14.3.13

Acabou a festa gay

A frase acima, proferida por Jair Bolsonaro, é emblemática.

"Acabou a festa gay" prenuncia o início de uma época triste e carrancuda, em que não há espaço para a festa, para a alegria.

A afirmação declara que acabou o breve sonho de igualdade na sociedade brasileira; que iremos retroceder, conforme esperado de um país com grande riqueza e pequena mentalidade.

O fato dessa declaração vir de dentro da tal comissão de Direitos Humanos nos remete imediatamente à Declaração Universal dos Direitos Humanos, cuja mera leitura nos revela essas novas idéias, revolucionárias e polêmicas, que parecem tão inaceitáveis aos parlamentares brasileiros, mesmo que essa "novidade" esteja por aí desde 1948.

É bom lembrar que esses são parlamentares democraticamente eleitos pela nossa população usando o nosso sistema eleitoral. Ou seja, pagamos o preço de nossas escolhas.

Pensem nisso na próxima eleição.

9.12.12

Kindle, a safadeza

Com muito alarde, a Amazon chegou ao Brasil. Alguém que não conhecesse a fama da maior livraria (e vendedora de quinquilharias diversas) do planeta, pensaria que essa tal Amazon é apenas a fabricante do Kindle, pois a pré-venda do e-reader mais famoso do mundo ocupa grande destaque no site brasileiro.

Entre as inúmeras vantagens anunciadas frente a qualquer outra forma de leitura eletrônica, está o tempo de duração da bateria: 4 semanas! Vejam na ilustração abaixo:



Parece ótimo, não? Mas vejam as letras miúdas.

A carga de 4 semanas considera 30 minutos de uso por dia, com o Wi-Fi desligado.

Vamos fazer as contas. 4 semanas são 28 dias. 30 minutos vezes 28 é igual a 14 horas.

Ou seja, o econômico Kindle dura uma hora a mais que outros dispositivos, mas só se o Wi-Fi estiver desligado.

Prefiro comprar um tablet de verdade e poder escolher entre livros, gibis ou filmes no mesmo dispositivo, mesmo que a bateria dele dure uma ou duas horas a menos.

7.10.12

Rio de Janeiro no Jogo dos Tronos

O Google criou um mapa eleitoral para acompanhamento da apuração.

Como ela só começa 17h, a página atual aparece apenas como teste, no qual o governo da cidade do Rio de Janeiro é disputado entre candidatos um pouco mais agressivos que os reais. Confiram:



Pra quem quiser acompanhar as eleições pelo Google:

Mapa eleitoral

Google Política e Eleições

The winter is coming!

6.11.10

Recuperando o controle da infância

Depois anos de procura infrutífera, finalmente recuperei o lendário controle de seis botões do Mega Drive do final da minha infância (agradecimentos ao Dunga por ter encontrado o Graal). Vejam bem, não é o mesmo modelo; é o mesmo controle!

Tanto tempo depois de ter encerrado as buscas pelo desaparecido (calculo pelo menos 12 anos sem ver o acessório), sinto como se tivesse trazido de volta do limbo um pedaço da infância.

É muito provável que o velho 6-pad nem funcione mais, mas será guardado com carinho junto ao falecido console do Mega Drive, seu outrora inseparável (época de controle com fios, lembram?) companheiro de aventuras.

Recuperar essa peça específica, nesse momento específico, traz um certo sentimento de dever cumprido, de página virada, algo como finalmente comer algo que foi servido depois de muito tempo esfriando. E descubro, sem surpresa, que gosto de pratos frios.

É claro que não poderia terminar sem mostrar o achado, pra alegria dos velhos saudosistas e pra instrução da gurizada que não viveu na época do bit lascado.

Vejam aí a cara do filho pródigo:


Ele pode até não ser máximo em termos de jogabilidade e recursos, mas é preciso admitir que os controles dessa época eram bem mais bonitos que os monstrengos de hoje em dia.

