25.9.02

Freud explica: o metrô

Quem anda de metrô no Rio de Janeiro tem um medo comum. Não, não é a voz fantasmagórica que assusta o Skylab na música "Metrô". É uma palavra proferida pela tal voz: transferência. E não é transferência da psicologia/psicanálise, mas a estação de transferência do metrô. Seja da linha 1 para a 2 ou da 2 para a 1, a transferência é um evento traumático, digno de ser analisado pelo próprio Freud, se vivo ainda estivesse. Acho que seria algo mais ou menos assim:
"A simples compulsão de andar por dentro da terra já deixa explícito o desejo edipiano através da relação terra-mãe. A partir daí, cada um dos indivíduos vira parte da massa, que espera pelo seu único objetivo: a transferência.
"O momento da transferência equivale ao momento da fecundação, pois cada pessoa na multidão regride ao estado do espermatozóide que lhe deu a vida. Como todos sabem, o espermatozóide tem um único objetivo: adentrar o útero, representado pelo vagão que abre suas portas para a multidão. A massa progride em ondas para o destino final, o lugar para o qual ele precisa ir, a "terra prometida".
"É importante ressaltar que aquele que realiza a transferência não somente se desloca, mas corre, tentando ser o primeiro, pois só o primeiro espermatozóide fecunda o óvulo; só o primeiro é o vencedor, o mais apto, o "escolhido". Só o primeiro merece ganhar a vida, o presente maior.
"É claro que todos entram no metrô e não só o primeiro. Esse acontecimento remete ao sentimento da pertença, à necessidade da proteção na massa. Se todos que estavam com o indivíduo entram no vagão e ele não, então ele foi derrotado, deixado para trás. O sentimento de pertença faz com que tantos queiram entrar no vagão lotado. Afinal, dentro de uma lata todas as sardinhas são iguais."
Falou e disse, coroa!

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