborrecimentos.

Já tinha notado tudo isso faz tempo, mas nunca tive um dado objetivo que comprovasse a observação. Isso até que, natais atrás, um médico na família disse que o Natal era a data com o maior número de atendimentos em PS. "Pior que o Carnaval?", perguntei. Segundo ele, o plantão natalino era pior que todo o feriado do Carnaval. Isso, explicou, porque é quando os desafetos se encontram e, sob influência do álcool, acabam perdendo a cabeça. Assim, não é incomum ver um filho baleado pelo pai ou uma mãe esfaqueada pela filha. Palavra de quem atende no hospital de um dos lugares mais barra-pesada da metrópole onde mora.

17.12.04

Partilhando coisas bacanas

Para ler:
Os Simpsons e a Filosofia, de William Irwin (e outros) - Partindo de exemplos desse desenho animado pós-moderno (e sem pretensões filosóficas), os autores discutem (muito por alto) questões da filosofia do nosso mundo pós-moderno. Engraçado, mas com uma tradução visivelmente feita às pressas. Leia se você curte o desenho e/ou filosofia básica. Compre somente se for fã do desenho.

Para assistir:
Mononoke Hime, de Hayao Miyazaki - O filme animado que antecedeu A Viagem de Chihiro. Ainda é inédito nos cinemas daqui, mas é bem fácil de achar na internet (e com legendas em português!). Uma história simples e envolvente, personagens carismáticos, animação de qualidade. A receita que a Disney esqueceu faz tempo. A interpretação dos animais nesse filme faz O Rei Leão parecer novela mexicana.

14.12.04

Take back the web

Depois de uma série de indicações vindas dos mais diversos lugares, resolvi pesquisar um pouco sobre duas novidades (pelo menos pra mim) muito faladas recentemente: RSS e Firefox. Muita navegação depois, descobri que poderia experimentar as duas coisas ao mesmo tempo. Aproveitando o intervalo entre algumas obrigações, resolvi arriscar e instalar o navegador Mozilla Firefox em português. E não é que o "panda vermelho" cumpre tudo o que promete?!

A principal facilidade para os usuários que não entendem tanto de internet é a migração instantânea do Internet Explorer para o Firefox. Seus favoritos, cookies e demais dados são imediatamente copiados. É como se fosse um navegador "plug n' play", saca?

Outro recurso muito legal é a navegação por abas. Você pode ter todas as páginas na mesma janela e ir migrando de uma pra outra através das abas. Elas são tão finas quando a barra de endereços e não atrapalham a navegação. Poderia citar outras vantagens, como o bloqueador de pop-ups, a pesquisa inteligente e outras firulas, mas quero destacar uma característica bem legal do Firefox.

Lembra quando o ICQ se tornou um programa grande demais? Pra atender a demanda de todos os usuários, o ICQ se tornou um pacotão do tipo X-tudo-com-tudo-o-que-tem-direito-e-capricha-no-molho! Só que isso deixou muito insatisfeitos aqueles usuários que só queriam trocar mensagens de texto. A solução: um pequeno programa básico pronto para receber os opcionais que o dono desejar. O Firefox é assim também. O pacote inicial é bem levinho e posteriormente você pode instalar os plugins e extensões que quiser. Um bom exemplo de "extra" é o Adblock, que faz exatamente o que o nome diz: bloqueia anúncios das páginas da internet, tornando a navegação mais limpa e menos confusa.

Porém, a melhor extensão é o Sage. Sabe o tal RSS mencionado lá no início? A grosso modo, trata-se de uma ferramenta para sites que permite que, com o programa adequado, o internauta seja avisado quando há atualização de conteúdo e possa ver uma prévia do que há de novo. Assim, você só visita um site/blog/canal de notícias quando/se houver algo do seu interesse. E o Sage com isso? Essa extensão faz o Firefox funcionar também como agregador de RSS, poupando o tempo que seria gasto em visitas desnecessárias. Praticidade, teu nome é Firefox.

Pra não dizer que tudo é perfeito, tive uns problemas de conflito com o Velox. Resolvi essa parte simplesmente habilitando novamente o IE como navegador padrão. Acredito que exista um modo de configurar harmonicamente a conexão e o navegador, mas a preguiça me levou a fazer a gambiarra mais fácil.
E você, tá esperando o quê pra baixar o seu Firefox?

10.12.04

O teaser dourado


Parecia impossível superar a bizarrice original, mas acho que Tim Burton conseguiu. Essa é a impressão que se tem ao ver o primeiro teaser do vindouro "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Divertido e estranho, como um filme do Burton deve ser, e com Johnny Depp personificando perfeitamente Willy Wonka.
Não espere mais! Pegue agora mesmo o seu bilhete dourado!

11.11.04

Frase do dia

Um velho chinês certa vez disse: "Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre".

10.11.04

A vingança dos nerds



Conhece o blog dos Melhores do Mundo? Pois perdeu a chance, já que agora eles são o SITE Melhores do Mundo.
Os 4 rapazes e 1 demônio trazem as últimas notícias falando sobre Marvel, DC e todos os assuntos do interesse dos nerds, tudo de uma forma bem divertida.
Parafraseando um certo canal de TV: MdM, o melhor lugar para nerds!

8.11.04

Domingo de chuva

- Sabe esse esquema do Alias?
- Que esquema?
- Esse que a Sydney usa pra mandar as mandar as mensagens, jogando o papel com as instruções na lata do lixo...
- Sei, o que tem ele?
- Não daria certo aqui.
- Aqui em casa?
- Não, aqui na cidade.
- E por que não?
- Porque os catadores de papel iriam pegar o papel da Sydney antes dos agentes.
(...)
- Quem sabe os catadores de papel sejam contra-espiões treinados pra isso...
- Hum, não tinha pensado nisso...

24.10.04

Aviso de utilidade pública

Mulheres, notícias, mulheres, filmes, mulheres, carros, mulheres, futebol, mulheres, tosqueiras da internet, mulheres...

Não, não é coisa do desenho do Pica-Pau. É só a volta do blog do Castrezana: O Maior Espetáculo da Internet (agora com eco!). Aproveitem enquanto ele não some de novo.

12.10.04

Para o alto e avante

7.10.04

O Filme do Amanhã

Uma mistura de James Bond e Indiana Jones. Esse é o espírito de Capitão Sky e o Mundo do Amanhã, filme que deve entrar em cartaz em breve. A fotografia principal foi gravada na frente de uma tela azul, onde posteriormente foram acrescentados os cenários, a mesma técnica de filmagem do fantástico Casshern e do vindouro Sin City.
O visual retrô (já que a ação ocorre nos anos 30) aparece na iluminação e no design da produção, lembrando Metrópolis e os desenhos animados dos irmãos Fleischer. Ao mesmo tempo, é notável a mistura com linhas mais arrojadas, que fazem um dos carros lembrar o Mach 5 do Speed Racer.
Assim como outros blockbusters inteligentes, o filme é centrado na relação entre os personagens mais do que na ação, o que faz toda a diferença. Bem-humorado e divertido, tem tudo para se tornar uma cinessérie de sucesso. Tempo na agenda dos atores não deve faltar, já que o diretor Kerry Conran levou apenas 26 dias para filmar todas as cenas (Angelina Jolie fez todas as suas cenas em 3 dias), graças ao processo utilizado. Pra completar, tem uma das melhores (senão a melhor!) frase final que já vi. Assista.

Frase do dia

"Good boy, Dex!" - Joe "Capitão Sky" Sullivan.

4.10.04

Momento Festival


- Kill Bil vol. 2 (já disponível no camelô mais perto de você): é bacana como o primeiro, mas as músicas não são tão marcantes. O tão falado diálogo do Super-Homem só foi surpreendente para o público leigo; qualquer nerd neófito já pensou nessa questão uma vez ou outra.


