18.10.02

Comédia romântica pop brazuca

Um dos últimos livros que li foi "O Clube dos Corações Solitários", de André Takeda. Ele é apontado por muitos como precursor da literatura pop nickhornbyana. Não concordo com isso, mas não é disso que quero falar. É de como esse livro consegue retratar precisamente uma geração, ou uma primeira geração que influenciou a minha e as seguintes (que entram agora na adolescência). A primeira coisa que percebi no livro de Takeda é que todas as características de seus personagens diferem muito das pessoas de minha geração. A começar pelo local, passando pela idade, as músicas e os hábitos. Mas me identifiquei. Por quê? Porque os valores são os mesmos. As dúvidas, os sentimentos, o jeito de enxergar o mundo, as profissões. Mesmo sendo datado e localizado, a história pode ser a de qualquer grupo de jovens de classe média de uma grande cidade, seja do Brasil, seja do mundo. E é aí que está a força do livro. É aí também que se assemelha a Hornby, pois seus personagens são pessoas semelhantes num mundo estranho e confuso. Não é, de maneira alguma, uma literatura universal tradicional, mas o retrato fiel do espírito de uma época. A nossa época.

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