21.11.02

Colocando os traços nos is e os pingos nos tês

Faz tempo que não escrevo, por isso vamos colocar a casa em ordem.
ALFREEEEEEDO!!!
Pronto. Deixa que o mordomo arruma a bagunça toda.
Não foi só o ex-quase-futuro que ficou parado. Também fiquei parado. O mundo ficou parado. O mundo ficou parado? Ex-quase-parado? Ex-quase-mundo?
Tô lembrando agora de duas frases quase antagônicas que passaram por mim durante essa pausa.
"O mundo só faz sentido quando você o força a fazer sentido."
"O mundo gira como ele quer, não como você quer que ele gire."
Qual dessas funciona melhor na atual conjuntura? Talvez as duas.
Pois é, é assim que as coisas funcionam.
De volta ao trabalho.

19.10.02

Maratona de cinema

Tenho uma relação de amor e ódio com o Festival do Rio de cinema. Se, por um lado, é a oportunidade de ver no cinema filmes que jamais vão entrar no circuito comercial (no máximo em locadoras), por outro, também é a época do ano em que gasto mais grana de uma só vez e sei que vou ter que aturar milhares de aborrecimentos em cada um dos filmes. No fim, saldo positivo. Influenciado pela minha ex-quase-futura respectiva seguem agora as cotações dos filmes, pela ordem em que assisti.

As cotações:
- Lixo: aquele que faz você pensar que gastou dinheiro à toa.
- Meia-boca: ou tedioso ou sonolento. Não diz a que veio.
- Não fede nem cheira: é bom, se você quiser ir pro cinema sem compromisso.
- Recomendado: aquele que você marca um dia pra ver.
- Altamente recomendado: é o bicho. Não morra sem ver um filme desses.

Os filmes:
- O Reencontro: Uma (boa) comédia romântica que poderia passar em qualquer Cinemark da vida. Não fede nem cheira.
- Prêmio Nobel: um daqueles filmes em que a viagem é mais importante que o destino. Não fede nem cheira.
- O Voto é Secreto: a premissa é interessante, mas tirando algumas boas sacadas o filme é chato paca. Está no circuito do Estação. Meia-boca.
- O Miado do Gato: vale o comentário anterior, mas é um pouco mais divertido. Deve entrar no circuito mais pra frente. Não fede nem cheira.
- Utena, a Guerreira: uma animação japonesa muito legal, uma das melhores surpresas desse festival. Altamente recomendado.
- Full Frontal: filme novo do Steven Soderbergh. Um filme dentro dum filme dentro dum filme. Recomendado.
- Ainda Estou Viva: a conturbada vida de uma jovem francesa depois de ser estuprada. Emocionante em alguns momentos. Recomendado.
- Cuide das Minhas Coisas: amigas de infância encarando os problemas do início da vida adulta. Ainda não entendi direito qual era a do gato. Meia-boca.
- Dois Perdidos numa Noite Suja: porque também é necessário ver o bom cinema nacional. E esse é foda. Altamente recomendado.
- Ali: cinemão hollywoodiano. Will Smith prova que é um grande ator, além de excelente comediante. Mas o filme é grande paca. Recomendado.
- Cinemania: um documentário sobre cinco cinéfilos de Nova York que gastam boa parte de seu tempo assistindo filmes. Eles são o extremo onde nenhum fã de cinema quer chegar. Diversão e reflexão. Não fede nem cheira.
- Separações: um filme de/para a burguesia da Zona Sul carioca. Pior é ver a platéia batendo palma no final. Lixo.
- A Viagem de Chihiro: também conhecido como "Spirited Away". Animação japonesa de primeira qualidade, tanto na historia quando no visual. Altamente recomendado.
- Irreversível: nome irônico pra um filme que passa de trás pra frente. A história (totalmente entrópica) mostra como o tempo destrói tudo. As cenas são fortes. Não tenho coragem de recomendar pra ninguém. Não fede nem cheira.
- Madame Satã: outro excelente filme nacional. O ator principal (Lázaro Ramos, se não me engano) manda muito bem. Parece que o cinema nacional é feito somente por altos e baixos. Altamente recomendado.
- Meu Primeiro Homem: uma comédia romântica alternativa. Leelee Sobieski gótica. Recomendado.
- Meu Namorado Pumpkin: comédia com Christina Ricci. Outra grande surpresa. O filme é muito divertido. Altamente recomendado.
- 11 de setembro: onze diretores de onze países diferentes fizeram filmes de 11 minutos e 9 segundos tendo por tema o atentado terrorista. Fica sem avaliação por se tratar de 11 filmetes diferentes. Recomendo o do britânico Ken Loach.
- Desmundo: outro nacional, mas com legendas! Explico: o filme é falado em português arcaico. Visual bacana, história nem tanto. Meia-boca.
- O Vagabundo e o Ditador: documentário sobre as gravações do filme "O Grande Ditador". Faz um paralelo entre as trajetórias de Chaplin e Hitler. Engraçado e didático. Diversão garantida. Altamente recomendado.
- The Gathering: a premissa é muito boa, lembrando "O Corpo", com Antonio Banderas. Mas o filme acaba mal-desenvolvido e vira um filme de sustos. Tinha tudo pra ser um "Sexto Sentido" e virou um "Pânico". Meia-boca.
- Metropolis: a versão restaurada do clássico. Segundo o alemão que fez a restauração, essa é a montagem mais próxima da original desde que o filme foi reeditado pela primeira vez. Sem dúvida, uma obra-prima do cinema mundial. Altamente recomendado.
- Amen: filme que mostra o posicionamento da Igreja Católica durante o Holocausto. Falando assim parece chato, mas não é. Recomendado.
- 12 Horas – A Noite Te Chama: histórias de várias pessoas vivendo a noite de uma grande cidade. Diversão sem pretensão. Não fede nem cheira.
- O Túnel: a história da construção do primeiro túnel para a fuga de Berlim Oriental após a construção do muro. Baseado em fatos reais. O filme é grande, mas é muito bom. Recomendado.
- Vidocq: é o nome de um inspetor da polícia francesa à caça de um assassino misterioso conhecido apenas como “O Alquimista”. Vale por ver o gordinho Gérard Depardieu lutando no estilo Matrix. Não fede nem cheira.
- Miranda: mais um com Christina Ricci. Um bibliotecário conhece a mulher dos seus sonhos, mas descobre que ela pode não ser quem ele pensa. Não fede nem cheira.
- Meu Irmão, o Vampiro: comédia estranha sobre uma família estranha. Lembram os Tenenbaums daquele outro filme, mas sem grana e sem os atores hollywoodianos. Não fede nem cheira.
- O romance de Morvern Callar: o romance em questão é um livro, não um relacionamento. O namorado de Morvern se mata e deixa no computador um bilhete suicida e um romance pronto. Mais inusitado que isso, só as atitudes que a garota toma a partir desse fato bizarro. Não fede nem cheira.
- O Instante do Adeus: os últimos dias de Brecht antes de sua morte. O filme mostra a convivência do escritor com sua família e agregados. Parece chato? Pois é mesmo. Lixo.
- O Crime do Padre Amaro: baseado no romance de Eça de Queiroz. A história se passa no interior do México dos dias de hoje. Uma crítica ferrenha à hipocrisia da Igreja Católica e seus sacerdotes. Não fede nem cheira.
É isso aí. Só a minha opinião; nada sério.