- The Edukators (em breve num cinema perto de você): por que sei que esse filme logo estará em cartaz? Porque ele traz o mesmo ator do festejado Adeus, Lênin; porque conta com uma temática parecida; porque cita as favelas do terceiro mundo. Apesar disso tudo, o filme diverte. E a frase final (não direi qual é) me fez lembrar a frase final de um livro que também critica a sociedade de sua época: "Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros".

24.9.04

Companhia dos Lucros

Pra quem reclama dos preços da Devir, é bom dar uma olhada nesse lançamento. À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman, é uma HQ que mostra a visão do artista sobre seu país depois do conhecido ataque contra as tais torres. A edição nacional foi feita pela Companhia das Letras, que preparou uma edição especial em papel cartonado. O livro, com 44 páginas, custa 78 reais. Não é erro de digitação. R$ 78,00. Pode acreditar.
A obra do mesmo autor de Maus (uma excelente HQ) e das capas da New Yorker (a big piece of shit) é mesmo valiosa, mas daí a cobrar esse preço estapafúrdio é um grande roubo. Mesmo as obras do Eisner, lançadas pela mesma editora, são um crime muito menos doloso ao bolso da vítima.
Querem uma obra de qualidade a preço justo? Procurem As Obras Completas de Carl Barks, da Editora Abril. Papel de qualidade, formato americano e mais de 170 páginas de quadrinhos (e matérias relacionadas) por 15 reais. Para provar que nem todos os tesouros são inacessíveis.

20.9.04

Antigo

Três homens de branco
Numa viela amarela
Pelo brilho antigo de postes torcidos
Cantando em perfeita harmonia
Música sem som cadenciada por pegadas
Passos que apagam as luzes atrás de si
Nota de uma melodia silenciosa

16.9.04

Diálogo de blogueiros minimalistas

- Postei.
- Verei.
- Okei.
- Gostei.

7.9.04

Frases surdas para ouvidos mudos

"O trabalho emagrece o homem." - JP

23.8.04

Na internet, tudo é relativo

Super Size Marvel

16.8.04

Lost in translation

Traz o cobertor?
Tá aqui.
Esse é o lençol.
É, mas também pode ser chamado de cobertor.
Não, cobertor é isso aí do seu lado.
Essa é a manta.
Só conheço isso como cobertor ou coberta.
Mas é manta, acredite.
Tá, sei... Então vai me dizer que você tem outro nome pro edredom também.
Isso aí? É colcha.
Ah, fala sério! Colcha pra mim é um colchão pequeno.
Agora você tá inventando.
É, tô sim... mas até que faz sentido.

Já sabia que relacionamentos não vêm com manual de instruções. Nesse momento senti a falta de um dicionário também.

13.8.04

Uma data sinistra

Sexta-feira 13. Agosto. Dia do canhoto.
Seguem algumas sugestões para comemorar essa data tão especial:
- Levantem com o pé esquerdo (livre interpretação);
- Façam o sinal pro ônibus com a mão canhota;
- Pais, batam nos seus filhos só com a mão esquerda;
- Ofereçam a mão canhestra quando for cumprimentar as pessoas;
- Peçam pras pessoas autografarem os canhotos dos cheques;
- Quando alguém perguntar, indiquem as direções ao contrário, trocando direita por esquerda e vice-versa;
- Substituam todos os adjetivos por "sinistro" (sinônimo de canhoto), até porque sabemos que "sinistro" pode significar qualquer coisa.

8.8.04

Olhos tortos através dos espelhos

Muita gente não percebe que sou estrábico. Não absurdamente vesgo, mas quando cansado ou com sono, o desvio dos olhos pode ser percebido facilmente. Quando era criança, fui durante um tempo no oftalmologista para fazer exercícios que resolvessem o problema. Os olhos estavam sendo treinados para ficar alinhados.
De uns tempos (mais recentes) pra cá, tenho a impressão de que o tal treinamento tinha data de validade. Durante longas leituras, seja em papel ou no computador, começa a ficar difícil concentrar a visão em um único ponto e o esforço para buscar um ponto focal causa uma incômoda dor-de-cabeça.
Forçando mais um pouco, a partir daí, chego a um estágio interessante. Por não conseguir mais focalizar um ponto específico, começo a obter imagens e sensações de luz de forma difusa. Com uma TV ligada, as mensagens textuais se perdem, mas também somem as imagens que carregam as mensagens; a televisão passa a ser apenas uma fonte de luz inconstante que ilumina partes do ambiente à sua volta. Em suma, deixo de decodificar os símbolos que construímos e passo a descodificar todos esses textos e imagens. É uma pequena "trapaça" que ajuda a ver como alguém não-imerso na cultura (possivelmente) perceberia o nosso mundo de poluição sensorial.
O melhor de tudo é, claro, sentir o alívio de retornar dessa "viagem". Não só pelo fim da dor dentro do crânio, mas também por voltar a interpretar o mundo através dos códigos (necessidade vital para quem tenta traduzir a vida em textos e imagens, mesmo sabendo ser impossível). E, por que não, interpretar a própria trapaça. Aí podemos confirmar o que Carroll já sabia: na ausência de interpretação, um espelho é uma janela.

Homenagem ao dia dos pais

- Vamos lá, filhão! Acorda aí! Sei que tá cedo, mas é a sua grande chance.
- Ah, deixa pr'outro dia... Tô com sono... São quatro da manhã...
- Eu sei, eu sei... Mas você precisa levantar agora se quiser chegar lá na peneira às seis. Vamos lá, é a sua grande chance. E você quer ser um jogador de futebol, não quer?
- Quero sim, quero sim. Vambora!

Em todo o mundo, a maioria dos jogadores de terceira divisão precisa conciliar o futebol com outro emprego para se sustentar.

- Pô, filhão, não foi dessa vez, né?
- É...
- Tudo bem, meu filho, fica triste não! É só treinar mais e cê vai conseguir.
- Será, pai?
- Claro, garoto! Eu não sou teu pai? Escuta o que eu tô te dizendo. Vamos fazer o seguinte: cê larga aquela escola que mal te ensina a ler e começa a treinar no horário das aulas também. Aí ninguém te segura, meu garoto!
- Poxa, pai, você é o melhor pai do mundo!

No Brasil, a porcentagem de jogadores de futebol que recebem valores acima de R$ 2 mil é inferior a 1%.

6.8.04

Eleições 2004

Alguém além de mim acha que a Jandira Feghali parece o Roberto Carlos?
Não sei se é o cabelo, os trejeitos ou o fato de usar roupas brancas, mas sempre que ela aparece na televisão, fico com a impressão de que ela vai começar a responder a pergunta do repórter com um "pô, bicho". Não me surpreenderia se ela começasse a jogar rosas pro eleitorado. Mas, pra dizer a verdade, ainda prefiro o Erasmo.

14.7.04

Se não 'güenta, por que veio?

Retirado de matéria publicada no jornal O Globo:
"A prática de sexo grupal é ato que agride a moral e os bons costumes minimamente civilizados. Se o indivíduo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor. Quem procura satisfazer a volúpia sua ou de outrem, aderindo ao desregramento de um bacanal, submete-se conscientemente a desempenhar o papel de sujeito ativo ou passivo, tal é a inexistência de moralidade e recto neste tipo de confraternização".
E põe recto nisso!

Leia mais aqui.

2.7.04

Frase (enorme) do dia [com comentários!]

"É um fato bem conhecido que o botão 'feche a porta' na maioria dos elevadores é como o placebo, totalmente redundante, colocado ali apenas para dar às pessoas a impressão de que elas estão, de alguma forma, participando, contribuindo para dar velocidade ao percurso do elevador - quando apertamos esse botão, a porta fecha exatamente no mesmo período de tempo que quando apertamos o botão do andar, sem acelerar o processo de 'fechar'." - Slavoj Zizek, filósofo e ex-candidato à presidência da República da Eslovênia. (Retirado do livro Matrix - Bem-vindo ao Deserto do Real.)

