18.10.02

Passageiros e Sardinhas

Concordo com quase tudo que o pai-defunto da psicanálise disse, mas tenho observado outro comportamento dos freqüentadores do Metrô carioca. Não sei se por completa ignorância ou por teimosia mesmo, mas eles parecem querer desafiar as leis físicas do Tio Isaac (se você não sabe quem é ele, mande um mail). Mais especificamente, aquela que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Quando o metrô chega no Estácio, é aquela multidão enlouquecida entrando naquele espaço tão reduzido. Até aí, tudo bem. Todos prensados, todos suados, mas tudo bem. O problema é quando o metrô chega na Central. Mais algumas dezenas de pessoas querendo entrar. E entram. E daí que não tem espaço no vagão? Eu paguei, eu quero entrar. E tome gente disputando espaço onde não existe nenhum. As pessoas se sentem "espertas" por entrar logo no metrô. Como pode alguém se achar inteligente por ficar apertado e sem movimento num veículo altamente claustrofóbico? A sardinha é inteligente por estar na lata? Ser enlatado como uma sardinha é algum tipo de feito a ser alcançado? Estou por fora dessa moda.

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