Moderno e/ou/versus Pós-moderno?

Uma das grandes diferenças entre quem tem mais de 30 e os que têm menos é que os primeiros representam o auge da sociedade moderna, enquanto nós somos os pós-modernos (ou contemporâneos, ou neobarrocos, tanto faz). Nomenclaturas à parte, isso significa que eles não nos entendem principalmente porque têm valores diferentes dos nossos. Mais do que a mudança de costumes (natural de uma geração pra outra), nós diferimos na visão de mundo e, assim sendo, da maneira como existimos no mundo. Raça, cor, religião, classe social, preferência sexual? Que diferença faz? Nada disso importa. Qual é o seu carro, qual é a sua roupa, qual é a cor do seu cabelo? Tanto faz, não ligo mesmo. O fim do "papel social". Isso é o pós-moderno.
Ao contrário das pessoas modernas que são regidas por padrões, modas e tendências, desde a própria educação até a publicidade, a nossa geração aprendeu a superar o que é recebido, valorizando o próprio. Isso não faz de nós seres diferentes do resto, até porque existem as leis e outras normas que não podem (e não devem!) ser deixadas de lado. Mas o ser contemporâneo valoriza o gosto, a preferência pessoal. E se cerca do que gosta. Essa é a principal (e talvez a única) regra.
Existem, nessa nova concepção dois tipos de pessoas: os interessantes e os filhos da puta. Mais do que "bom" ou "mau", essas classificações são mutáveis e variam de pessoa pra pessoa. É isso o que os modernos não conseguem entender. Eles se escondem atrás da fachada do politicamente correto e continuam reproduzindo seus preconceitos velados. E não pensem que eles estão acabando ou mesmo diminuindo. A maioria dos jovens do Rio (considerada uma cidade vanguardista) apresenta os valores modernos. Pelo menos eles são sinceros, pois a maioria não percebe a repetição dos discursos desgastados da modernidade.
Pior são aqueles que se fazem de revolucionários, mas só estão seguindo a moda. Ah, dado importante: o pós-moderno não rompe com o moderno, visto que é uma evolução, não uma ruptura. Por isso, não liguem para os falsos profetas que clamam por revolução e mudança dos hábitos modernos. Lembrem que revolução é uma idéia tipicamente burguesa. Quem são os falsos profetas? Ah, eles podem até não saber, mas vocês sabem.