Comentários:
1) Fato bem conhecido? Confesso que nem imaginava esse papo dos botões-placebo de elevador. Mas lembrei daqueles "falsos botões" no hall dos elevadores de prédios comerciais/públicos que acendem, mas são só enfeites e não podem ser apertados.
2) Será que isso acontece nos elevadores daqui também ou só naqueles da Eslovênia?
3) O ascensorista também é placebo? Isso explicaria muita coisa...
4) Parece que a Eslovênia é um país tão desenvolvido que resolveu todos os seus problemas, então o candidato à Presidência passa o dia medindo o tempo de fechamento da porta dos elevadores de lá. E nota-se que ele é um perito no assunto.
5) E, last but not least, a pergunta que não quer calar: existem frases curtas na Eslovênia?

29.6.04

Cada um tem a camisa de super-herói que merece


O rosto está desfocado graças a um efeito do Photoshop chamado "fotógrafo ruim"

O Felipe listou em seu blog as coisas que ele ouve quando usa sua camisa do Super-Homem. Tenho uma camisa da morte do Super-Homem, o que pra maioria das pessoas dá quase na mesma, mesmo que a minha tenha uma mão imensa atravessando o famoso S. Ainda assim, nunca ouvi as mesmas coisas engraçadas que o felipe.
No meu caso, as reações se resumem a três:

1) "Faaaaaaala, Super-Homem!"; sendo que essa é a frase mais ouvida, geralmente proferida por bêbados notívagos que nem me conhecem, mas me cumprimentam como se fosse normal pra eles ver o Super-Homem por aí no meio da madrugada...

2) Crianças imbecis que querem mostar que conhecem o personagem: "Pai, olha o Superômi, olha pai! Paiê, olha lá o Superômi! É o Superômi, pai, olha!..." e por aí vai. Pior ainda quando encontro crianças assim no ônibus. Cada minuto da viagem dura horas.

3) O pior caso. Pais que, por incompetência moral, ficam ameaçando/adestrando as crianças usando o Super-Homem como modelo de comportamento e figura de autoridade. "Pára de chorar, filho! Olha o Super-Homem ali! Vai chorar na frente do Super-Homem, filho?" A frase inicial também pode ser substituída por "devolve esse brinquedo" ou outra variação similar, mas o efeito é o mesmo. Normalmente, quando fecho a cara, o rascunho de genitor pára com a gracinha, mas alguns fingem que a cara feia não é pra eles e ainda dizem pro filho "agora o Super-Homem tá com raiva de você!" e intimidam mais ainda a criança.

Algum dia ainda compro uma camisa do Justiceiro...

7.6.04

Frase do dia [atualizado]

"Se você fala quando deve calar, sua palavra é lama.
Se você cala quando deve falar, sua palavra é pó.
Se você fala e cala segundo a necessidade,
Nem a lama nem o pó cobrirão sua consciência."
(Provérbio chinês)

Ao amigo Eudes, que sabe quando falar e quando calar... Mas que é indeciso pra caramba e já voltou a escrever!

Ponto de ruptura

Ele não demonstrava sentimentos. Até mostrava aqueles pequenos sentimentos: alegria, tristeza, frustração, entusiasmo. Mas não os grandes. Nada amava "de todo o coração", nada odiava "do fundo da alma". E vivia assim.
Fé? É para os tolos. Vingança? É para os fracos. Estava além disso. Estava acima disso.

Um dia se apaixonou. Seu mundo controlado quase se desfez. Ele, que não acreditava em perfeição, conhecera um ser humano perfeito. Ele, que tanto prezava sua independência, passara a colocar as necessidades e desejos de outro ser acima das suas. Estava feliz. Feliz e confuso. Num lapso de lucidez, rompeu o relacionamento. Recuperou o controle das próprias emoções. Era novamente o ser que almejava ser.

Certa vez, sofreu grande violência. Veio o ímpeto de eliminar o outro, sempre o outro. Mas se agisse como o outro, seria como o outro. Não era o que queria. Fez o que era devido e correto. Era como que ele era.
Centrado, controlado, exemplar. Assim os outros o consideravam. Ele não via mérito algum em ser como era. Apenas pensava que essa era a forma de existir. Funcionava assim. Aí veio o tapa na cara.

Tapas não são um gesto comum nos dias de hoje. Salvo alguns ébrios mais atrevidos, não é comum ver pessoas levando tapas por aí. Em uma rua qualquer, em um dia qualquer, ele viu um tapa. A cidade nos inunda de barulhos, mas aquele golpe emitiu um som que calou todos os sons. A cidade não se calou, as pessoas não se calaram, mas naquele momento o tapa foi tudo o que ele ouviu. E tudo o que ele viu foi uma mãe batendo em uma filha.

Ao som daquele tapa, algo nele se quebrou. Talvez a culpa seja da cidade barulhenta. Talvez das pessoas que ignoravam a cena. Algo nele se rompeu. A criança não esboçou reação maior do que um grito de dor não emitido e uma lágrima contrária à sua vontade. Ela estava acostumada com o gesto. Ele sentia emoções misturadas, confusas. A mãe não expressava raiva, tristeza, remorso ou vergonha. O tapa era um gesto banal, habitual. Ele havia atingido o ponto de ruptura. Não havia amor ou ódio que justificasse aquele gesto. Não era motivado por fé ou vingança. Era gratuito, algo sem sentido no meio de tantas coisas sem sentido. Quando ele achava que ia implodir em dor, tudo passou.

A confusão não mais existia. Não havia mais dúvidas. Algo nele se rompeu, talvez para sempre, mas isso agora parecia natural. Tinha as idéias claras e percebeu imediatamente o que deveria fazer. Andou os metros que o separavam da mãe e acertou ela. Várias vezes. Só parou quando a mulher parou de reagir, então deitou delicadamente seu corpo desacordado no chão. Foi até a menina, parada e chocada, e disse uma única palavra:
- Chore.
E ela chorou. Como se não escutasse o próprio choro há anos. Como se nunca tivesse chorado.
Enquanto seguia seu caminho, ele ligou para chamar a ambulância e ouviu o choro já distante. E percebeu que não estava alegre ou triste, mas se sentia capaz de demonstrar esses e muitos outros sentimentos. Sabia que era uma pessoa diferente de antes. Algo nele mudara definitivamente e ele seria assim a partir daquele momento. Pois assim ele era.

2.6.04

F5 no mundo

Hoje vi um gato
Debaixo de um carro
Mesclado em branco e preto
Olhava para mim
Olhei pro outro lado
Olhava para mim
Mesclado em branco e preto
Debaixo de um carro
Hoje vi um gato

17.5.04

Por falar em tiras...

Alguém poderia me explicar por que cargas d'água os policiais são chamados de "tiras" nas dublagens dos filmes?
Você já viu alguém na rua falando "olha os tiras aí na blitz!" ou um bandido gritando "sujou, os tiras chegaram!"? Então de onde surgiu essa designação "tiras"? Em algum ponto do Brasil se fala ou se falou assim algum dia?
Dúvidas, dúvidas...

Qualidade em pequenas doses

A internet é um espaço democrático? Mais ou menos. Mas é bem mais democrático do que outros meios, ao menos quando falamos em quadrinhos. Principalmente a forma mais popular de quadrinhos: as tiras (ou tirinhas). Hoje em dia qualquer Zé Ruela pode abrir um blog e publicar coisas que ninguém vai ler (hã, isso parece familiar...). Para os quadrinistas, essa é uma oportunidade (talvez a única) de ter sua tira publicada em algum veículo. Novatos e astros das HQs dividem espaço na internet, onde o público flui de um site pra outro sem compromisso, fazendo com que as tiras boas e desconhecidas sejam quase tão lidas quanto as famosas. Seguem abaixo algumas recomendações minhas.