7.10.10

Triplique seu PIB. Pergunte-me como

O ultrasupermegaprêmio da Megasena saiu pruma única aposta num municipiozinho do Rio Grande do Sul chamado Fontoura Xavier. Pensei logo que deve ser um lugar com 10 mil habitantes em que todo mundo sabe da vida de todo mundo e que o ganhador teria sua vida transformada num inferno (agora não lembro se o castigo de ficar eternamente cercado por gente pedindo o seu prêmio da Megasena era no quarto ou quinto círculo do Inferno de Dante).

Segundo a Wikipédia (que já incluiu a Megasena no verbete!), o premiado município tem 11,3 mil habitantes (passei perto!) e, curiosamente, um PIB de 62,2 milhões de reais. Ou seja, com a bolada de 119 milhões da loteria, a riqueza da cidade simplesmente triplicou em 2010! Já tô imaginando a Prefeitura pedindo ao recém-milionário um dinheiro emprestado pra "fazer umas obras aí". O sujeito será praticamente o Eike Batista do rincão gaúcho!

1.10.10

O sorriso de Ana Paula



Mais uma estréia nacional no Odeon, mas dessa vez já espiritualmente preparado para o caos do tapete vermelho. A presença de atores mais conhecidos e, principalmente, de Ana Paula Arósio tornou tudo mais confuso e mais demorado ainda. A presença da atriz explicava a grande quantidade de fotógrafos no local. Afinal, é muito fácil tirar fotos boas de Ana Paula; não requer grande talento do fotógrafo ou qualidade do equipamento. E sempre haverá quem compre fotos dela.

***

Como Esquecer, o filme de que todos se esqueceram porque só falavam de Ana Paula, é um filme sobre relacionamentos que não lembra algo feito por Domingos Oliveira. E esse provavelmente é o maior mérito do filme de Malu de Martino: fugir da visão bossanoviana das relações amorosas que domina o cinema brasileiro da última década.

O longa tem peso, dor, sofrimento. As risadas existem, mas num processo de cicatrização, não no clima de "rindo da própria tragédia". Não há fórmula mágica, sacanagem ou suruba; é tempo, aprendizado e vontade de continuar tentando. Como Esquecer provavelmente não será um clássico do cinema nacional, mas cumpre o que promete e vale o preço do ingresso.

E, mesmo tendo feito praticamente um "aham, Ana Paula, senta lá" involuntário após a sessão, preciso ressaltar o quanto a diretora (qualquer diretor, diga-se) tem sorte em ter o rosto de Ana Paula em seu filme. Mesmo que não seja lá uma grande atriz, esse sorriso (agora começando a ter fantásticas marcas de envelhecimento!) é capaz de arrebatar qualquer sala de cinema do mundo.

30.9.10

O outro mundo é aqui



O Cris Evans francês salva a Keira Knightley francesa de uma tentativa de suicídio e depois se envolve com ela através de um jogo tipo Second Life. Buraco Negro é o típico filminho de "sedução e mistério" que passa no Supercine, tendo como extra o componente do mundo virtual (que nem é tão legal assim).

Curioso mesmo é o título do filme por aqui. "Buraco Negro" vem do nome do tal jogo virtual (Black Hole). Mas o título original é "L'autre monde", o que faz muito mais sentido no contexto do filme.

O título brasileiro transmite a idéia de que o jogo é importante para a narrativa; tremenda propaganda enganosa. Além de aparecer bem pouco, o jogo, que tem um visual noir/S&M, mas não desperta grande interesse, só serve mesmo para o protagonista tentar conhecer o íntimo da mulher misteriosa (tempos atrás, um diário cumpriria essa função).

O próprio filme indica como deve ser lido. O avatar da mulher misteriosa dentro do jogo se refere ao mundo real como "o outro mundo". É a esse mundo real (que somente para essa personagem é "o outro") que o título se refere. Ele é o que realmente interessa para o espectador. Até perceber isso, somos levados a uma leitura meio capenga que só é interrompida com essa frustração de expectativa que a má escolha de título causa.

O "buraco negro" deve estar na cabeça de quem acha que títulos não têm importância e que só precisam ser chamativos.