18.10.02

Comédia romântica pop brazuca

Um dos últimos livros que li foi "O Clube dos Corações Solitários", de André Takeda. Ele é apontado por muitos como precursor da literatura pop nickhornbyana. Não concordo com isso, mas não é disso que quero falar. É de como esse livro consegue retratar precisamente uma geração, ou uma primeira geração que influenciou a minha e as seguintes (que entram agora na adolescência). A primeira coisa que percebi no livro de Takeda é que todas as características de seus personagens diferem muito das pessoas de minha geração. A começar pelo local, passando pela idade, as músicas e os hábitos. Mas me identifiquei. Por quê? Porque os valores são os mesmos. As dúvidas, os sentimentos, o jeito de enxergar o mundo, as profissões. Mesmo sendo datado e localizado, a história pode ser a de qualquer grupo de jovens de classe média de uma grande cidade, seja do Brasil, seja do mundo. E é aí que está a força do livro. É aí também que se assemelha a Hornby, pois seus personagens são pessoas semelhantes num mundo estranho e confuso. Não é, de maneira alguma, uma literatura universal tradicional, mas o retrato fiel do espírito de uma época. A nossa época.

Momento de esclarecimento

Sei que ninguém lê isso mesmo, mas caso algum pobre coitado tenha tido o azar de ler esse blog, talvez esteja se perguntando por que tenho colocado pedidos de e-mail em quase todas as mensagens. Talvez tenha pensado que estou de sacanagem ou que sou um sujeito carente doido pra receber mensagens de outras pessoas. Nada disso! O real motivo desse exaustivo pedido por e-mails é saber se alguém realmente lê esta porcaria. É um tipo de protesto interno pela baixa audiência do Ex-quase-futuro. Então, até que alguém mande um mail, nem que seja pra dizer "pare de pedir e-mails", continuarei (sempre que possível) pedindo e-mails para o Ex-quase-futuro, que logo poderá mudar de nome para Ex-quase-largado.

Passageiros e Sardinhas

Concordo com quase tudo que o pai-defunto da psicanálise disse, mas tenho observado outro comportamento dos freqüentadores do Metrô carioca. Não sei se por completa ignorância ou por teimosia mesmo, mas eles parecem querer desafiar as leis físicas do Tio Isaac (se você não sabe quem é ele, mande um mail). Mais especificamente, aquela que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Quando o metrô chega no Estácio, é aquela multidão enlouquecida entrando naquele espaço tão reduzido. Até aí, tudo bem. Todos prensados, todos suados, mas tudo bem. O problema é quando o metrô chega na Central. Mais algumas dezenas de pessoas querendo entrar. E entram. E daí que não tem espaço no vagão? Eu paguei, eu quero entrar. E tome gente disputando espaço onde não existe nenhum. As pessoas se sentem "espertas" por entrar logo no metrô. Como pode alguém se achar inteligente por ficar apertado e sem movimento num veículo altamente claustrofóbico? A sardinha é inteligente por estar na lata? Ser enlatado como uma sardinha é algum tipo de feito a ser alcançado? Estou por fora dessa moda.

25.9.02

Freud explica: o metrô

Quem anda de metrô no Rio de Janeiro tem um medo comum. Não, não é a voz fantasmagórica que assusta o Skylab na música "Metrô". É uma palavra proferida pela tal voz: transferência. E não é transferência da psicologia/psicanálise, mas a estação de transferência do metrô. Seja da linha 1 para a 2 ou da 2 para a 1, a transferência é um evento traumático, digno de ser analisado pelo próprio Freud, se vivo ainda estivesse. Acho que seria algo mais ou menos assim:
"A simples compulsão de andar por dentro da terra já deixa explícito o desejo edipiano através da relação terra-mãe. A partir daí, cada um dos indivíduos vira parte da massa, que espera pelo seu único objetivo: a transferência.
"O momento da transferência equivale ao momento da fecundação, pois cada pessoa na multidão regride ao estado do espermatozóide que lhe deu a vida. Como todos sabem, o espermatozóide tem um único objetivo: adentrar o útero, representado pelo vagão que abre suas portas para a multidão. A massa progride em ondas para o destino final, o lugar para o qual ele precisa ir, a "terra prometida".
"É importante ressaltar que aquele que realiza a transferência não somente se desloca, mas corre, tentando ser o primeiro, pois só o primeiro espermatozóide fecunda o óvulo; só o primeiro é o vencedor, o mais apto, o "escolhido". Só o primeiro merece ganhar a vida, o presente maior.
"É claro que todos entram no metrô e não só o primeiro. Esse acontecimento remete ao sentimento da pertença, à necessidade da proteção na massa. Se todos que estavam com o indivíduo entram no vagão e ele não, então ele foi derrotado, deixado para trás. O sentimento de pertença faz com que tantos queiram entrar no vagão lotado. Afinal, dentro de uma lata todas as sardinhas são iguais."
Falou e disse, coroa!