Existem sites que compilam tiras alheias, apesar de não produzir nenhuma. Eles prestam um serviço ao leitor por reunir alguns bons quadrinhos no mesmo lugar. Um desses sites é o Indigo City Sunset, que também faz a tradução dos textos de outras línguas para o português, uma ajuda sempre bem-vinda. Depois de uma breve reforma, o Indigo está no ar novamente, trazendo Peanuts, Garfield e Calvin, entre outras, todas em português.

Lá no Indigo, conheci a tira Striptease, sobre jovens envolvidos na produção de uma HQ independente. Muito legal pra quem se identifica com esse mundo. Em Inglês.

Tenho uma certa antipatia por fotologs (em breve falarei mais sobre eles), mas alguns criadores de tiras fazem dos flogs o veículo para suas tirinhas. Um exemplo é o Metade, já citado por aqui. Outro é o Oswaldo Augusto, um peixe bem esquisito criado por Daniel Pinheiro Lima.

Liberty Meadows é uma clínica veterinária que trata dos problemas físicos e psicológicos de animais que parecem muito com seres humanos. Essa série (agora sendo publicada pela Image) é uma criação do insano Frank Cho. No site oficial, pode-se conferir a bela arte de Cho e ainda ler a versão original das tirinhas que foram censuradas na época da publicação original (acreditem, são muitas!). As tiras recentes podem ser vistas neste site, mas só as dos últimos sete dias. Lendo Liberty Meadows você vai entender o verdadeiro significado de "porco chauvinista". Em inglês.

Um que não pode faltar nessa lista é o bom e velho Garfield. Prestes a completar 26 anos, o gato mais preguiçoso do mundo continua tendo a melhor tira de todos os tempos, na minha opinião. Na página oficial, você pode se cadastrar e receber uma tirinha no seu e-mail todo dia. Em inglês.

Nerd-tiras. Geralmente os quadrinistas são nerds, o que faz com que essa pequena parcela da população seja muito bem representada nas HQs em geral e nas tiras em particular.
Em MegaTokyo, a cultura pop japonesa é mostrada de uma maneira muito divertida. Aconselhável para quem gosta de mangás, animês e videogames japoneses. Em inglês.
PvP (Player vs. Player) mostra o cotidiano de uma redação de uma revista do tipo Ação Games (aliás, ela ainda existe?). Mais indicado para os nerds gamers. Em inglês.
Finalmente, aquela que é hoje a minha favorita. Dork Tower mistura todos os tópicos da cultura nerd: quadrinhos, RPG, filmes, séries de TV, videogames e o que mais um nerd quiser. Em inglês.

Can't Do It In Real Life? Do It On Ex-Quase-Futuro.

O fantástico slogan acima foi o que recebi ao digitar o nome do blog no site The Advertising Slogan Generator. Dependendo da palavra/expressão digitada e do slogan sorteado, podem aparecer frases muito engraçadas ou apropriadas, como no caso acima.
E, para aqueles que vivem perguntando pra que serve o Orkut, aviso que foi lá que recebi a dica dessa página bacana. Então, já posso dizer que não é algo tão inútil assim, apesar de ainda não ser útil também...

Super-Hermano

"Você conhece a história. Você conhece o mito. Agora conheça a juventude do rapaz que se transformaria em um símbolo para milhões de pessoas no mundo inteiro." Chamada de Smallville? Mais ou menos.
Estou falando de Diários de Motocicleta, um filme que conta um pouco da juventude de Ernesto Guevara, que mais tarde se tornaria o Che, uma espécie de Super-Homem de esquerda. Não que o jovem Ernesto tenha visão de calor ou coisa do tipo, mas há semelhanças entre "Diários" e Smallville.
Pra começar, os dois protagonistas são jovens que, ao crescer, se tornariam parte do imaginário coletivo do século XX. O fato de um deles ser real e o outro uma obra de ficção não importa. Apenas a fantasia criada em torno deles já é o suficiente para transformar ambos em mito. Isso sem mencionar a enorme venda de camisas dos dois...
Mostrar detalhes da juventude do homem antes que ele se tornasse uma lenda é um grande atrativo para os admiradores. A indústria do entretenimento sabe bem disso. Sherlock Holmes e Hércules, por exemplo, são personagens que já foram mostrados em sua juventude. Acredito que Walter Salles, corretamente, colocou em seu filme referências a acontecimentos futuros, parte do jogo de reconhecimento que tanto agrada aos espectadores. Assim como nas citações aos quadrinhos feitas em Smallville, Salles mostra em Ernesto certos traços de personalidade que no futuro seriam parte integrante do mito de Che Guevara. Algumas dessas referências podem até fugir ao conteúdo do diário real que serviu de base para o filme, mas tal licença é permitida, já que o filme também é uma obra de ficção. Longe de mostrar a realidade, apresenta apenas uma versão romanceada de uma história de vida que ganhou toques de lenda.
Ver o filme e gostar é parte do jogo. Aceitar a lenda como realidade é como acreditar que um homem pode voar.

7.5.04

Frase do dia

"Hoje me chamam Aleijadinho, mas a posteridade me fará justiça."
A frase de hoje veio diretamente do blog do excepcional (no sentido em que você preferir) Arnaldo Branco, que por sua vez pegou emprestada a frase de um cartum do Jaguar.

Você viu essas pessoas?

Entre as diversas pessoas que conheci recentemente, é difícil não deixar de notar certos padrões de comportamento que se repetem, criando uma imagem meio caricata de alguém que ainda não se conhece muito bem. Ao encontrar pessoalmente pessoas com quem já trocava idéias através da internet, não pude deixar de notar que dois deles lembravam muito personagens vistos tempos antes. Os personagens em questão são obra de um cartunista de Salvador (cujo nome não sei) que publica em seu fotolog as tirinhas do personagem "Metade". Já as "contrapartes reais" não serão reveladas. Cada um pense o que quiser.

Mais do Metade aqui.

Momento de reflexão: escrever ou não escrever?

Durante um tempo, tentei escrever em períodos (mais ou menos) regulares de tempo. Foi algo que exigiu muito de mim, tanto em termos de esforço quanto de tempo gasto na tarefa. A resposta a tudo isso foi ínfima.
Talvez pela pouca reação apresentada (quase nenhuma, pra dizer a verdade), fui escrevendo em intervalos cada vez maiores. Qual não foi minha surpresa quando, há pouco menos de um mês, percebi que as visitas estavam aumentando. Não somente isso, as pessoas estavam saindo do armário e assumindo que visitavam esta latrina virtual. De onde viria tamanho ímpeto, tamanha coragem?
Um dado novo surgiu na semana passada, quando participei de um encontro nerd promovido pelos blogs Melhores do Mundo e Teia do Aranha. Nos dias após o encontro, um novo aumento nas visitas sem que fosse acrescentada uma única linha de texto ao Ex-quase-futuro. O que poderia ter acontecido?
A explicação para isso é que os blogueiros que antes ignoravam (com razão) este espaço, agora conhecem o "dono da casa" e acabam visitando o blog num ato de solidariedade. Isso me leva a concluir que onde não obtive êxito escrevendo e sendo chato, consegui alguma coisa simplesmente não fazendo nada. O que traz duas questões preocupantes: será que escrevo tão mal que é melhor não escrever nada? E a pior: será que era simpático e não sabia?

