13.12.03

Frase do dia

"Os loucos não gostam de mim, os normais não me entendem." - maya_sibylla

Um pouco de sonhos e realidades

Acredito em tudo. Não nas pessoas, discursos, instituições. Pra esse tipo de coisa sou bem cético e até um pouco cínico. Mas acredito no que sinto à minha volta. Ou seja, acredito naquilo que os meus sentidos captam e transmitem pra mim como sendo a realidade. Acredito em luzes, perfumes, cores, salgados, fedores, formas, quentes, palavras, texturas, frios, ruídos, doces, altitudes ou qualquer outro estímulo que recebo.
Além disso, sou extremamente adaptável (até um pouco blasé) ao ser jogado em uma situação qualquer. Não faço muitas perguntas, não demonstro surpresa. Acho que isso é parte do instinto do macho de não se mostrar vulnerável, o que faz, por exemplo, a gente não pedir informação quando está perdido.
A combinação entre acreditar no mundo à minha volta e tentar levar qualquer situação como coisa normal me faz acreditar nos sonhos. Não importa que seja na selva africana ou numa cidade futurista. Quando lá me vejo (e ouço e cheiro), lá estou.
Um caso similar acontecia com o personagem de quadrinhos apropriadamente batizado de Acesso. O cara era um carteiro do universo Marvel, mas quando dormia se tornava um carteiro do universo DC. Qual era sonho, qual era realidade? Nem ele sabia. Li em algum lugar que esse personagem foi baseado em um famoso conto de ficção científica. (Se alguém conhecer o tal conto, favor me mandar um e-mail.)
A situação toda é estranha porque posso viver vidas completamente diferentes e uma passa a afetar a outra. Porque se o sonho é formado por imagens derivadas do período desperto, também o mundo acordado é afetado por imagens do sonho. Muitas vezes um sonho ruim (mesmo que não me lembre dele) me deixa nervoso até a hora de dormir novamente. E quando o sonho começa a incluir nascimentos, mortes, vôos espaciais e mergulhos em águas profundas, a coisa começa a ficar preocupante.
Nas últimas semanas, tenho sonhado muito com morte. Conhecidos, desconhecidos, grande quantidade, casos isolados, guerra, brigas. Por algumas delas, fui o responsável. Nas outras, fui testemunha. Em todos os casos, tudo muito real. Poderia ser o meu superego me azucrinando por não estar fazendo, nos momentos despertos, tudo o que deveria. Mas não sei se o superego pode afetar os sonhos, região dominada pelo id. De qualquer forma, as coisas só tendem a piorar depois de ler Sandman: Noites Sem Fim, que pretendo adquirir em breve. Espero conseguir acordar.

7.12.03

As pequenas coisas da madrugada

Corrigi o horário de dormir. Contra a minha vontade, é bom dizer. Entre os ganhos óbvios e as perdas irrelevantes, acabei sentindo falta das coisas bizarras da madrugada que "as pessoas normais" mal conhecem. Um bom exemplo disso é um programa que passa na Band chamado "Nova York Underground" ou algo parecido. Apresentado pela Tatiana Issa, uma dessas gostosas genéricas que fazia um certo sucesso anos atrás, o programa mostrava lugares alternativos da Big Apple. De um desses buracos estranhos, eis que surge o Mini-Kiss. E o que é o Mini-Kiss? Sabe a banda Kiss, com a maquiagem pesada e o rock descontraído? Agora imagina uma banda cover do Kiss, só que formada inteiramente por anões. Os anões, ou pessoas pequenas, como eles preferem ser chamados, não só deram uma entrevista muito engraçada, como também aproveitaram para tirar uma casquinha da apresentadora brasileira. Por coisas assim é que acredito que só na madrugada podemos vislumbrar seres fantásticos como o Mini-Kiss.

"Remember Silvio Jankis"

Seria cômico se não fosse trágico. Mas não deixa de ser irônico o SBT passando Amnésia. O erro já começa pelo nome. O protagonista passa o filme todo repetindo que o problema dele não é amnésia. Além disso, o filme passa em blocos curtos, sendo um pouco do início, um pouco do final, muito flashback, com tudo se encontrando no meio. Um filme bem entrópico, como gosto. Só que requer uma baita atenção, e é exatamente nesse ponto que a emissora do Silvio sacaneia o espectador. Um filme desses, ainda mais numa sessão chamada "Cine Belas-Artes", deveria ser exibido sem os comerciais. Será que é pedir demais? Mesmo já tendo visto o DVD uma dezena de vezes, achei o filme confuso na TV, já que a busca por John G. é interrompida para nos mostrar o anúncio do incrível Computador do Milhão, da Tele Sena e de outras maravilhas do Baú da Felicidade. Talvez seja uma experiência interativa, tentando fazer o espectador se sentir tão confuso como o próprio Shelby.