22.9.02

Quando é legal ser diferente

Quem (pensa que) me conhece, sabe que meu gosto cultural é meio doido. Eclético não é bem a palavra que define, pois não gosto de muitas coisas diferentes. Gosto de coisas estranhas. Só que nada é igualmente estranho, então acaba sendo um gosto variado, mas sempre pautado pelo estranho. A única época em que o estranho dominava o mainstream foram os fatídicos anos 80 (não por acaso "a década perdida"). Lembra da música? Cindy Lauper, Prince, Michael Jackson! Isso sem falar dos ingleses! (Poderíamos falar um dia inteiro daqueles seres estranhos...)
O pior é quando falo quais são minhas bandas favoritas (se quiser saber quais são, mande um mail). A reação das pessoas se divide entre a) me bater e b) ligar pro Pinel perguntando se alguém escapou. Ah, também têm aqueles que começam a rir, achando que é brincadeira. Mas quando eles descobrem que é serio, exibem uma das reações anteriores.
Entretanto, nem tudo que é estranho é ruim. O som da banda Jimi James é deliciosamente estranho. E muito, muito divertido. Lembrei deles porque o post anterior foi escrito ao som da música "Um dia de paz". Pra quem deseja conhecer o Jimi James, é só ir na página deles. Detalhe para a descrição que a banda faz de si mesma; uma verdadeira salada cultural.
Aproveita a chance porque pra receber outra boa dica aqui vai demorar muito...

Purquê nóis faiz quandu dá pra nóis fazê

O Ex-quase-futuro tá largado faz um mês. O pior é que ninguém percebeu.
Esse blog não tem família, não tem amigos, é praticamente um indigente. Um ex-quase-futuro indigente. Mas coloquei essa porcaria no mundo, agora tenho que criar.
Explico os motivos do abandono (se é que precisa de motivo pra largar essa porcaria). Primeiro, voltei das férias (se quiser saber onde estudo, mande um mail). Segundo, o Cultura Interativa está voltando ao ar (se quiser saber o que é o Cultura Interativa, mande um mail). Terceiro, minha respectiva requer (ainda bem!) muita atenção (se quiser saber quem é minha respectiva, vá pra PQP!). Resumindo, estou dividindo o tempo entre seminários, feira de livros, festas, projetos, festival de cinema, apostilas, matérias, ICQ. E também uns beijos, umas saídas com os amigos, umas idas pro cinema e umas dormidas, porque ninguém é de ferro. O resultado dessa tentativa de espremer 40 horas num dia que só tem 24 é que não sobrou tempo pro Ex-quase-futuro. Só agora é que bateu uma dor na consciência e resolvi dar uma satisfação.
Afinal, pode ser feio e sem-graça, mas é meu. Então, pra melhor ou pra pior, estamos de volta.

23.8.02

Publicidade Skolada

Alguns comerciais (ou "anúncios publicitários na TV", se preferir) apresentados nos últimos tempos têm sido simplesmente uma exibição do uso de computação gráfica e outros efeitos. Os comerciais da Brahma se resumem a "de que modo diferente podemos mostrar a tartaruga agora?"
Considero idiotas os publicitários que bolam esse tipo de comercial. Desde que descobriram os efeitos especiais, eles acham que a quantidade de efeitos dá a qualidade do anúncio. Mas o que importa mesmo é como esses efeitos são usados. O efeito deve complementar a idéia, não o contrário.
Um bom exemplo do bom uso dos efeitos é o novo comercial da Skol. Não, não é aquela bobagem de "redondo, redondo". É a seguinte cena:

Cliente: Garçom, traz uma Skol.
Homem do balcão pro garçom: A Skol acabou - e entrega outra cerveja.
No caminho para a mesa, o garçom tira e come os rótulos da garrafa.
Na mesa, o cliente pergunta: Que cerveja é essa?
Garçom: Skol, ué.
Cliente: Cadê o rótulo?
Garçom: Tava molhado, caiu.
Cliente: Então mostra a tampinha.
O garçom tira a tampinha rapidamente e engole também.
Garçom: Que tampinha?
Cliente (já sacando a situação): Então bebe.
O garçom aos prantos: não consigo! Isso eu não consigo!
Entra a vinheta final da Skol.

O comercial é genial porque a idéia é genial, apesar de surreal (o garçom comer rótulo e tampa, mas não conseguir beber a cerveja que não é Skol). E os efeitos são muito bem usados, porque usados só quando necessário (quando o garçom engole em movimentos rápidos o rótulo e a tampinha). Já não via um comercial tão bom da Skol desde aquele do Skol Rock, com os quatro velhinhos cantando o jingle da Skol imitando rock pesado.