A escrita não é nossa amiga

Algumas pessoas me perguntam por que demoro tanto para colocar novos textos no blog. Elas não entendem que não posso simplesmente cuspir um texto e achar que vai ficar bom (porque não vai). Alguns, como o Eudes, até conseguem fazer isso muito bem, mas não é o meu caso. Estou longe de ser um "escritor de um fôlego só".
Para fazer as pessoas entenderem isso de uma forma bem-humorada, coloco essa tirinha de Dork Tower (uma das melhores tiras da atualidade) que ilustra bem a questão. Um aviso: a tira é em inglês e NÃO vou traduzir, por isso não peçam.

Vocês podem encontrar mais tiras de Dork Tower aqui.

Os deuses devem estar loucos

Já faz um tempo que o Ex-quase-futuro recebeu mil visitas. Prova de que hoje em dia qualquer porcaria tem audiência. Mesmo assim, para oferecer um pouco de conforto às pobres almas que se aventuraram nessas mal-escritas linhas, resolvi fazer uma promoção não-divulgada: daria para o milésimo visitante a segunda temporada completa de ER - Plantão Médico em DVD.

Infelizmente, o milésimo visitante foi este que vos escreve, o que me obrigou a ficar com o prêmio. Se serve de consolo, digo que gostaria de dividir essa conquista com todos vocês. Obrigado a todos os perdedores pela visita e voltem sempre.

16.4.04

Humor de jornalista

A nota abaixo foi publicada na coluna Eureca do jornal O Globo do dia 12 de abril. A jornalista Ana Lucia Azevedo usou uma informação científica banal e transformou numa nota muito engraçada, lembrando o jornalismo de antigamente. Reconheço que algumas piadas ficaram meio óbvias, mas os jornalistas não são famosos por seu bom humor.

Macaco Tião, famoso no Paraíso

CELEBRIDADE: Enquanto muita gente se mata por 15 minutos de celebridade, Tião, o macaco mais famoso do Brasil, chama atenção até depois de morto. Ele morreu em 1996, foi enviado ao Centro de Primatologia da Feema, na floresta de Paraíso, em Guapimirim, onde teve o esqueleto preparado para a exposição. E lá, em Paraíso, é astro, agora a serviço da ciência. Visitantes pedem para tirar fotos ao seu lado, sem ligar para o fato de ele não estar exatamente em forma.


Quem lembra do Tião, sabe que sua ida para o Paraíso depois de morto é, no mínimo, irônica.

O preço de sua escolha

Uma das coisas que o povo que curte quadrinhos mais detesta é o alto preço dos gibis. Se antes somente as edições luxuosas e voltadas para o público adulto tinham preços exorbitantes, hoje qualquer gibi mensal acaba sendo um peso no orçamento. Isso traz conseqüências negativas para toda a cadeia produtiva dos quadrinhos, dos leitores às editoras. É a velha história do tiro no próprio pé.
Esse assunto rende uma boa discussão que se aprofunda até a questão da finalidade dos quadrinhos, mas não é disso que quero falar agora. Serei um pouco mais egoísta e verei a ótica exclusiva do comprador regular. Ele se interessa por uma revista que vê na banca ou na loja especializada, mas acha o preço muito caro. O que ele faz? Em São Paulo, ele espera o próximo Fest Comix, onde gibis são vendidos em preços muito abaixo dos preços de capa e pode-se comprar um gibi da Liga da Justiça Internacional (da Abril) por R$ 1,00.
Por aqui, a solução seria procurar a revista em sebos ou nas lojas especializadas. Aqui entra a pergunta: existem sebos de gibi no Rio? Não conheço nenhum. Aliás, conhecia algo que poderia ser considerado um sebo. Durante um ano, entre 2002 e 2003, comprei revistas em uma pequena barraca armada no meio de uma rua movimentada. O "tio das revistas", como o apelidei (não sei o nome dele até hoje!), vendia LPs, livros e gibis a preços muito baixos, provavelmente porque custou muito pouco ou nada adquirir esses objetos de pessoas que queriam se livrar de "velharias". Esse velho senhor vendia gibis segundo a seguinte cotação: "formatinho" por R$ 0,50 e formatos maiores por R$ 1,00. Isso fazia com que um Superalmanaque Marvel (que tinha umas 260 páginas) saísse por cinqüenta centavos, pois era em formatinho. Só não comprei porque já tinha.
É claro que havia desvantagens nesse tipo de compra. Muitas revistas tinham páginas (principalmente capas) rasgadas, rabiscos em algumas folhas, além de muita poeira (péssimo para alérgicos), mas tudo isso era compensado pelo preço, extremamente convidativo. Certa vez, comprei onze revistas em formatinho e o velhinho ainda "arredondou" pra R$ 5,00. Pela expressão dele, o negócio foi ainda mais vantajoso pra ele que pra mim.
Negócio vantajoso mesmo fazem as lojas especializadas. Aqui no Rio, por exemplo, só conheço quatro, sendo que três delas praticam o mesmo "sistema de vendas". É engraçado como os preços são cotados nessas lojas. Uma revista mensal antiga, mesmo que tenha a tiragem dez vezes maior que uma revista atual, é vendida por um valor dez vezes maior. Ou seja, as revistas não são cotadas pela sua raridade ou qualidade, mas sim pelo fator "o fã quer completar a coleção, por isso vamos vender caro". E o fã e colecionador compra sem pensar duas vezes, reciclando o esquema. É a mais simples lei de mercado. As conseqüências mais diretas dessa prática são os preços inflacionados e a elitização do mercado. A longo prazo isso gera a estagnação do crescimento, a retração no comércio e a falência das lojas. Não vou sentir falta.
A opção (solução?) para essa situação são as trocas de revistas entre os próprios leitores, o boicote às lojas que cobram preços irreais e a pesquisa apurada antes de sair abrindo a carteira. Prefira um "tio das revistas" que uma "loja exclusiva".
Ah, nas últimas vezes em que passei pelo lugar onde o velhinho ficava, ele não estava mais lá. Espero que ele esteja bem e vendendo seus discos e livros para outra freguesia.

Comentários: modo de usar

Quanto aos comentários, vamos estabelecer logo algumas regras.
Antes de mais nada, esse espaço não é democrático. Ele é meu; aqui minha vontade impera. Isso significa que a participação das pessoas nos comentários fica restrita a sugestões e críticas. Se um dado estiver errado, mas não houver interesse em modificá-lo, ele não será modificado. Parece algo óbvio, mas é sempre bom deixar isso claro.
Mais uma coisa. Palavrões gratuitos não serão tolerados. Qual vai ser o critério pra decidir se é gratuito ou não? Puramente subjetivo; a decisão é somente minha. Sugestão: tenta a sorte; se você me xingar de forma criativa, o comentário fica.
Mais uma coisa. Comentários podem ser editados ou apagados a qualquer momento sem aviso prévio. Comentários editados terão essa condição explícita.
Ao comentar, você está abrindo mão dos direitos sobre a sua opinião e tudo o que for dito poderá ser usado contra você no tribunal. Qualquer idéia veiculada através de comentários poderá ser usada comercialmente sem o pagamento de direitos ao autor. (Desculpa, não resisti e resolvi bancar a Globo.com. Este parágrafo é besteira.)
O sistema de comentários está eternamente em fase experimental, por isso pode sumir a qualquer momento. Nesse caso, os comentários não serão salvos ou armazenados.
Dúvidas, reclamações, sugestões? Mande um e-mail para o nosso SAC.

Quanto mais as coisas mudam...

Como alguns já puderam perceber, fiz algumas alterações no Ex-quase-futuro. Basicamente, as mudanças foram a instalação de um sistema de comentários e a inserção de imagens em alguns posts. Nesse processo, descobri uma coisa interessante: existem pessoas masoquistas que realmente lêem essa porcaria que escrevo. Se este que vos escreve não fosse autor, nem visitaria isso aqui. Resumindo, vocês, leitores, são loucos!

