17.4.03

Ursinho Puff é Winona Ryder

A frase do dia é de Érico Borgo, cozinheiro do Omelete, em brilhante elucidação sobre a real natureza da turma do ursinho Puff (que hoje em dia se chama Pooh, mas na minha época era Puff):
"Pooh é uma espécia de Winona Ryder. Um cleptomaníaco bonitinho. Em diversas ocasiões, rouba mel descaradamente e nunca acha que isso terá conseqüências. O Coelho [Abel para os antigos] é preconceituoso, xenofóbico e anti-social. Tigrão é insuportavelmente hiperativo e destrutivo. Já o burrinho Ió [ou Bisonho] é assumidamente depressivo. O próprio Leitão é cheio de fobias e tem péssima auto-estima. Enfim, uma turma tão disfuncional que mais parece uma terapia de grupo."

7.4.03

O Homem de Gelo

Quando falei da invisibilidade e da normalidade dos homens, não estava dizendo que nenhuma dessas características seja boa ou má. Isso varia de pessoa pra pessoa e de situação pra situação. As pessoas invisíveis geralmente são tristes, mas quando perguntamos que superpoder uma pessoa gostaria de ter, a invisibilidade costuma ser a segunda resposta mais ouvida.
Isso porque nesse caso "ficar invisível" é voluntário e sempre pressupõe um retorno à visibilidade. Talvez aí resida a mágoa das pessoas invisíveis: elas não são invisíveis porque querem. No meu caso ser invisível é legal porque é (parcialmente) voluntário e, até certo ponto, reversível. Mesmo assim é chato quando alguém esbarra num cara gordo com 1,80 m e diz com sinceridade que esbarrou porque não me viu.
A exceção fica para aquele cara que é intencionalmente invisível e sofre com isso. As pessoas vivem tentando alcançá-lo, só que ele insiste em permanecer à parte, nas sombras, auto-induzido à invisibilidade; um homem com o coração de gelo. Até que as pessoas desistem desse homem gelado e partem para companhias mais calorosas. E o Homem de Gelo fica sofrendo com a solidão, mas em seu íntimo uma pequena voz comemora a derrota: "eu já sabia, eu já sabia".

Mr. Cellophane

É de conhecimento geral a existência de pessoas invisíveis. Nós, cidadãos privilegiados, fingimos não enxergar os menos favorecidos que nós, participamos de um "Natal Sem Fome" ou outra campanha do tipo e ficamos com a consciência limpa.
Mas também existe outro tipo de pessoa invisível. É aquele cara que não chama a atenção nem quando se está próximo a ele. Alguns invisíveis nem sabem que o são. Outros, como o Amos Hart de "Chicago", sabem e sofrem com isso. Provavelmente sou dos poucos que sabe e acha legal. Talvez por ser só parcialmente invisível, já que (felizmente/infelizmente) as pessoas mais próximas percebem a minha presença. Tais pessoas certamente já perceberam em mim algo a mais (ou a menos) que no homem normal. Sim, porque, ao contrário do que diz a "sabedoria" popular, existem homens normais. E é justamente a normalidade que faz deles homens medíocres, homens medianos, portanto invisíveis. Por isso não percebemos Amos andando triste pelas ruas da cidade.

2.4.03

Mensagem de primeiro de abril

Sei que os últimos posts têm sido apenas um clipping de diversas coisas da internet. Mesmo sendo coisas muito boas pra mim (ou não falaria delas), não são meus textos e estes deveriam ser a base do Ex-quase-futuro. Então prometo que vou fazer um esforço pra colocar mais coisas minhas (mas que dificilmente serão sobre mim) aqui. E não tô falando isso só porque é primeiro de abril, acredite ou não.

O silêncio dos culpados

O cronista Joaquim Ferreira dos Santos, na sua coluna do dia 26/03, expõe de forma perfeita a situação atual no Rio, que pode ser resumida na seguinte frase de seu texto:
"A cultura da bandalha, dos piratas tomando as calçadas, dos maçarandubas, silveirinhas e espertos do trânsito vai asfixiando tudo."
E da minha parte, gostaria de lembrar a todos que essas pessoas só fazem o que fazem porque recebem apoio de outras. Amigos, familiares e colegas de trabalho, que fecham os olhos para as pequenas e grandes irregularidades do cotidiano carioca, concedem a permissão silenciosa de que os "espertos" precisam para fazer o que querem sem represália alguma.