Hipérbole imagética

O novo comercial do desodorante Axe: aparece um homem novo. Ele passa Axe pelo corpo. Uma mulher o agarra (é o já famoso "efeito Axe"). Enquanto isso, um pequeno mosquito pica o homem. Um sapo engole o mosquito. O sapo e a sapa transam (efeito Axe). As pernas do sapo são servidas a um velho num restaurante chique. Uma mulher nova agarra o velho (efeito Axe). Ele morre enquanto transa. Um verme come as carnes do cadáver do coroa. O verme vai parar naquelas garrafas de tequila mexicana. Um cara bebe a tequila e atrai mais mulheres. Tudo isso ao som de "Love is in the air". Entra o narrador: "Axe nova fórmula. Agora com efeito prolongado."
Alguém mais além de mim achou isso um pouquinho exagerado?
Entretanto, há de se reconhecer que o comercial é muito divertido e a narrativa é muito bem bolada. É um daqueles casos em que o anúncio é tão absurdo que chega a ser legal.

4.8.02

O pé (quebrado) da letra

Assistindo a um desenho da Disney sábado de manhã, percebi que a versão brasileira de "Silly Symphony" (tipo de animação em que a história é narrada através de música e não de fala) ficou sendo "Sinfonia Tola".
No meu Michaelis, silly quer dizer 'bobo, simplório'. É lógico que tola seja uma das possíveis traduções, mas todos sabemos que tolo tem um sentido pejorativo, equivalendo a 'otário, mané'. Para evitar a ambigüidade, os tradutores contratados pela Disney deveriam buscar outra palavra. Não entendo por que não usaram simplória. Devem ter achado que era uma solução simplória demais. Porém, que seja antes simplório que tolo.
Ironicamente, talvez tenham achado a palavra simplória complicada demais para as crianças. Então por que não optar por uma tradução não-literal? Se o objetivo desses desenhos era ressaltar as músicas fora de um contexto de erudição e seriedade, por que não algo como "Sinfonia Singela"? É um título que ressaltaria o caráter simples e belo desses desenhos e suas canções. E ainda por cima manteria a aliteração original do título em inglês.
O que importa é que para todos os amantes da animação, essas pequenas obras-primas serão sempre "Silly Symphonies". E tolos são os tradutores que fizeram essa lambança.

PS: Criticando tradução de desenho da Disney?! É nisso que dá acordar cedo num sábado...

Curtas

Acabou julho, o mês das férias. O mês do cinema. Caso alguém queira saber, aqui vai uma rápida opinião sobre os filmes das férias. A crítica completa estará em breve no Cultura Interativa. Segue a lista:
- Star Wars - Episódio II: destaque para os personagens não-humanos. Os robôs R2-D2 e C-3PO roubam a cena sempre que aparecem. E jedi grande mestre sem dúvida digital Yoda é.
- Homem-Aranha, o Filme (segunda vez): a melhor adaptação de quadrinhos para o cinema de todos os tempos. Vi de novo pra ver os detalhes, mas novamente me deixei envolver pelo filme.
- O Demônio das 11 Horas: filme francês nas férias?! É sim, pois nem só de pipoca vive o cinema.
- Anima Mundi - Curtas Cinema 4: em minha única passada pelo Anima Mundi, vi sete filmecos excelentes em uma hora.
- As Meninas Superpoderosas: por incrível que pareça, essas heroínas retrô estereotipadas são a idéia mais "anos 2000" do mundo da animação. Ironia, ritmo alucinante, humor e muita, muita cor. Só queria tirar uma dúvida: alguém mais viu Jay e Silent Bob no meio do desenho?
- Homens de Preto 2 (MIB 2): Mr. Smith e Mr. Jones de volta como os agentes mais respeitados da agência MIB. O roteiro e a maior parte das piadas são recauchutadas do primeiro filme. Destaque para o alien canino Frank cantando/latindo "Who Let the Dogs Out?" e para a piada com a Estátua da Liberdade.
- Oito Mulheres: outro filme francês nas férias?! É, mas esse é uma comédia deliciosa estrelada por oito atrizes maravilhosas. Mas não pense que é uma tola comédia hollywoodiana. O filme é francês, MUITO francês.
- Janela da Alma: Esse documentário questiona justamente o conceito da visão e seu papel em nossa compreensão da realidade. Posso dizer sem exageros que esse filme me deu uma outra visão do mundo. Mas não consegui esclarecer uma dúvida: por que um fotógrafo cego precisaria de óculos?
- Resident Evil - O Hóspede Maldito: um sério candidato ao prêmio de "pior subtítulo da história do cinema". Filme fiel ao jogo, inclusive com o lance do traidor entre os membros da equipe. Milla Jovovich salva o filme com suas caras e bocas de mulher fatal.
- Um Grande Garoto: mais um livro de Nick Hornby adaptado para as telonas, mas dessa vez o filme não foi "americanizado" como em "Alta Fidelidade". O filme mantém o jeitão inglês, inclusive na reação das pessoas. E ao contrário do que afirma seu personagem no início do filme, Nicholas Hoult é melhor que Haley Joel Osment.