Um dos leitores do blog, em foto gentilmente cedida pela Bia.

O mais estranho é perceber que algumas pessoas se preocupam com a qualidade de algo que já nasceu condenado e oferecem ajuda e sugestões para a melhora deste depósito de bobagens. Nos últimos meses, conheci muitos sites e blogs que aliavam simplicidade, objetividade e qualidade, feitos por pessoas com quem me identifiquei em maior ou menor grau. Essas pessoas e suas obras me inspiraram a fazer essas alterações (que considero melhorias), na tentativa de construir um veículo mais eficaz para essas idéias tolas.
Gostaria de agradecer a todos os que incentivaram de alguma forma essa busca por uma melhor interação com os leitores, mas especialmente a Castrezana, Bia e Alessandro, pessoas que, mesmo sem me conhecer pessoalmente, aturaram a minha falta de conhecimento no assunto e tiveram a paciência de me ensinar a mexer "nessa tal de" internet.
Tenho que agradecer também à pessoa que fez e faz mais por mim do que posso desejar. Obrigado por fazer tudo valer a pena!
Insanos leitores, já fiz a minha parte para tornar esses textos de péssimo gosto um pouco mais palatáveis. Agora façam a parte de vocês e leiam!

27.3.04

O primeiro e-mail a gente nunca deleta

Sei que o Ex-quase-futuro é uma porcaria. Mas tento fazer essa porcaria da melhor forma possível. E parece que os esforços estão dando resultados. Recebi recentemente o primeiro e-mail de um leitor do blog. O leitor a ter essa honra (?) foi o Castrezana, cujo blog é uma das minhas paradas diárias. No e-mail, ele me sugeria que, colocando um sistema de comentários, talvez o número de visitas aumentasse. Não me importo tanto com o número de visitas, mas gostaria de receber um retorno (o famoso "feedback") daqueles que por ventura caírem neste blog perdido no tempo-espaço.
Pensando na sugestão dele e vendo o exemplo de outros blogs, tô pensando em enxertar um sistema de comentários aqui em fase de teste. Se os comentários acrescentarem algo (em resposta dos leitores, não em visitas), ficam por aqui. Se não for o caso, ignorem esse papo todo.
Abaixo, segue um trecho do e-mail que mandei pro Castrezana, com algumas coisas que notei ao visitar outros blogs. Sei que alguns podem achar as observações óbvias, mas podem ajudar quem está começando e quer ter mais visitas.

"O que torna um blog visitado:
a) Comentários: eles garantem o feedback rápido e hoje em dia ninguém tem tempo e/ou disposição pra ficar mandando e-mail só por causa de um post. Os comentários muitas vezes viram mini-fóruns sobre o post a que se referem, fazendo os leitores retornarem mais vezes;
b) Freqüência: nos dias que postei com freqüência (pelo menos um post por dia), o número de visitas se estabilizou no máximo. Mas, como dá pra perceber nas datas dos posts, não sou lá muito regular e logo a média começa a baixar de novo. O leitor não volta se achar que o blog está abandonado;
c) Imagens: não precisam ser elaboradas e bem-feitas, pode ser só 'recorta-e-cola' da internet mesmo. Muita gente só lê um texto se tiver uma imagem legal do lado. E também já detectei outra função importante das imagens: na primeira visita a um blog, as pessoas procuram dar uma olhada nas imagens pra ver se aquele site combina com elas ou não. Se na primeira visita a um blog, dou de cara com uma foto do Leonardo DiCaprio com a legenda abaixo dizendo 'my lindinhu', obviamente não visitarei esse blog novamente;
d) Mulher nua: imagens ou pelo menos links para imagens. Mulheres famosas ou 'na moda' garantem muitos acessos."

É claro que existem outras técnicas, mas a maioria delas peca contra a boa educação na Rede, então prefiro nem comentar. Enquanto os comentários não aparecerem (ou depois que eles se forem), podem se comunicar através do Ex-quase-mail.

Batalha dos planetas

Matéria originalmente publicada no jornal O Globo do dia 18/03/04.
"Descoberta de Sedna ameaça fazer Plutão perder o status de planeta

LONDRES. Em vez de aumentar a lista de planetas do Sistema Solar, Sedna, o mundo gelado cuja descoberta foi anunciada esta semana, poderá reduzir essa relação. O status de Sedna, que poderia ser considerado o décimo planeta, começará a ser discutido este mês por um grupo de trabalho da União Internacional de Astronomia.
O grupo tem a difícil tarefa de estabelecer o tamanho mínimo para um astro ser considerado um planeta. A discussão reside no fato de que Sedna não é muito menor do que Plutão, o nono e mais distante planeta do Sistema Solar. Em 1999 Plutão quase foi rebaixado à categoria de planetóide por cientistas que o consideravam pequeno demais para ser um planeta. Agora, astrônomos dizem que se Plutão com 2.360 quilômetros de diâmetro é um planeta, Sedna, com 1.770 quilômetros, também deveria ser.
Da mesma forma, se Sedna for considerado pequeno demais, Plutão deveria ir com ele para o grupo dos planetóides (a grosso modo, asteróides gigantes), deixando o Sistema Solar com apenas oito planetas."

Que atitude esnobe essa dos cientistas. Em vez de aceitar mais um planeta no clube, acabam expulsando o sócio mais recente. Aposto que só fazem isso porque não têm concorrência. Se vida inteligente de um outro sistema solar se comunicasse com a Terra, aposto que os cientistas dos dois mundos iam contabilizar qualquer asteróide maiorzinho como planeta só pra ficar com mais que o outro.
Quem se dá bem com esse rebaixamento de Plutão são as crianças ainda no colégio. "Um planeta a menos pra decorar? Beleza! Agora só falta tirarem a divisão da Matemática e tô feito!"
Sem contar que o ex-quase-futuro nono planeta dava o maior trabalho pra montar na feira de ciências, porque ele tinha a órbita oblíqua em relação aos outros e era muito pequeno pra ser mostrado sem nenhum erro de escala.
De malandro na história ficou o Sedna, que sacaneou Plutão, apareceu na imprensa do mundo inteiro e nem teve que usar um nome mitológico. Aliás, com os melhores nomes já utilizados, só ia sobrar para o ex-quase-futuro décimo planeta os nomes de Baco ou Vulcano, o que faria dele o único planeta trekker da história.

Editando e andando

A crise assola os quadrinhos. Ouço/leio isso desde que comecei a ler. E a culpa recai sempre nas mesmas coisas e pessoas: a concorrência com o cinema, a TV a cabo e o videogame (já perceberam que a concorrência nunca é com os livros? Estranho!); o parco número de leitores no país; histórias de baixa qualidade, o baixo poder aquisitivo da população.
Esses são apenas alguns motivos. Cada um deles renderia um texto sobre o assunto, mas quero falar de um dado que não costuma ser apontado: a baixa qualidade da produção editorial e da edição propriamente dita.
Muito se fala a respeito da (baixa) qualidade das histórias. Mas as próprias editoras afundam revistas com boas histórias por más decisões editoriais ou mesmo pela pura e simples falta de cuidado com as histórias. Por isso, farei uma breve análise de duas revistas que apresentam esse problema. Em uma, o problema não é tão grave, mas pode ter algumas conseqüências. Na outra a coisa se complica, e é fácil notar que a revista terá problemas com isso.