1.8.02

Quando estamos todos errados

Não gosto de escrever sobre coisas que acontecem comigo, mas o episódio de hoje foi significativo.
Pouco antes do filme começar, entra na sala um pitboy trazendo como acessório sua patricinha particular, modelo "maria-tatame". Logo no início do filme, eles não param de falar, mesmo sob protestos de alguns. Então começa. Um celular toca. O troglodita atende como se estivesse no meio da rua. Todos no cinema são obrigados a ouvir a sua conversa com o "mano" do outro lado. Muitos protestam. Não se pode ouvir o som do filme. Enfim a conversa acaba. A do celular. O papo com a paty continua.
Entendo namorados que vão pro cinema pra "não ver o filme". Já fiz isso. Podem namorar o quanto quiserem, desde que não incomodem os outros espectadores. Mas eles não fizeram isso. Se eles estivessem beijando, não falariam tanto e tão alto. Mas o filme continua. O celular ataca novamente. Parece brincadeira. Agora o marmanjo se levanta pra falar lá fora, mas volta com a ligação ainda rolando.
Talvez o problema fosse o filme. Quando o casal soube que era uma comédia, talvez esperasse um filme que mostra pênis, bundas e sexo. Mas o humor inglês não se permite essas "facilidades" e, pra infelicidade de alguns, investe na comédia de diálogos.
A ligação termina, a conversa continua. Um casal na frente reclama. Tudo o que o troglodita queria. O troglodita se levanta. O homem sensato (porém irado) também. O troglodita quer briga. Em sua ira, o homem sensato perde a sensatez e segue em frente. O troglodita saliva e mostra os dentes. Que filme que nada, agora entramos no território da bestialidade. O território do selvagem. Ele ataca. Ambos se atracam. As namoradas tentam, em vão, separar homens que esqueceram sua humanidade. Também tento, mas reconheço que está além das minhas capacidades. O cinema grita. Olho pra entrada, procurando o segurança que alguma das jovens ou das senhoras deveria ter chamado. Não tem ninguém lá. Jovens e velhas gritando em suas cadeiras. Ninguém se levanta. Corro lá fora, chamo dois seguranças. Eles não ligam. "BRIGA". Eles correm pra sala. As luzes acendem. Animais se separam. Um deles volta a ser homem. Quatro a menos na sala.
Velhas e meninas. Todas ainda sentadas, reclamando. Nessa hora, percebi: somos todos culpados. O troglodita, claro, o mais culpado de todos. Desrespeito ao próximo. Violência gratuita. Socar é melhor que beijar. A paty. Valoriza alguém que não a valoriza. Permanece ao lado de um ser que certamente já brigou outras vezes por motivos fúteis. Enfim, aprova e apoia o comportamento sociopata. O homem (in)sensato. Fez bem em reclamar, mas perdeu a razão em aceitar resolver as coisas na violência. Este que vos escreve. Não consegui antever a briga. Não consegui separar a briga. Demorei a chamar os seguranças. Os próprios seguranças. Todos conversando do lado de fora, longe das salas e das pessoas. Se fosse um incêndio, todos na sala morreriam queimados. Velhotas no cinema. Sua única reação foi gritar e reclamar. Tive que atravessar a sala para chegar na saída, quando qualquer uma perto da porta poderia ter ido chamar a segurança. Enfim, todos nós.
Até você que está lendo. Porque deixamos a violência chegar a esse ponto. Porque jogamos lixo no chão. Avançamos o sinal. Fumamos maconha. Votamos mal. Pequenas atitudes. Pequenas violências. Pequenas violações da cidadania. Violamos as regras que nos permitem viver em sociedade. Estamos todos errados. Somos todos culpados.

Voltando à nossa programação normal...

Depois de um tempo sem novidades, o Ex-quase-futuro está de volta.
Não foi um abandono de verdade, estava apenas nas minhas férias. E, tendo muita leitura pra colocar em dia, não quis escrever muito. Mas agora pretendo voltar a escrever com a regularidade de sempre, ou seja, de vez em quando.
Parafraseando Jô Soares: a qualquer momento ou nunca mais, um novo post do Ex-quase-futuro. Aguarde.

8.7.02

Dúvida insolúvel

Santo Agostinho (354 - 430), religioso e professor, certa vez disse: "As fortes provas são quase sempre o indício de um fim de sofrimento".
Será que ele estava, num momento premonitório, falando da faculdade?

2.7.02

Ro-Ro

Ronaldo Ronaldinho; Ronaldo, o Fenômeno; RRRRRRRRonaldinho; ®onaldo da Nike ou, como diz o Falcão, Ronaldo, o Nazário.
São tantos nomes para um mesmo jogador que parece que ele vale por vários. Hum, isso explicaria porque ele joga tanto!
Mas lembro de uma época, não muito distante, em que se associava o nome de Ronaldo a outro grande jogador de ataque, gerando a dupla Ro-Ro. Alguém ainda lembra do outro Ro? Alguém ainda se lembra de Romário? Ou na hipocrisia inocente da vitória todos esqueceram do nome que tanto gritaram?
Vai ver que o Ronaldo® é tão bom nele mesmo que sozinho possa se chamar Ro-Ro. É, deve ser isso.

Mudança de hábito

Se hoje o Felipão é um gênio, há trinta dias ele era teimoso e cabeça-dura.
Se no domingo muitos disseram "valeu, Felipão", antes da Copa muitos gritavam "burro".
Se depois da vitória as pessoas gritam o nome de todos os jogadores (até do Roque Júnior), antes da convocação o povo só sabia gritar o nome de um jogador (um certo baixinho).
Se Luis Felipe Scolari é um santo, lembrem-se que Felipão já foi crucificado.
Então, povo brasileiro, jornalistas e "entendidos da bola", todos devemos desculpas ao homem que seguiu seu objetivo apesar de tudo o que diziam dele e que acabou sendo o grande responsável por essa vitória.
Parabéns, Felipão; e minhas sinceras desculpas.

Mas os meus cabelos...

Falando em cabelos feios, essa foi a disputa mais difícil para o Brasil nessa Copa.
Ronaldinho veio como favorito ao título, com suas madeixas (?) tratadas na França. Ele esperava competir com as já tradicionais trancinhas verdes dos nigerianos e os coloridos japoneses.
Na busca pelo título, o gaúcho incorporou no visual a mais ridícula mania dessa Copa: os elásticos no cabelo. Para se ter uma noção do quão ridículas são essas coisas, basta dizer que 90% do time argentino usa tais elásticos.
Mas o Brasil não contava com o surpreendente retorno dos moicanos, liderados por Backham, a namoradinha da Inglaterra. A Sandy inglesa conseguiu ser o favorito (?) entre os cabelos mais ridículos, mesmo sendo eliminado pelo Brasil antes da final.
A esperança brasileira criou raízes no cabelo ruim de Ronaldo® (o original). O modelo (?), apropriadamente batizado por Caco Galhardo como "lixinho da pia", deixou estupefatos todos os fãs do futebol e do bom gosto. E com esse penteado (?) Ronaldo® ganhou mais uma disputa para o Brasil e para a Nike, que vai desenhar um novo tênis com design baseado no cabelo do craque.

Frase do dia:
"A Seleção é a barbearia de chuteiras" (JP)

Fatos da Copa

O Brasil é pentacampeão, apresentando uma campanha impecável.
Acompanhe:
A melhor campanha, 7 vitórias em 7 partidas.
O ataque mais efetivo: 18 gols.
A vantagem de ser o maior vitorioso em copas pelo menos até 2010.
Além disso, destaque para o mérito de nosso elenco:
O melhor da copa.
O artilheiro.
O técnico mais teimoso.
O cabelo mais feio.
O melhor juiz.

É, vai ser difícil esquecer essa Copa.

24.6.02

Já vi isso antes...

Olha que semana "bacana".
- Segunda: entrega de trabalho.
- Terça: prova de economia.
- Quarta: jogo do Brasil.
- Quinta: prova de economia.
- Sexta: entrega de trabalho.
Minha semana déjà vu!

22.6.02

Vida de Faca

Todos os piratas foram presos. Depois de saquear vários navios e pequenos povoados litorâneos, estavam respondendo a um violento interrogatório promovido pelas nada gentis tropas inglesas.
Um a um, os prisioneiros contavam suas histórias e seus crimes. Uma pergunta incomum se repetia em todas as "entrevistas": por que, com tantas habilidades em navegação e combate, você se tornou um pirata?
A resposta mais freqüente era a busca pelos grandes ganhos da "profissão". Alguns diziam ter ingressado esse modo de vida por vingança, outros declaravam estar fugindo de dívidas em terra firme.
Somente um dos criminosos do mar confessou a verdade, cantarolando, na língua de seus captores, uma antiga cantiga (que por acaso tem o ritmo de "I Love The Nightlife", a famosa música dos anos 70) sobre a emoção de ser um pirata. Baixinho, ele cantava "I love the knifelife, I wanna cut ya..."