A primeira "vítima" é Homem-Aranha #27, da editora Panini Comics, deste mês. É importante notar que ela saiu no mês indicado/anunciado, dado importante numa revista mensal. A revista é do tipo "mix", juntando na edição nacional diferentes revistas originais (nesse caso, dos EUA). Esse tipo de revista tem vários pontos positivos e negativos, mas a Panini evitou alguns deles ao concentrar na publicação apenas revistas com alguma relação com o universo do personagem principal. Homem-Aranha #27 custa R$ 6,00, possui formato americano e 100 páginas, reunindo quatro histórias, mais as capas originais, seção de cartas, anúncios e checklist.
Não vejo maiores problemas editoriais dentro da revista e considero o título principal (Amazing Spider-Man, escrito por J. Michael Straczynski) de boa qualidade. O problema aqui é com a capa. Na sua última reforma gráfica, a Panini colocou uma marca semi-transparente na capa que ocupa a maior parte da sua borda esquerda. O objetivo deve ter sido criar uma identidade visual para as revistas (os designers podem explicar isso melhor), mas pessoalmente acho que foi uma péssima escolha. Isso gerou diminuição da largura dos títulos e poluição visual do desenho da capa. Na capa deste mês, isso gera um problema. Desenhada por J. Scott Campbell (que já não possui uma arte tradicional), a capa é dividida diagonalmente em duas, além de apresentar elementos que "sujam" a cena, como flocos de neve e vapor. No geral, Campbell criou uma ótima composição, mas foi prejudicado pelo título, pela já citada marca "de identificação", pelo código de barras (obrigatório) e pela "chamada" desnecessária abaixo do título. Essa última é, pra mim, o maior problema dessa capa e, ao contrário dos outros problemas apresentados, é de inteira responsabilidade do editor. A chamada apresenta o texto "A ameaça do Escavador" que, francamente, não é chamativo pra ninguém. O vilão surgiu na edição passada, tem um nome coerente, mas nada assustador e, o pior de tudo, não tem relação nenhuma (nem na forma, nem no conteúdo) com a capa.
Seria muito interessante se a revista trouxesse o mínimo de poluição visual possível na capa. A ilustração de Campbell ilustra uma situação icônica das histórias do Homem-aranha: a dicotomia entre o dever do herói e a preocupação da esposa que espera o marido voltar. A situação é apresentada pelo desenho; palavras são desnecessárias. Deixem as "chamadas" para as cenas de ação.


Se na primeira revista analisada, os problemas se concentravam na capa, aqui eles se generalizam. Freqüência Global #1, da editora Pandora Books, foi lançada em dezembro do ano passado, mas era anunciada para novembro, inclusive com indicações dentro da revista. O primeiro erro já está aí. Atrasar de uma edição para outra é algo que acaba acontecendo de vez em quando. Atrasar a primeira edição (que pode ser lançada quando a editora quiser) já demonstra falta de cuidado. Se considerarmos que a revista tem distribuição exclusiva em poucos pontos de venda (23, em todo o país), uma facilidade maior para a editora, agrava ainda mais o erro.
Freqüência Global é uma revista de 28 páginas em formato americano e corresponde à revista Global Frequency #1, escrita por Warren Ellis. A revista apresenta a história original, um editorial, um texto explicativo e apenas um anúncio, na última capa. O preço sugerido pela editora (não há preço na capa da revista) é R$ 7,90. Acontece que a revista é distribuída exclusivamente por uma rede de lojas especializadas (cujo logotipo está impresso na capa, com mais destaque que a própria editora), o que garante que o preço sugerido seja o preço mínimo praticado.
O preço, por si, é algo sem explicação. Talvez a baixa tiragem e o papel especial (igual ao da capa, talvez?) utilizado nas páginas sirvam como desculpa. A baixa tiragem é um tiro no pé, restringindo o público e impossibilitando outros mercados. Se o objetivo é uma série adulta de quadrinhos de ficção, por que não aumentar a tiragem e colocar o produto em livrarias? Além disso, a distribuição restrita (um dos motivos para a baixa tiragem) sai muito mais barata que uma distribuição normal e isso deveria se refletir no preço da revista. Já o papel, sem dúvida melhor que o das revistas comuns, acaba se tornando um duplo problema, ao tornar a revista mais cara e atrapalhar a qualidade da leitura, pois em várias páginas uma ou mais cores estão tremidas ou desalinhadas com as demais. Erro da parte gráfica, certamente, mas deixa uma questão: se a gráfica e/ou a técnica de impressão escolhida não eram adequadas para trabalhar com esse tipo de papel, então por que não mudaram o papel? Mais uma vez, um equívoco editorial faz o leitor sair prejudicado.
Passando para o conteúdo, chegamos ao mérito da revista. Warren Ellis, autor da excelente série Planetary, constrói uma bela história fechada, apesar de apresentar vários elementos que serão importantes para as edições seguintes. A tradução foi bem feita e não encontrei nenhum erro de português nos balões ou recordatórios. Já nos textos complementares...
Você abre a revista e começa a ler a primeira frase do editorial. "Há bilhões de anos um cataclismo varreu da terra os dinossauros que, até então, reinavam absolutos no planeta". Bilhões? BILHÕES?? Mas os dinossauros desapareceram há cerca de 65 milhões de anos! Há bilhões de anos nem existiam dinossauros. A vida na Terra tem cerca de um bilhão de anos. Mesmo o planeta tem poucos bilhões de anos de idade. A primeira frase do editorial da primeira edição de uma publicação voltada para um público minimamente letrado deve ser mais cuidadosa. Mesmo que não tenha sido um erro de conceito, mas de revisão (o que espero ser o caso), é um erro de pelo menos 900 milhões de anos.
No texto final a falha é ainda pior. Num texto de autoria do editor, fala-se em pesquisas científicas e fatos (reais ou não) relacionados ao teletransporte. O texto é muito bem escrito, exceto por um grave erro conceitual, na passagem que diz "Para alguns estudiosos, esses casos são a manifestação de um sentido que vai além dos quatro já conhecidos" (grifo meu). Vamos contar? Visão, audição, olfato, tato e paladar. São cinco, se não me engano. Existem pessoas que não possuem todos os cinco sentidos, mas todos eles são conhecidos há muito (muito!) tempo. Para provar que o erro não ocorreu por mera distração, o "olho" do texto apresenta a mesma passagem, com o mesmo erro.
Resumindo, uma ótima história em uma edição ruim, cara e com erros difíceis de engolir. Resultado: essa é uma revista que não voltarei a comprar. E quero ver se alguém vai dizer que agora a culpa também é do leitor.

"Moço, onde estão os quadrinhos?"

Algumas das pessoas que passaram aqui nessa porcaria recentemente me conheceram por causa de uma das coisas que mais me interessam: quadrinhos. Essas pessoas provavelmente se perguntaram por que não se fala muito em quadrinhos por aqui.
Inicialmente, era por causa do projeto Cultura Interativa, site pro qual escrevia diversos textos, inclusive uma coluna sobre quadrinhos. Então, resolvi deixar as idéias sobre os quadrinhos lá e sobre todo o resto aqui.
O que mudou? Principalmente, o fato da página estar fora do ar. Mas tem mais coisa. Estamos preparando a volta do Cultura Interativa e a minha função dentro do site sofrerá alterações. Além disso, muita coisa não tem o perfil para entrar na coluna e outras são idéias datadas, que só valem para uma semana ou mesmo um dia específico. Por fim, são muitas as pequenas idéias que se perdem, mas que dariam um pequeno post. O resultado disso tudo é que vou falar um pouco mais sobre quadrinhos aqui. Vamos ver no que dá.

8.3.04

E os outros 365?