21.6.02

O Comedor ONU

Que Stallone que nada, Reynaldo Gianecchini é o verdadeiro garanhão italiano.
Depois de faturar a virgem Maria logo no primeiro capítulo, o namorado da Gabi parte em busca de novas aventuras no Brasil. Segundo a sinopse da novela, ele fica dividido entre a italianinha de sua terra natal (a famosa "comida de casa"), a filha brasileira de um italiano e uma judia de sotaque francês. Mas parece que uma filha de espanhóis também se tornou um alvo para o apetite multinacional do rapaz. A Globo parece ter achado na década de 30 o primeiro "pegador globalizado".
Imigrantes, tremei; o Comedor ONU vem aí.

31.5.02

Frase do dia. Recebi essa da Farmácia de Pensamentos:
"Somos jovens loucos num mundo onde os normais constroem bombas atômicas."

27.5.02

Isso é o que chamo de aula!

Retirado da Folha Online:
"(...) Na "vida real", o professor Jim Kakalios, titular da cadeira de física da Universidade de Minnesota, nos EUA, utiliza o personagem para prender a atenção dos teens e pós-teens que frequentam as suas aulas.

"A teia do Homem-Aranha é realmente forte o suficiente para agüentar seu peso enquanto ele voa de um prédio para outro?" é um dos problemas da última prova que aplicou.

Kakalios batizou o curso de "Everything I Know of Science I Learned from Reading Comic Books" (Tudo o que Eu Sei de Ciência Aprendi Lendo História em Quadrinhos) e teve a idéia lendo um episódio de 1973 da série em que a então namorada de Peter Parker, Gwen, morre ao ser derrubada de uma ponte pelo (...) Duende Verde".

Por que nunca tive um professor assim? Seria tudo tão mais fácil...

19.5.02

O ônus da prova

Assisti à peça "A Prova", com Andréia Beltrão. Excelente do primeiro ao último minuto. Minutos que me fizeram pensar em algumas questões. Por que temos que provar que não estamos errados a cada decisão que tomamos? Por que, quando fazemos algo certo, temos que provar que não trapaceamos? Isso é uma tremenda incoerência. Já diz uma frase muito famosa no Direito: "O ônus da prova cabe ao acusador". Estou errado? Então prove que estou errado.

Outra questão da mesma peça: por que existem pessoas que se incomodam com o pensamento alternativo, com formas diferentes de viver a vida? O grande barato desse conjunto de seres heterogêneos que chamamos "a humanidade" é que alguns (poucos) de nós têm o talento para inovar. São esses revolucionários que nos permitem mudar nossos paradigmas existenciais rumo a algo novo. O novo não é melhor ou pior, é apenas diferente das experiências passadas. Mudamos para sobreviver. A alternativa é a morte causada pela estagnação.

15.5.02

De tanto falar de Ex-quase-futuro, acabei virando uma vítima dessa famigerada tríade.
Por um curto período tive uma ex-quase-futura namorada. Mas com sorte (e um pouco de habilidade, admito) conseguimos superar isso e agora está tudo bem. Fez-se valer a frase: "No fim, tudo termina bem. Se não está bem, é porque não chegou ao fim".

28.4.02

Depois de muito tempo sem escrever, hoje deu vontade.
Pensei na possibilidade de me chamarem pra escolher quem vai tocar no próximo Rock In Rio.
Essas seriam minhas escolhas.

Rock In Rio (versão JP)
Atrações:

Palco "Alguma coisa que lembra Rock":
- No Doubt
- Linkin Park
- Gorillaz
- Aerosmith

Palco "Aquilo que chamo de Dance, mas que todos chamam de Eletro":
- Gala
- Sonique
- Kosheen
- Eiffel 65
- Fatboy Slim
- Daft Punk

Palco "Prata da casa":
- Gabriel O Pensador
- Lulu Santos
- Skank
- Penélope
- Rogério Skylab

Palco "Mela-cueca":
- Toni Braxton
- Djavan
- Seal
- Savage Garden

Palco "Tem outra música além dessa?":
- Bobby McFerrin - Don't Worry Be Happy
- Aswad – Shine
- Apache Indian - Boom Shak A Lak
- Diana King - I Say A Little Prayer
- Samira – The Rain
- 10000 Maniacs - Because The Night
- Shampoo – Trouble
- Bloodhound Gang - The Bad Touch
- Modjo – Lady
- Pandera - In My Dreams
- Bruce Dickinson - Tears Of A Dragon
- Ghost Town DJ's - My Boo
- Billie Myers - Kiss The Rain
- Alphaville - Sounds Like A Melody
- Europe - The Final Countdown
- Eurythmics - Sweet Dreams

Palco "Revival anos 80" (Aviso: são proibidas as músicas feitas por esses artistas após 93):
- (aquilo que costumava se chamar) Prince
- Oingo Boingo
- Kiss (formação original)
- Madonna
- Michael Jackson

Palco "Bandas de países estranhos da Europa":
- Roxette
- Ace Of Base
- Aqua
- Vengaboys