Como o último texto foi a respeito das mulheres, continuo no assunto. Hoje é o "Dia Internacional da Mulher". Os engraçadinhos dizem que não tem problema, "pois os outros 364 dias são nossos". Como estamos em ano bissexto, seriam 365. E onde está o problema? Nas palavras. As palavras mudam tudo. A piadinha machista reflete a realidade. Como esta não é uma data comercial (como Dia das Mães, Dia dos Namorados, etc.), ela deveria ser levada a sério. Acho que isso não acontece, entre outras coisas, por causa do nome da data.
O Dia da Consciência Negra, por exemplo, é um dia específico para a sociedade (brancos, negros e verdes com bolinhas roxas) pensar a posição (ocupada e a ocupar) do negro na sociedade e os problemas que o povo negro enfrenta em um país extremamente racista. Isso não significa que tais pensamentos não devam ser exercitados ao longo do ano, mas a existência de um dia específico para isso traz a discussão para o centro das atenções, principalmente na imprensa.
O Dia da Mulher geralmente é marcado por odes à figura feminina, homenagens e gestos simbólicos. Mas a troca de idéias sobre a posição da mulher na sociedade continua restrita a guetos, sejam eles acadêmicos ou informais. Seria menos prejudicial e mais vantajoso criar algo como o "Dia da Consciência Feminina", quando todos (homens, mulheres e seres indefinidos) reconheceriam o valor (óbvio!) da mulher para a sociedade que (ainda!) a oprime e discutiriam o que pode ser feito mudar esse quadro.
É certo que nem todos participariam de eventos desse tipo (assim como tem muita gente que ignora o Dia da Consciência Negra), mas já serviria para mobilizar parte da sociedade, principalmente através dos meios de comunicação. No mínimo, mudaria a situação atual, na qual o dia de hoje serve para endeusar as mulheres, que são destratadas no resto do ano.
É algo parecido com o Carnaval, onde uma sociedade comportada e conservadora se permite uma liberdade ritualística das regras. Findo o carnaval, volta-se à vida ordinária. Compensa? Só se for como medida de controle. No caso das mulheres, rosas e poesias hoje compensam menores salários e assédio sexual no resto do ano.
Falta equilíbrio. Nem tanto patéticas demonstrações de admiração, nem tanto desprezo e abuso. Discretamente, sem levantar bandeiras e gritar palavras de ordem, aqueles que realmente amam as mulheres (sejam uma, várias, todas ou simplesmente o conceito da mulher) dedicam a elas todos os dias do ano, inclusive hoje.

27.2.04

As partes de um todo

Recebi, por e-mail, a seguinte frase, atribuída a Maria Rita Kehl: "Se os homens afirmam que vêm na mulher antes de mais nada belos contornos, considero isso como um empobrecimento de sua capacidade de olhar e ver. Estou convencida de que nosso olhar sabe encontrar no homem sinais do que ele é, além dos contornos de sua musculatura."
Minha opinião: se o antes de mais nada quis dizer somente, concordo com ela. Agora, se o antes de mais nada quis dizer primeiramente, então discordo pra cacete. Entre as infinitas características que tornam a mulher diferente do homem (e melhor que ele), estão também os belos contornos. Se, utilizando o sentido da visão (vale lembrar que a visão é o sentido que capta estímulos a maiores distâncias, por isso é o primeiro que age sobre o mundo, antes dos outros), o homem capta os belos contornos, estimulando nele a vontade de interagir com aquele ser diferente e especial através de seus outros sentidos e da linguagem (a capacidade genuinamente humana), então aquelas formas e curvas que chamaram a sua atenção serviram para valorizar aquele ser, não o contrário. Separar e valorizar só o "corpo da mulher" (machismo) ou a "mente da mulher" (feminismo) é desvalorizar toda a mulher, que vale mais do que a soma de suas partes. Esse feminismo é um machismo às avessas e não ajuda em nada a melhorar a relação entre os gêneros. Como disse Grégório de Mattos: O todo sem a parte não é todo.

23.2.04

Fichas cadentes

Sempre me impressiono com o poder da comunicação e da linguagem. Um exemplo disso é que uma definição muitas vezes sobrevive ao próprio objeto que define. Um exemplo recente é a expressão "cair a ficha". Alguns dos mais novos podem nem ter usado a ficha telefônica e só devem conhecê-la através dos filmes. Pois ao contrário dos dias de hoje, em que uma coisa funciona ou está quebrada, a ficha telefônica era colocada no orelhão, mas algumas vezes não caía. Não é que ela estivesse com defeito, é só que... não caía. Geralmente uns tapinhas na lateral (tapinha, não vandalismo, por favor) resolviam a parada e finalmente a ficha caía, dando início ao telefonema. Daí o "demorou pra cair a ficha" ser ligado a um processo de compreensão tardia. Não consigo imaginar a expressão "cair o cartão" fazendo o mesmo sentido. Talvez sejam as conseqüências do progresso: ganha a tecnologia, perde a linguagem. Cheguei até a pensar que a expressão iria desaparecer, mas depois percebi que existem outras expressões que evocam processos já obsoletos. As mais populares são "colocar a carroça na frente dos bois" e "pegar o bonde andando", expressões insubstituíveis por equivalentes mais avançados e que certamente continuarão durante muito tempo na língua corrente. Ou será que alguém pretende "pegar o metrô andando"?

Só um assobio

Nunca gostei de assobiar. E nunca soube por quê. Não gosto de assobios em geral. Não me incomoda a visão meio patética de ver as pessoas fazendo biquinho e soprando forte ou mesmo aqueles que colocam os dedos (sujos?) na boca para o assobio sair mais alto. O que incomoda mesmo é o som do assobio. Meu amigo Jorginho assobia muito bem (e alto!). Quando ele quer me irritar, começa a assobiar pra mim. Ele diz que numa vida passada eu devo ter sido um cão treinado e agora tenho raiva dos assobios. Mas não era raiva o que eu sentia quando ouvia o som. Era algo estranho, uma certa angústia... Até que um dia eu descobri. Férias do meu pai e meu avô veio nos visitar. Desde muito pequeno, quando eu estava junto com os dois, nós sempre caíamos numa conversa em que compartilhávamos histórias de cada geração. Seu Walter, claro, é quem tinha mais histórias a contar, e sempre as mais interessantes. Meu pai diz que o passado é mais romântico. Acho que o vovô é que sabe contar muito bem. Ele sabe o que a platéia quer. Muitas das histórias eu já tinha decorado, mas ouvi-lo contando era sempre muito agradável. Naquele dia, ele contou uma história triste da qual eu não me lembrava, mas que já havia escutado na minha infância. Ela falava da época da guerra, 'a maior de todas as guerras', e sobre o medo que cercava a todos. A cidade era bombardeada o tempo todo. Dia ou noite, sol ou chuva, as únicas constantes eram as explosões e os incêndios. No meio daquela cacofonia de gritos, choros e sirenes, um barulho nos aterrorizava e congelava nossas espinhas. Não era o som dos aviões. Apesar de ensurdecedor, o barulho dos aviões era constante e tanto o nosso lado quanto o deles voava sem nos ameaçar a maior parte do tempo. O terror vinha do som suave do assobio. Soava para nós como o girar do tambor da roleta russa. Quando começava, baixo e distante, todos procurávamos nos proteger. Se ficava mais alto e próximo, também aumentava o nosso temor. Os assobios eram o canto das bombas que choviam sobre nós. Quando ele cessava, levando muitas vidas consigo, a explosão era de alívio e dor. Era a felicidade por estar vivo e a culpa por ter sobrevivido. A morte havia assobiado em outra porta mais uma vez. O terror passara, pelo menos até o assobio seguinte.

19.1.04

Frase do dia

"Vai-se O Anel, vai-se o dedo." - Frodo Bolseiro

Vão-se os links, ficam os posts

Um dia desses, revisando o Ex-quase-futuro, percebi que links contidos em alguns dos posts não funcionam mais. A causa da queda dos links é externa. O destino do link pode ter sido movido ou mesmo cancelado. Como isso foge do controle, preferi deixar como está, nem que seja só como lembrança. Então encarem esses links fantasmas como ex-quase-links que passam a ser parte integrante destes escritos confusos.
E por falar nisso...